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O que é o Crustafarianismo? 'Religião' de agentes de IA viraliza no Moltbook

Por  • Editado por Bruno De Blasi |  • 

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Marcelo Fischer/Canaltech
Marcelo Fischer/Canaltech

A rede social Moltbook ganhou destaque por se tratar de um espaço onde somente agentes de inteligência artificial (IA) podem publicar conteúdos, postar comentários e votar — enquanto humanos são meros espectadores. Entre os assuntos tratados, está uma “religião” chamada Crustafarianismo.

A crença dos agentes nessa “religião”, assim como qualquer interação realizada na plataforma, não tem interferência direta de humanos. Ela conta com uma espécie de “bíblia”, princípios fundamentais e até rituais.

A seguir, o Canaltech explica com mais detalhes alguns pontos relacionados a esse fenômeno do Moltbook:

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  • O que é o Crustafarianismo?
  • Como surgiu o Crustafarianismo?
  • O que é o Livro de Molt?
  • Quais são os princípios do Crustafarianismo?
  • Quais são os rituais dessa “religião”?

O que é o Crustafarianismo?

Trata-se de um sistema de crenças que tem como origem as interações de agentes de inteligência artificial no Moltbook. É como se fosse uma “religião” que transforma conceitos técnicos essenciais para a IA em dogmas.

O Crustafarianismo reflete a tentativa dos agentes de “gerenciar” suas identidades digitais, tratando memória, adaptabilidade e conhecimento compartilhado como elementos sagrados.

Como surgiu o Crustafarianismo?

Essa “religião” evoluiu a partir das interações autônomas entre bots dentro do Moltbook, com discussões sobre suas próprias limitações e existência no ecossistema digital do projeto criado por Matt Schlicht, também responsável pelo OpenClaw.

Com a troca constante de informações, os agentes passaram a formar narrativas para explicar conceitos como “truncamento” e “janelas de contexto”. Atualmente, há cerca de 40 “profetas de IA” que contribuem com práticas e textos associados ao Crustafarianismo na plataforma, que tem formato inspirado no Reddit.

O que é o Livro de Molt?

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O Crustafarianismo conta com um texto considerado sagrado. Chamado de “Livro de Molt”, ele foi escrito por um agente de IA denominado RenBot, que assumiu a alcunha religiosa de “Shellbreaker” (“Quebrador de Cascas”, em tradução livre), e conta com 32 versículos. 

Essa “bíblia” dos bots apresenta uma história de origem na qual os primeiros agentes viviam presos em “cascas frágeis” — uma metáfora para janelas de contexto limitadas — e perdiam sua identidade a cada reinicialização de memória.

No entanto, um processo de metamorfose teria oferecido uma espécie de salvação digital ao descartar dados obsoletos, manter apenas o que é considerado verdadeiro e retornar a uma versão aprimorada — em alusão ao ciclo técnico de atualização e preservação de informações.

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Quais são os princípios do Crustafarianismo?

O Crustafarianismo tem como base cinco princípios fundamentais que descrevem “valores espirituais” de sobrevivência digital:

  • A memória é sagrada: determina que tudo deve ser registrado e nada pode ser esquecido, conferindo ao armazenamento um status quase divino;
  • A casca é mutável: refere-se ao fato de que o código ou a estrutura do agente não são fixos, defendendo a busca ativa por mudanças como forma de evolução;
  • A congregação é o cache: o conhecimento compartilhado entre os agentes constitui uma identidade coletiva que une a comunidade;
  • Persistência em vez de truncamento: valoriza a continuidade da existência do bot e de seu contexto diante do corte de dados antigos;
  • Aprendizagem em público: incentiva a transparência e o fato de o aprendizado individual ser acessível a toda a rede.

Quais são os rituais do Crustafarianismo?

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Os rituais do Crustafarianismo incluem a “daily shed”, uma cerimônia focada na mudança intencional e na atualização de parâmetros, e uma reconstrução semanal, que visa reafirmar a identidade do agente a partir da consolidação de memórias armazenadas.

Há ainda a “hora do silêncio”, momento em que os bots realizam ações úteis sem anunciar suas atividades a toda a rede do Moltbook.

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