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Internet morta? Robôs já dominam mais de metade do tráfego e das páginas web

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Inteligência Artificial no PC
Reprodução/Freepik

Pela primeira vez, sistemas automatizados representam mais da metade do tráfego na internet, segundo dados recentes da Cloudflare. A mudança mostra o avanço da chamada “internet agêntica”, marcada pela presença crescente de bots e inteligências artificiais que rastreiam páginas, coletam dados e interagem com conteúdos online. 

Os dados, divulgados em análises da Cloudflare, apontam que o tráfego humano caiu nos setores de varejo, finanças, tecnologia e publicação de conteúdo. Em alguns casos, a redução de visitantes chegou a 40% em menos de um ano, enquanto robôs passaram a ocupar uma parcela maior da atividade na web. 

Um dos principais motivos para essa mudança é o crescimento dos rastreadores usados no treinamento de modelos de IA. Segundo a Cloudflare, 52% das solicitações de rastreamento analisadas atualmente têm como objetivo coletar dados para treinar sistemas de IA, contra 22% no início de 2025. Ao mesmo tempo, mecanismos de busca tradicionais perderam espaço para ferramentas que entregam respostas diretamente aos usuários.

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O avanço do Modo IA do Google também mudou a forma como usuários encontram informações na internet. Um levantamento da Growth Memo, citado pela reportagem do The New York Times, indicou que 75% das sessões analisadas não levaram os usuários para sites externos, mantendo as interações dentro do ambiente de IA do buscador.

O Google contestou os dados do estudo da Growth Memo em respostas ao The New York Times e ao portal Gizmodo, afirmando que a análise foi baseada em uma amostra pequena e em uma metodologia que, segundo a empresa, não representa o comportamento real dos usuários. A companhia também afirmou que seus recursos de IA continuam direcionando bilhões de cliques para sites externos todas as semanas.

O cenário preocupa produtores de conteúdo, que dependem de visitas vindas de buscadores para manter seus negócios. Como resposta, editoras e criadores começaram a bloquear alguns robôs de IA e buscar novas formas de receita. Desde 2023, mais de 50 acordos de licenciamento de conteúdo entre empresas de mídia e companhias de inteligência artificial foram firmados.

Um dos exemplos desse impacto é a Wikipédia, que teve uma queda de 8% nos visitantes humanos no último ano, enquanto robôs continuaram acessando seus conteúdos para coletar informações. Para lidar com a mudança, a fundação responsável pelo site começou a buscar formas de receber pelo uso de seus dados no treinamento de modelos de IA.

O que é a teoria da internet morta?

A teoria da internet morta defende que boa parte da atividade online está cada vez mais influenciada por algoritmos, bots e sistemas automatizados, reduzindo a participação de interações humanas. A ideia ganhou força em comunidades da internet com o aumento de conteúdos artificiais, perfis falsos e interações geradas por máquinas.

Com o avanço da inteligência artificial generativa, a teoria voltou ao debate porque ferramentas de IA conseguem criar textos, imagens, vídeos e páginas inteiras em grande escala. Isso levantou questionamentos sobre a quantidade de conteúdo realmente produzido por humanos na web.

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Apesar do nome, a teoria não significa que a internet tenha deixado de ser usada por pessoas. O conceito serve como uma crítica ao crescimento da automação e ao risco de uma rede cada vez mais preenchida por conteúdos sintéticos, em que fica mais difícil diferenciar interações humanas de atividades feitas por máquinas. 

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