Mais China, menos EUA: como o Magazine Luiza vê a tecnologia em seu ecossistema

Mais China, menos EUA: como o Magazine Luiza vê a tecnologia em seu ecossistema

Por Rui Maciel | 17 de Dezembro de 2020 às 09h35
Divulgação / Magalu

Quando falamos de Magazine Luiza, a primeira coisa que nos vem à cabeça (além da Lu) é pensar a companhia como uma rede de varejo, que vende seus produtos tanto em suas lojas físicas, quanto no online.

No entanto, isso vai além: hoje, o Magalu é muito mais uma empresa de tecnologia, do que somente uma organização focada na venda de produtos. O varejo é apenas uma parte de todo um ecossistema gigantesco que a empresa criou. E você pode ver isso pela imagem abaixo:

Ecossistema do Magalu: rede varejista se transformou em uma empresa de Tecnologia (Imagem: Divulgação / Magalu)


Uma rápida olhada nessa estrutura do Magalu mostra que a empresa não está mais focada apenas em vender produtos. Mas também em oferecer serviços digitais, que mapeiam toda a jornada do consumidor, seja na forma de publicidade, pagamento e a entrega de um produto. Ou seja, a rede quer estar no início, meio e no fim do processo.

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E um dos maiores responsáveis por essa transformação digital do Magalu é André Fatala, Chief Technology Officer (CTO) da empresa. Ele iniciou sua carreira na varejista em 2010, integrando o time de tecnologia do e-commerce. Logo depois, passou a cuidar do desenvolvimento do "Magazine Você" e logo depois integrou a divisão de Pesquisa & Desenvolvimento da companhia – que veio a se tornar o já lendário Luizalabs, que começou com duas pessoas e que, quase 10 anos depois, já conta com quase 1.400 integrantes.

Em 2015, Fatala passou a ser o diretor do Luizalabs, ficando a frente do desenvolvimento dos canais de venda do Magalu – e-commerce e lojas físicas –, entregando projetos de transformação digital, como Mobile Vendas e a plataforma de Marketplace. E agora, a partir do último dia 16 de dezembro, além de CTO, ele assume o cargo de vice-presidente de Plataforma da empresa, liderando todos os novos projetos de Tecnologia, incluindo das empresas recentemente compradas pelo Magazine Luiza. E com apenas 36 anos.

E para formar todo esse ecossistema, a inspiração de Fatala não vem do Vale do Silício, como acontece com tantos outros CTOs. Mas, sim, da China, país cujas empresas trabalham com novas tecnologias de forma muito mais ágil, principalmente quando falamos de e-commerce.

Um dos resultados dessa agilidade é que a China tem os dois mais poderosos superapps do planeta: o WeChat (da Tencent) e o Alipay (do Alibaba Group) - plataformas que Fatala se inspira para construir o superapp do Magalu.

E nessa entrevista ao Canatech, Fatala explica como ele vê o uso da tecnologia em seu ecossistema e conta como o LuizaLabs começou com apenas três pessoas e acabou liderando a transformação digital na empresa fundada por Pelegrino José Donato e Luiza Trajano Donato.

André Fatala: CTO do Magalu foi um dos principais responsáveis pela transformação digital da empresa (Foto: Divulgação / Magalu)


Confira como foi o papo:


Canaltech - Que referências do ecossistema chinês de inovação o Magalu leva consigo na hora de desenvolver seus produtos e soluções? Não apenas falando de empresas, mas de soluções e de filosofia de desenvolvimento

André Fatala: Falando especificamente de China, a gente começou a ter uma inspiração muito grande em cima do Alibaba de início. Acho que é a grande inspiração de muita gente que trabalha no varejo. Mas há ainda muitas coisas revelantes da China quando falamos de construção de ecossistema. O WeChat é um grande exemplo disso, eles conseguem embarcar dentro de uma única aplicação uma infinidade de produtos e serviços e habilitando outras empresas pra rodar em cima de uma plataforma.

O Alibaba também segue essa linha, eles conseguem construir um backend robusto. Logo, todo o varejo do mundo vem olhando para a China. Alibaba e WeChat conseguem colocar players pequenos, médios e grandes pra rodar em cima de seus apps e atingem uma infinidade de pessoas no mundo inteiro.

