Ponte futurista impressa em 3D é sustentável e dispensa aço e cimento

Ponte futurista impressa em 3D é sustentável e dispensa aço e cimento

Por Alveni Lisboa | Editado por Douglas Ciriaco | 17 de Agosto de 2021 às 17h00
Reprodução/ETH Zurich

Não é preciso ser engenheiro para saber que pontes são geralmente feitas de concreto e vigas de ferro ou aço para sustentação. Essa é uma regra básica, porém, que pode cair por terra graças a uma invenção capaz de revolucionar o setor da construção civil.

Uma equipe composta por integrantes da Zaha Hadid Architects, do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique (ETH Zurich) e do Block Research Group decidiu remover todos os tipos de apoios e materiais tradicionais para construir uma ponte arqueada para pedestres com aproximadamente 12 m x 16 m. O mais incrível é que ela não leva nada de concreto verdadeiro e mesmo assim se mantém firme.

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Apesar do formato futurista, o método empregado na ponte seguiu os padrões clássicos da construção, com alvenaria estrutural e blocos angulares dispostos no formato arqueado. Os materiais de concreto foram criados artificialmente e impressos em 3D com ângulos específicos, em vez do tradicional formato horizontal padrão. 

Esse conhecimento matemático faz com que a ponte se mantenha forte, mesmo sem as vigas de concreto armado ou as colunas de sustentação. O formato curvo associado aos blocos angulares transferem a carga para as bases da estrutura e isso deixa a ponte estável. Não foi revelado qual peso máximo a estrutura aguentaria, mas é bem provável que a técnica possa ser replicada para criações ainda maiores.

Devido ao design, a "armação" de concreto artificial usa bem menos material do que uma ponte tradicional. Por não ser fixa, ela pode ser desmontada e remontada em outro local, além de utilizar materiais recicláveis. 

“Este método preciso de impressão em concreto 3D nos permite combinar os princípios da construção abobadada tradicional com a fabricação digital de concreto para usar o material apenas onde for estruturalmente necessário, sem produzir resíduos”, disse o professor da ETH, Philippe Block, em entrevista ao site Futurity.

Redução na emissão de CO₂

O concreto é uma das indústrias que mais emite dióxido de carbono (CO₂) no mundo. Segundo dados expostos pelo Futurity, a produção é responsável por 8% de todas as emissões de carbono na atmosfera, o que representa 2,8 bilhões de toneladas por ano, conforme a Yale Environment 360.

Com o seu largo uso na construção de edifícios, casas, viadutos e pontes, não há nenhuma previsão na redução do uso deste material — pelo contrário, ele só fica atrás da água em quantidade consumida anualmente. Se os estudos com o concreto fabricado em laboratório evoluírem, esse índice de poluição poderia ser reduzido consideravelmente.

As peças foram feitas sob medida em impressoras 3D (Imagem: Reprodução/ETH Zurich)

Além disso, o concreto tradicional destrói o verde das cidades e contribui para o aquecimento da “selva de pedra”. A fabricação de uma versão mais sustentável poderia contribuir para minimizar esse impacto, além de poder tornar, em médio ou longo prazo, as obras mais baratas.

Por enquanto, só cabe à sociedade observar maravilhada a essa incrível construção. Porém, como há arquitetos e engenheiros envolvidos, não é de se espantar se pontes ou passarelas similares surgirem em um futuro não muito distante.

Fonte: ETH Zurich 

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