Nova solução de IA do Google prevê enchentes repentinas; entenda como funciona
Por João Melo |

O Google anunciou, nesta quinta-feira (12), uma nova solução baseada em recursos de inteligência artificial (IA) para prever enchentes repentinas. A novidade expande a atuação da empresa na geração de alertas relacionados à previsão de inundações.
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O objetivo da empresa é oferecer uma nova alternativa para que cidadãos e autoridades se mantenham informados e seguros ao receber alertas de cheias súbitas em sua região.
O novo modelo de previsões de cheias em áreas urbanas foi desenvolvido com base em uma metodologia identificada como Groundsource. Ela utiliza o Gemini para analisar décadas de relatórios públicos históricos e identificar mais de 2,6 milhões de eventos relacionados a enchentes em mais de 150 países.
Na sequência, o sistema utiliza dados do Google Maps para delimitar geograficamente cada evento. Esse processo tem como resultado final um conjunto de dados focado nas chamadas “enchentes-relâmpago”.
Previsões com 24 horas de antecedência
O Google, então, utilizou essa base de dados para criar seu novo modelo de previsão de inundações repentinas em áreas urbanas. Ao utilizar IA, o sistema consegue processar uma sequência de dados meteorológicos e geofísicos dos últimos sete dias e realizar previsões para as 24 horas seguintes.
O sistema foi integrado ao Flood Hub — plataforma do Google que fornece previsões e dados sobre inundações por meio de um mapa interativo — e exibe as previsões com uma resolução espacial de 20 km × 20 km. Segundo a companhia, restrições de dados ainda limitam o alcance do serviço.
“Devido às limitações atuais do nosso conjunto de dados, restringimos nossa cobertura a áreas urbanas ou densamente povoadas. Especificamente, consideramos apenas pixels com densidade populacional superior a aproximadamente 100 pessoas por quilômetro quadrado (o que corresponde a cerca de 40.000 habitantes por pixel)”, informa a empresa em sua página de suporte.
Além disso, o sistema consegue prever enchentes somente em áreas urbanas e causadas por eventos climáticos, sem incluir inundações provocadas por rompimentos de barragens, por exemplo. Há expectativa de expandir o serviço para outras áreas e tipos de desastres decorrentes de eventos climáticos.
“É importante ressaltar que a mesma abordagem baseada em IA do Groundsource tem o potencial de ser aplicada a outros desastres naturais, como deslizamentos de terra ou ondas de calor, transformando relatos verificados de todo o mundo em conjuntos de dados que possibilitam maior resiliência global”, pontua em comunicado Yossi Matias, chefe de pesquisa do Google.