Linux pode ajudar a viabilizar a produção de alimentos no futuro

Linux pode ajudar a viabilizar a produção de alimentos no futuro

Por Alveni Lisboa | Editado por Douglas Ciriaco | 06 de Maio de 2021 às 13h20
FreeCliparts/Pixabay

A Linux Foundation trabalhou nos últimos anos na criação de um projeto de infraestrutura digital open source voltado para o setor agrícola. Agora, a chamada AgStack Foundation vê a luz do dia para promover a colaboração entre os interessados no desenvolvimento da agricultura global. O objetivo é congregar empresas privadas, instituições governamentais e universidades em torno da iniciativa.

Foi-se o tempo em que o setor agrícola era resumido à velha tradição familiar de plantio para subsistência. Hoje em dia, o campo exige elevado conhecimento técnico e possui tecnologia de ponta, com diversos equipamentos e softwares para aprimoramento da produção.

(Imagem: Quang Nguyen Vinh/Pexels)

As tecnologias de código aberto trazem o benefício de gerar dados e ferramentas gratuitos, o que contribui para reduzir os custos da produção. Isso permite, por exemplo, que pequenos e médios agricultores usem tecnologia de ponta ao seu favor, algo que antes ficava restrito apenas a um seleto grupo de latifundiários.

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Além disso, sempre existe a possibilidade de aprimoramentos via comunidade para gerar o melhor software possível. É nisso que a AgStack deve focar seus trabalhos.

Código aberto e agricultura do futuro

Um ótimo exemplo de app de código aberto voltado para o setor agrícola é o FarmOS. Trata-se de uma aplicação baseada na web produzida por fazendeiros, pesquisadores e empresários para gerenciamento de fazendas. Este app permite mapear toda a área de produção e separá-la por tipo de cultivo, equipamentos, sensores e outros recursos.

  O sistema permite o gerenciamento de fazendas inteiras e tem como base o código aberto (Imagem: Reprodução/FarmOS)

Outro sistema produzido em código livre é o AgroSense, programa voltado para o monitoramento do cultivo. A plataforma ajuda a otimizar o sistema de irrigação inteligente, gestão de nutrientes e proteção às plantações. O software oferece facilidades como amostragem de solo e geolocalização em tempo real para mapeamento de safra ou conhecer as condições exatas daquele plantio.

O sistema permite monitoramento em tempo real das plantações (Imagem: Reprodução/AgroSense)

Com o apoio da Linux Foundation e de um setor que se fortalece dia após dia, a AgStack Foundation deve ajudar a acelerar tecnologias interoperáveis, gratuitas para uso e que podem ajudar a rotina de milhares agricultores em todo o mundo.

Braço da Linux Foundation

Fundada em 2000, a Linux Foundation é um consórcio sem fins lucrativos que apóia e promove o crescimento comercial do Linux e de outras tecnologias de código aberto. A organização hospeda uma série de projetos individuais e coletivos, em quase todos os setores produtivos da economia.

A Fundação AgStack se concentrará no suporte à criação e manutenção de infraestrutura digital gratuita para aplicativos e dados associados. A proposta é pegar o que já existe para elevar os padrões agrícolas: informações públicas e outros projetos de código aberto, como Kubernetes, Hyperledger, Open Horizon, Postgres e Django.

Entre as Big Techs, as chamadas grandes empresas do setor tecnológico, que investem no setor rural está a Hewlett Packard (HP), que já participa de iniciativas globais no segmento. Outros membros da iniciativa incluem a Purdue University e a University of California Agriculture and Natural Resources (UC-ANR), ambas dos EUA.

No Brasil, a Embrapa é a principal fomentadora do software livre voltado para o campo (Imagem: Reprodução/Embrapa)

Aqui no Brasil, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento atuam no segmento, seja com políticas públicas — no caso do segundo — ou com o fomento nas atividades voltadas para o desenvolvimento do software livre voltado para o setor rural.

Além de aplicativos, a Embrapa também disponibiliza gratuitamente técnicas de cultivo de animais e plantas, máquinas e equipamentos, fertilizantes, vacinas para animais e outros.

Fonte: Venture Beat

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