E outro ponto interessante é como eles criam outros tipos de canais para dentro do varejo com uma facilidade gigantesca. Observamos, por exemplo, eles ativarem a fabricação de produtos baseado no número de compras garantidas daquele item. E fazem ainda com que o fabricante possa produzir o item de forma rápida para chegar ao cliente. E ele ainda não terá desperdício,

E todos esses processos levam ao crescimento do ecossistema, levam a outros tipos de serviço inclusive para as fábricas. E temos ainda a partte financeira, com a possibilidade de acesso mais fácil de crédito para o pequeno fabricante A cabeça dos chineses para construção de sistemas e subsistemas é sensacional.


CT - E por que o Vale do Silício é mais lento do que a China quando falamos de novas tecnologias?

A.F.: Não é que o Vale do Silício seja lento, mas eles se preocupam muito mais com questões regulatórias. Na China, o governo é mais liberal para que se coloque uma tecnologia na rua, de forma muito mais rápida, até porque a digitalização do país ocorreu bem depois dos Estados Unidos. O governo chinês permite o lançamento de uma nova tecnologia na filosofia: “Ah, depois a gente vem atrás e dá uma arrumada”.

O Alibaba é um bom exemplo disso quando falamos de tecnologias de e-commerce. No começo, você não fazia a mínima ideia se o item que tava sendo vendido era o original e tudo bem, segue o jogo. Depois começou a rolar uma pressão das fabricantes, exigindo que o Alibaba precisaria ter um controle sobre isso. Logo, eles começaram a desenvolver várias soluções baseadas em inteligência artificial para se certificar se o produto é original ou não. Se a IA detectasse a pirataria, exclui o item da plataforma no mesmo instante. Ou seja, o produto pirata pode até conseguir entrar. Mas o Alibaba é muito rápido na hora de excluí-lo.

E esse é um grande diferencial da China. Se der algo errado em uma plataforma, eles são muito ágeis para arrumar, não ficam mapeando todos os riscos possíveis de uma tecnologia logo no início ou antes do seu lançamento, o que torna tudo mais demorado. E essa prática é incentivada pelo governo chinês.


CT - Quais são os desafios tecnológicos que o Magalu enfrenta para ter um superapp?

A.F.: A parte do superapp tem essa inspiração da China e eles trabalharam nessa questão de uma maneira que ganhassem escala fosse muito rápida. Eles pensaram de forma muito eficiente em como você constrói uma plataforma aberta, onde empresas terceiras ou uma comunidade em desenvolvimento de terceiros possam desenvolver aplicações que vão rodar dentro do meu app. Então foi dali que nasceu um número gigantesco de miniapps que rodam dentro do WeChat, por exemplo.

E aqui no Brasil estamos indo por um caminho onde podemos imaginar o seguinte: no app do Magalu eu só tinha o recurso de compra [de produtos]. E mesmo as pessoas que têm a necessidade de comprar, não ficam abrindo o app todo dia para isso. Esse alto número de recorrências só ocorre em grandes centros, para, por exemplo, pedir comida ou outras funções do dia a dia.

Logo, temos uma estratégia para o nosso app que vai além do de e-commerce: existem vários outros tipos de serviço que são linkados a parte de comércio e que poderiam ser oferecidas dentro do meu app. Não precisamos ter um um aplicativo terceiro, fora do meu ecossistema, para que a pessoa tenha acesso ao tipo de serviço que ela precise.

Então, seguindo esse raciocínio, o primeiro caminho que trilhamos envolveu a digitalização do pagamento. Nasceu aí MagaluPay. As pessoas não precisaram mais baixar um outro app pra ter essa solução de conta digital. Ela pode fazer todo esse processo diretamente no próprio app do Magalu.

Tela do menu de serviços do WeChat: maior inspiração para o superapp do Magalu (Captura de imagem: Rui Maciel)


E após o MagaluPay, fizemos outros desenvolvimentos seguindo essa estratégia e nos perguntando: quais são os tipos de serviços ou produtos que deveríamos ter em um único aplicativo e que trará recorrência de utilização das pessoas? O que o Magalu pode fazer e que terá real utilidade no dia a dia das pessoas? Queremos que, ao abrir o app do Magalu, nosso usuário possa pagar uma conta, comprar um produto de supermercado, pedir comida pelo AiQFome, tenha conteúdos para se atualizar sobre tecnologia. Tudo o que ele precisa em apenas um app, em termos de produtos e serviços.

