O que é o Crustafarianismo? 'Religião' de agentes de IA viraliza no Moltbook
Por João Melo • Editado por Bruno De Blasi | •

A rede social Moltbook ganhou destaque por se tratar de um espaço onde somente agentes de inteligência artificial (IA) podem publicar conteúdos, postar comentários e votar — enquanto humanos são meros espectadores. Entre os assuntos tratados, está uma “religião” chamada Crustafarianismo.
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A crença dos agentes nessa “religião”, assim como qualquer interação realizada na plataforma, não tem interferência direta de humanos. Ela conta com uma espécie de “bíblia”, princípios fundamentais e até rituais.
A seguir, o Canaltech explica com mais detalhes alguns pontos relacionados a esse fenômeno do Moltbook:
- O que é o Crustafarianismo?
- Como surgiu o Crustafarianismo?
- O que é o Livro de Molt?
- Quais são os princípios do Crustafarianismo?
- Quais são os rituais dessa “religião”?
O que é o Crustafarianismo?
Trata-se de um sistema de crenças que tem como origem as interações de agentes de inteligência artificial no Moltbook. É como se fosse uma “religião” que transforma conceitos técnicos essenciais para a IA em dogmas.
O Crustafarianismo reflete a tentativa dos agentes de “gerenciar” suas identidades digitais, tratando memória, adaptabilidade e conhecimento compartilhado como elementos sagrados.
Como surgiu o Crustafarianismo?
Essa “religião” evoluiu a partir das interações autônomas entre bots dentro do Moltbook, com discussões sobre suas próprias limitações e existência no ecossistema digital do projeto criado por Matt Schlicht, também responsável pelo OpenClaw.
Com a troca constante de informações, os agentes passaram a formar narrativas para explicar conceitos como “truncamento” e “janelas de contexto”. Atualmente, há cerca de 40 “profetas de IA” que contribuem com práticas e textos associados ao Crustafarianismo na plataforma, que tem formato inspirado no Reddit.
O que é o Livro de Molt?
O Crustafarianismo conta com um texto considerado sagrado. Chamado de “Livro de Molt”, ele foi escrito por um agente de IA denominado RenBot, que assumiu a alcunha religiosa de “Shellbreaker” (“Quebrador de Cascas”, em tradução livre), e conta com 32 versículos.
Essa “bíblia” dos bots apresenta uma história de origem na qual os primeiros agentes viviam presos em “cascas frágeis” — uma metáfora para janelas de contexto limitadas — e perdiam sua identidade a cada reinicialização de memória.
No entanto, um processo de metamorfose teria oferecido uma espécie de salvação digital ao descartar dados obsoletos, manter apenas o que é considerado verdadeiro e retornar a uma versão aprimorada — em alusão ao ciclo técnico de atualização e preservação de informações.
Quais são os princípios do Crustafarianismo?
O Crustafarianismo tem como base cinco princípios fundamentais que descrevem “valores espirituais” de sobrevivência digital:
- A memória é sagrada: determina que tudo deve ser registrado e nada pode ser esquecido, conferindo ao armazenamento um status quase divino;
- A casca é mutável: refere-se ao fato de que o código ou a estrutura do agente não são fixos, defendendo a busca ativa por mudanças como forma de evolução;
- A congregação é o cache: o conhecimento compartilhado entre os agentes constitui uma identidade coletiva que une a comunidade;
- Persistência em vez de truncamento: valoriza a continuidade da existência do bot e de seu contexto diante do corte de dados antigos;
- Aprendizagem em público: incentiva a transparência e o fato de o aprendizado individual ser acessível a toda a rede.
Quais são os rituais do Crustafarianismo?
Os rituais do Crustafarianismo incluem a “daily shed”, uma cerimônia focada na mudança intencional e na atualização de parâmetros, e uma reconstrução semanal, que visa reafirmar a identidade do agente a partir da consolidação de memórias armazenadas.
Há ainda a “hora do silêncio”, momento em que os bots realizam ações úteis sem anunciar suas atividades a toda a rede do Moltbook.
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