Google e DeepMind criam IA que pode prever ventos com até 36h de antecedência

Por Rafael Rodrigues da Silva | 06 de Março de 2019 às 12h12

Reconhecida mundialmente por ser uma empresa capaz de criar soluções de inteligência artificial para resolver os problemas mais complexos da humanidade, a atual empreitada da DeepMind não é nem um pouco mais humilde: prever com maior exatidão a força dos ventos.

Desde que o mundo começou a se preocupar com a busca por fontes de energias renováveis, as usinas eólicas são umas das melhores soluções criadas pelo homem, pois não gera nenhum tipo de poluição ou danos a longo prazo no meio-ambiente. Mas há um problema que evita que essa fonte seja utilizada de modo mais amplo: é praticamente impossível prever a força dos ventos, o que também torna praticamente impossível prever com exatidão quantos megawatts de energia cada turbina irá gerar por dia.

A dificuldade de prever com exatidão a força dos ventos pode ser vista em um gráfico criado pela E&E News, que recentemente publicou uma reportagem sobre como a queda de temperaturas trazida pelo vórtice polar do meio-oeste diminuiu para além do esperado a força dos ventos e, quando estes voltaram a soprar com mais força, a temperatura estava tão baixa (abaixo de -30º C) que o circuito das turbinas havia se desligado sozinho para evitar danos provocados pelo frio intenso, o que ocasionou um enorme déficit de energia na operação.

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Como pode ser visto no gráfico, a queda brusca de temperaturas diminuiu muito a quantidade de vento em comparação com o que era previsto (Imagem: E&E News)

É para essas situações que a DeepMind está desenvolvendo desde o ano passado um sistema de IA que leva todas as possíveis mudanças climáticas em consideração para calcular o comportamento dos ventos, conseguindo prever com maior exatidão a força de sopro com até trinta e seis horas de antecedência — o que permitiria avisar as companhias de energia de possíveis problemas na geração com até um dia de antecedência.

Para isso, o sistema utiliza algoritmos de aprendizado de máquina para processar não apenas os últimos dados de previsão do tempo, mas também todo o histórico de um ano de mudanças climáticas na região e os dados de energia gerados pelas turbinas em cada uma dessas mudanças. E mesmo que o sistema ainda não esteja completo, pode-se perceber que a DeepMind está obtendo um bom progresso com sua IA, como pode ser visto neste GIF que compara a previsão de vento feita pela IA e a quantidade de vento real que se teve em um determinado dia.

Em azul, os valores previsto pela IA da Google durante as próximas 36h, e em cinza a quantidade real de vento durante o mesmo período (Imagem: Google)

De acordo com um representante da Google, que é dona das turbinas usadas para a coleta dos dados de geração de energia que servem de base para a IA, o objetivo é desenvolver um sistema que torne mais viável o uso de turbina de energia eólica comercialmente, fazendo com que mais empresas passem a utilizar esse tipo de geração que praticamente não cria problemas para o meio-ambiente e abandonem a geração por combustíveis fósseis, que é extremamente nociva e cujo uso indiscriminado pode contribuir para o fim da vida na Terra.

Fonte: ArsTechnica

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