Logo, temos aqui duas ondas: uma onde tentamos colocar esses produtos e serviços dentro de um único app; e a outra onde queremos ser uma plataforma aberta para que terceiros possam construir soluções pra ela. Eu acho que é aí que o crescimento será muito maior.

Quando eu fui pra China, a coisa que mais me chocou é que lá é o único lugar do mundo em que eu posso sair só com o celular de casa. Mesmo. Eu peguei táxi via Wechat, a guia que estava com a gente colocou dinheiro no app, então fui em uma loja comprar um tênis e paguei pelo QR Code do celular. Você vê tudo isso e nota que é um mundo que se abre e você pensa: "Que legal! Eu consigo fazer tudo em um só lugar...ou app".

Logo, você cria de verdade um ecossistema e começa a ter uma rede gigantesca construindo serviços para dentro da sua plataforma. Acho que essa é a segunda fase. A gente não vai conseguir construir todos os tipos de serviços que uma pessoa precisa a partir da área de tecnologia só do Magalu. Nós precisamos chegar em outros, para que eles façam isso.

CT - Ainda falando em inovação, o sistema bancário brasileiro vem passando por uma revolução com o open banking e, principalmente, com o PIX. Como o Magalu vem observando essa movimentação e de que forma essas novas tecnologias podem ser aproveitadas pelo varejo?

A.F.: Falando especificamente do Pix, uma coisa que será muito boa para o e-commerce é a extinção do boleto. Eu acho que, em um primeiro momento, isso é o principal. É sensacional!

O fim do boleto terá impacto muito grande para o estoque, já que os e-commerces precisam esperar a compensação do desse documento para liberar o item para a entrega. E muitas vezes, o boleto é gerado, o cliente não fecha a compra e isso gera despesas para o e-commerce. Então, se formos imaginar o PIX, a primeira onda/fase dele é como se você tivesse um boleto com liquidação instantânea. Comprou, o dinheiro vai para a conta, já era e acabou. E em qualquer dia da semana, não precisa esperar o fim de semana para cair o pagamento.

Na minha avaliação, essa fase 1 do Pix está muito focada na parte transacional, da novidade que é ter transferências acontecendo de forma instantânea, o uso de carteiras digitais, de entender essa forma de pagamento e também da expansão do QR Code. Mas todo esse processo ainda não é um pagamento 100% mobile, é algo que deve ocorrer apenas nas próximas etapas.

CT - Agora vamos falar da LuizaLabs. A unidade foi criada em 2011, em um time com duas pessoas. O que essa divisão leva consigo até hoje, desde a sua criação?

A.F.: Acho que é o dinamismo na hora de executar um projeto, a facilidade de adaptação, de sempre encontrar formas diferentes de fazer as coisas. Quem fica preso dentro de um contexto e acha que deve atuar daquela maneira para tudo, tem grandes chances de não ter sucesso algum. Então a gente teve que se adaptar. A única coisa que não mudamos são os valores da cultura que foi construída.

Temos em mente, gravado a ferro e fogo, que tudo o que desenvolvemos não pode “ferrar o cliente”. Ou seja, se encontramos obstáculos na hora de desenvolver uma solução, não transferimos esses problemas para o cliente. Procuramos uma maneira de contornar isso internamente para gerar uma experiência melhor.

Além disso, sempre falamos que tudo o que estamos fazendo aqui vai depender do desenvolvimento de talentos. Porque anos após ano, a barra de qualidade sempre vai aumentando e se não estivermos prontos para isso, não atingiremos os nossos objetivos de inovação.

Sede do LuizaLabs: dinamismo e total aversão a criar burocracias (Foto: Divulgação / Magalu)


Um outro ponto forte é que estamos muito abertos e conscientes de que as coisas vão sempre mudar. O que você aprendeu e teve sucesso só vai te ajudar no ponto em que você está hoje. E você precisa usar essa experiência para o que vem pela frente.

Esses são os principais pontos. Além disso, aqui no Luizalabs, temos uma aversão gigantesca a criar burocracia. Se pudermos resumir isso seria: nós queremos agilidade em escala. e você só tem agilidade em escala se você der autonomia para as pessoas. Nunca abriremos mão disso.

CT - E o que mudou nesses quase dez anos de LuizaLabs?

A.F.: No começo, eu admito que gente era muito "vida loka" para fazer as coisas. O pensamento era "vamos fazer, depois a gente vê o que acontece, vai acertando..." . E fazia sentido porque em uma empresa em modo de transformação, era obrigatório tentar muitas coisas e ver como elas funcionariam. Esse processo todo faz com que você tenha vários tipos de iniciativa e uma hora você acerta.

E ao acertar em um projeto, você passa a investir tempo na evolução deles. E a escala que você vai ganhando é muito grande, o tamanho do negócio passa a se tornar gigante. Com isso, com a idade (rs) e a maturidade, eu passei a ter um pouco mais de cautela, na linha “vamos tomar um pouco de cuidado com as coisas, porque se der errado o tombo é grande.” É esse o ponto de evolução. O que estamos fazendo? Qual é o tamanho disso e do impacto disso? Essas conversas, esse planejamento é mais bem feito hoje do que no passado.

Outra evolução que achei legal nesses quase dez anos é que éramos um time pequeno e que foi crescendo bastante conforme a necessidade. Às vezes, vejo equívocos de algumas empresas em tentar ter tudo estruturado desde o início, não permitindo um caos criativo. Isso não gera valor. Então chega o momento onde você tem que comprovar o valor do seu negócio, se há um crescimento a partir dali. E foi o que aconteceu no LuizaLabs.

CT - Na sua visão, quais foram as maiores conquistas da LuizaLabs nesses quase 10 anos?

A.F.: Tem muita coisa. Claro que algumas a gente tem muito mais carinho, como o MagazineVocê, nosso primeiro projeto, que se tornou bem grande e relevante. Mas acho que tem alguns pontos que foram realmente bacanas, como mudar o papel da tecnologia dentro da Magalu e ter muito mais protagonismo. E também as pessoas de dentro da tecnologia se preocuparem mais em impacto na estratégia, do que apenas entregar uma demanda pedida e que pode ser que não leve a lugar nenhum. Essa é uma das partes mais legais do que conseguimos construir.

Outra coisa muito legal foi conseguir um domínio do que é tecnologia. Porque antes havia épocas em que a gente mais comprava [soluções de terceiros] do que desenvolvia. Eu tenho bastante orgulho disso por conseguir fazer isso no Brasil, que sempre é mais difícil. Construir um time que é referência pra muita gente, que muita gente respeita hoje no mercado.

CT - O que o LuizaLabs leva em consideração na hora de contratar uma pessoa? Que perfil vocês procuram?

A.F: Temos uma preocupação com a cultura da unidade. A gente analisa determinados comportamentos que mostram se a pessoa se daria bem aqui.

Uma das perguntas que sempre fazemos aos candidatos é: "você está saindo do escritório nove horas da noite e está apitando um problema no monitor. O que você faz?" E, muitas vezes, as respostas que vêm para gente são absurdas. Mostram o quanto a pessoa está pensando no todo ou só na própria caixinha. A gente pensa muito numa pessoa que vá olhar para o todo dentro do Magalu e como ela pode se colocar como alguém que consegue contribuir em todos os lugares.

Além disso, o candidato tem de ter em mente de que trabalhamos em um ritmo extremamente acelerado. Estamos atuando no varejo, no e-commerce a lojinha não fecha. Tem um ponto de dinamismo, em se preocupar com as coisas acontecerem rápido. Muita teoria e pouca execução é algo que a gente olha com cuidado e tem um ponto que eu particularmente considero bastante que é o quanto a pessoa tem vontade de se desenvolver? Não quero que seja algo empurrado, quero que ela busque isso. A nossa barra de qualidade muda todos os dias, bem como nível de entrega que o cliente espera da gente e como o mercado olha para o Magalu.

