Computador neuromórfico da Intel é capaz de simular 8 milhões de neurônios

Por Rafael Arbulu | 15 de Julho de 2019 às 12h38
Intel/ Divulgação
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O conceito de “computação neuromórfica” consiste, basicamente, em criar, por meio da engenharia eletrônica, um sistema computacional capaz de simular, em peças analógicas, as interações neurológicas e arquiteturas biológicas presentes no sistema nervoso humano. Empresas como IBM e HP e universidades como Stanford possuem estudos e pesquisas no campo, mas a Intel se colocou à frente de todos esses nomes ao apresentar o Pohoiki Beach, um supercomputador de 64 chips que é capaz de simular a atividade de até 8 milhões de neurônios.

Durante um comitê promovido pela Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa (DARPA, na sigla em inglês) dos EUA, a Intel mostrou o material, constituído de 64 chips Loihi de 128 núcleos, com litografia de 14 nanômetros. Seus circuitos integrados (die) atingem o tamanho de 60 milímetros e eles contêm mais de dois bilhões de transistores, 130 mil neurônios artificiais e 130 milhões de sinapses, além de três núcleos Lakemont de gerenciamento de tarefas.

Um chip Loihi, fotografado em close (Imagem: Reprodução/Venture Beat)

Os chips Loihi trazem um motor de aprendizado de microcódigos programáveis para redes neurais não sincronizadas (SNNs) — um modelo de inteligência artificial que incorpora o tempo como modelo de operações, de forma que os componentes físicos não tenham de processar dados de forma simultânea. A ideia é que isso seja usado para a implementação de uma computação de alta eficiência, autoajustável, direcionada por eventos e instâncias específicas.

Segundo a Intel, o supercomputador é capaz de trabalhar com informações até mil vezes mais rápido e com 100 mil vezes mais eficácia do que os processadores atuais, além de utilizar apenas 30% mais capacidade processual quando ampliadas as suas capacidades em 50% (o padrão, segundo a empresa, é 500% para outras companhias). Mais além, a Intel também assegura que o consumo de energia do Pohoki Beach é até 100 vezes menor do que outras variações do ramo.

Uma placa Intel Nahuku, composta por até 32 chips Loihi: o Pohoiki Beach apresentado pela empresa em evento de agência norte-americana traz pelo menos o dobro disso (Imagem: Reprodução/Venture Beat)

“Estamos impressionados com os resultados iniciais demonstrados à medida em que aumentamos a escalabilidade dos Loihi a fim de criar sistemas neuromórficos mais poderosos”, disse o diretor geral do Intel Labs, Rich Ulig.

“Com o Loihi, fomos capazes de reduzir o consumo de energia em 109 vezes, rodando um benchmark de deep learning em tempo real, comparado com uma GPU normal, além de cinco vezes menos consumo de processamento, comparado às atuais inferências de hardware em Internet das Coisas”, disse o professor e co-CEO de pesquisas cerebrais aplicadas da Universidade de Waterloo, Chris Eliasmith, que teve acesso ao supercomputador.

Uhlig disse que o próximo passo é oferecer o Pohoiki Beach para cerca de 60 parceiros da Intel no campo de pesquisas em inteligência artificial, que deverão usar o equipamento para resolver cálculos e previsões computacionais hipercomplexos.

A empresa também promete revelar, ainda em 2019, um sistema neuromórfico ainda mais poderoso, chamado Pohoiki Springs, que promete ganhos e capacidade ainda maiores no setor.

Fonte: Venture Beat

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