Google desenvolve IA para ajudar a diagnosticar câncer de próstata

Google desenvolve IA para ajudar a diagnosticar câncer de próstata

Por Rafael Rodrigues da Silva | 19 de Novembro de 2018 às 07h45
lagereek/Depositphotos

O câncer de próstata é um das doenças mais comuns entre os homens. Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos, aproximadamente um em cada nove homens desenvolverá esse câncer em algum momento de suas vidas. E, para ajudar, o diagnóstico também não é dos mais fáceis de dar. Como uma boa parte dos pacientes desenvolve uma versão não agressiva do câncer, fica difícil determinar por qual tratamento o paciente deverá passar.

É na definição do diagnóstico que a Google está trabalhando em uma nova aplicação de sua IA. Em uma publicação feita na última quinta-feira (15), cientistas da empresa descreveram a criação de uma IA que utiliza a Escala Gleason (uma escala que classifica o quão próximo células cancerígenas se parecem com células saudáveis) para detectar o quão avançado é o câncer a partir de uma amostra das células.

A Escala Gleason não costuma ser muito utilizada nos diagnósticos de câncer de próstata por causa da falta de “precisão” do cérebro humano, que faz com que médicos patologistas discordem em 53% das vezes de em qual classificação da Escala aquela célula da amostra se encontra, um problema que a IA da Google aparentemente não tem, podendo classificar as células de uma amostra de modo objetivo e preciso.

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A base de informações da IA foi alimentada por um grupo de 32 patologistas, que forneceram anotações sobre os padrões de Gleason — que resultaram em mais de 112 milhões de imagens com anotações — e uma definição geral de onde cada uma das imagens estava disposta na escala. Com o intuito de diminuir as margens de erro, os médicos também classificaram cada imagem de forma independente.

Os resultados do estudo foram bastante positivos, com a IA conseguindo um taxa de acerto do grau da amostra estudada de 70% — acima dos 61% dos patologistas certificados que ajudaram a compor a base de informações para o teste. Além disso, ela teve uma performance melhor do que qualquer um dos patologistas que ajudaram a definir as classificações das imagens da base de dados da IA, e também conseguiu identificar com maior precisão quais pacientes teriam maior chance de ver um retorno do câncer mesmo após a cirurgia de remoção da próstata. Os cientistas acreditam que, com uma base de dados maior, a taxa de acerto também poderá ser aumentada.

Os bons resultados não querem dizer que o estudo foi finalizado: ainda serão realizados novos estudos para definir como será a performance da ferramenta durante as rotinas de trabalho diárias de patologistas e qual será o impacto geral dela na eficiência e exatidão de prognósticos. Mas, mesmo que ainda existam muitos testes a serem efetuados antes de o programa ser efetivamente liberado, os médicos que participam da pesquisa se mostram otimistas em como a IA poderá afetar positivamente tratamentos futuros de pacientes com câncer de próstata.

Fonte: Venture Beat

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