Funcionários do LuizaLabs: perfil do time deixou de ter apenas os "vidalokas" e ganhou mais equilíbrio (Foto: Divulgação / Magalu)


Além disso, procuramos adotar os mais diversos tipos de perfil aqui dentro. Claro, vai de cada um. Mas, com o tamanho que conquistamos, não podemos mais ter apenas os "loucos", como era no passado. Senão, teríamos sérios problemas. Então levamos em conta qual é o perfil adequado para uma missão específica. É com isso que a gente se preocupa para construir um time diverso. Não queremos só a galerinha de startup que quer revolucionar o mundo. Precisamos ter também as pessoas que mais "caretas" que sabem fazer bem o "arroz com feijão".

CT - E dentre as divisões da Magalu - varejo, serviços, logística, serviços financeiros, publicidade - qual apresenta o maior potencial para o desenvolvimento de novos produtos e novas tecnologias? Eu sei que todas tem o seu potencial, mas tem aquela divisão que a LuizaLabs olha e pensa: “Aqui tem muita coisa pra evoluir”?

A.F.: Eu vejo que a parte financeira ainda tem muito o que evoluir mesmo tendo um mercado lotado de players. Algumas coisas básicas, principalmente onde a gente atua, ainda há muita dificuldade. Ainda tem muita gente fazendo só o arroz com feijão. Na nossa visão, ainda existe um mar gigantesco de digitalizações de processos que ainda são analógicos. Por exemplo, o cara que está lá atuando com uma maquininha de POS e pronto.

Eu quero ajudar o comerciante a estar em um ambiente digital e tirar todos os problemas operacionais. Fazer com que tudo seja tão simples, bastando apertar alguns botões e pronto: sua venda está faturada, o produto tá pronto, alguém vai buscar o item e entregar no cliente.

Eu quero que o comerciante se preocupe em ter os melhores itens e entenda o que o mercado quer. Quem sabe, lá no futuro, oferecer dados comportamentais que mostram o que ele precisa para atender a clientela. E tem muita coisa para evoluir quando a gente olha para o mundo do marketplace, em como oferecer uma visão do que fazer para que os lojistas fiquem melhor posicionados no digital e como fazer para chegar a isso.

Queremos usar nosso mar de dados para transformar informações que gerem ações. Algo como: "Olha, eu tô vendo aqui que seu item não tá vendendo tão bem porque seu preço tá acima dos concorrentes e você teve essa quantidade X de visualizações. Aperte esse botão aqui que a gente coloca seu produto em um preço que vai converter X por cento mais". É esse tipo de simplificação que eu busco. Usar inteligência artificial em cima de todos esses dados colocados para não ter que interpretar tantas coisas.


CT - Em 2021, a LuizaLabs faz 10 anos. O que ela enxerga para o futuro do varejo e da própria Magalu, seja no desenvolvimento de soluções, no entendimento do consumidor, no futuro do consumo em si?

A.F.: É difícil dar esses chutes, mas eu vejo um belo gancho de Inteligência Artificial, quando falamos de varejo específicamente. O setor será mais inteligente e automatizado. Hoje, a gente ainda vê muitas pessoas fazendo as coisas acontecerem em um trabalho braçal forte. E, pela quantidade de dados que temos acesso atualmente, e pelo lance computacional, conseguiremos fazer com que vários dos processos sejam automatizados. Até porque ficou muito mais barato armazenar e processar, no geral.

E mesmo para o consumidor, os dados vão deixar o processo de compra mais rápido e fácil de acontecer e com mais impacto, mais inovação na experiência de consumo. Veremos o surgimento de coisas novas, que não fiquem no âmbito das provas de conceito. Elas vão ganhar a rua.

Se eu pudesse chutar, diria que teremos ainda camadas de inovação que ajudarão os vendedores a terem menos intermediários. Essa conexão para chegar no cliente será mais curta. O consumidor vai ter acesso a toda essa cadeia mais achatada.

E claro, precisamos também ter objetividade naquilo em que queremos inovar. Às vezes, a gente explora tanto, sem saber quer chegar. Acho que para o varejo, será essencial você ter clareza do que quer responder e, a partir dali, ter um número gigante de métodos para aplicar e responder aquela pergunta.

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