Publicidade

Buscas por 'nudify' batem recorde e FGV cobra ação do Google

Por  • Editado por Bruno De Blasi |  • 

Compartilhe:
Shutter Speed/Unsplash
Shutter Speed/Unsplash

Um estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV) Direito Rio recomenda que o Google remova de seus resultados de pesquisa os sites de "nudify", ferramentas de inteligência artificial (IA) que geram imagens falsas de nudez sem consentimento. 

A cobrança ocorre após o Brasil registrar um recorde de buscas por essas plataformas, impulsionado pela popularização da ferramenta de edição de imagens da IA Grok, da rede social X de Elon Musk.

O documento apresenta uma lista de medidas estruturais para a plataforma de buscas. A principal recomendação é a desindexação completa de URLs que hospedam essas ferramentas, incluindo domínios espelhos e variantes linguísticas. Os pesquisadores orientam a implementação de filtros algorítmicos, baseados em análise semântica e metadados, para impedir a indexação futura de sites similares.

Canaltech
O Canaltech está no WhatsApp!Entre no canal e acompanhe notícias e dicas de tecnologia
Continua após a publicidade

O estudo propõe a remoção de sugestões na função de "autocompletar" para termos como "nudify", "undress AI" e "deepnude". A FGV sugere a exibição de avisos de segurança nos resultados dessas buscas para informar os usuários sobre a ilegalidade e os danos da prática.

A pesquisa recomenda a atualização das políticas do Google para classificar essas páginas como nocivas, equiparando-as aos sites de imagens íntimas não consentidas. 

O texto pede a criação de um canal de denúncia rápido para vítimas e organizações da sociedade civil. Os autores também cobram transparência nos relatórios sobre o número de URLs removidas e o incentivo a um diálogo multissetorial para o desenvolvimento de um protocolo global de resposta.

O efeito Grok e a responsabilidade do buscador

O pedido de intervenção tem como base a análise de dados do Google Trends. O interesse pelo termo atingiu o pico máximo (índice 100) na semana de 28 de dezembro de 2025. O período coincide com a geração em larga escala de imagens sexualizadas pela ferramenta Grok.

A  coordenadora do estudo e professora Yasmin Curzi argumenta que o mecanismo de busca atua como o principal portal de descoberta para essas tecnologias. A presença nos resultados confere legitimação cognitiva aos sites e reduz a barreira de entrada, dispensando conhecimentos técnicos avançados por parte dos usuários.

"A indexação desses sites pelo Google amplifica exponencialmente o alcance de tecnologias de abuso, facilitando violência de gênero online e abuso infantil em escala industrial”, afirma Curzi.

Impacto nas escolas e base legal

Continua após a publicidade

A facilidade de acesso a essas ferramentas afeta diretamente o ambiente escolar. Um mapeamento da SaferNet Brasil, realizado em 2025, identificou 173 vítimas de deepfakes sexuais em instituições de ensino de 10 estados brasileiros, atingindo alunas e professoras.

O documento fundamenta a cobrança de desindexação no Marco Civil da Internet e na Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD). 

A FGV baseia o pedido também no Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital), que entra em vigor neste mês de março e impõe aos fornecedores o dever de prevenir e mitigar riscos de exposição a conteúdos de abuso.

O que diz o Google?

Continua após a publicidade

Confira a nota do Google enviada ao Canaltech:

"O Google trabalha constantemente para desenvolver novas proteções na Busca que ajudem pessoas afetadas por esse tipo de conteúdo, evoluindo as políticas já existentes da plataforma. Além disso, a Busca conta ferramentas simplificadas para que qualquer pessoa solicite a remoção desse tipo de conteúdo de nossos resultados. Além das remoções mediante denúncia, atualizamos continuamente nossos sistemas de ranqueamento para reduzir a visibilidade de pornografia sintética e rebaixar sites infratores.

Em relação a nossa loja de aplicativos, a Google Play, temos políticas robustas que proíbem aplicativos com conteúdo inapropriado, incluindo recursos que facilitem a criação de conteúdo sexual sintético. Oferecemos canais de denúncia e quando identificamos violações das políticas da Play, agimos imediatamente.”

Veja também:

Continua após a publicidade

Ouça o Podcast Canaltech: