Exoesqueleto italiano usa IA para dar "superforça" a trabalhadores braçais

Exoesqueleto italiano usa IA para dar "superforça" a trabalhadores braçais

Por Gustavo Minari | Editado por Douglas Ciriaco | 19 de Junho de 2022 às 12h00
Reprodução/IIT

Pesquisadores do Instituto Italiano de Tecnologia (IIT), em parceria com representantes da Autoridade Italiana de Compensação ao Trabalhador (INAIL), desenvolveram três protótipos de exoesqueletos vestíveis que prometem facilitar o dia a dia de operários e trabalhadores braçais.

Segundo os cientistas, utilizando motores elétricos e algoritmos de inteligência artificial (IA), os dispositivos são capazes de reduzir o esforço necessário para realizar tarefas mais exigentes em até 40%. Com isso, seria possível diminuir o percentual de acidentes de trabalho e os distúrbios ocupacionais crônicos comuns entre funcionários da indústria.

“Na Itália, as lesões profissionais que afetam o sistema musculoesquelético são as queixas mais frequentes no local de trabalho, com 68% das reclamações. Deste percentual, a maior parcela — algo em torno de 41% — diz respeito a problemas na coluna vertebral”, explica o engenheiro Jesús Ortiz, responsável pelo projeto.

Coluna, ombros e cotovelos

Os exoesqueletos foram projetados para auxiliar partes do corpo geralmente mais expostas durante a realização de trabalhos pesados. O XoTrunk fornece suporte à região lombar; o XoShoulder ajuda a proteger os ombros; e o XoElbow reforça a região dos cotovelos.

Exoesqueleto usado por operário em oficina mecânica (Imagem: Reprodução/IIT)

O XoTrunk consegue reduzir o esforço de ações repetitivas de levantamento de carga para pesos de até 20 kg. Já o XoShoulder pode ser usado em um cenário típico de oficina mecânica, em que operários trabalham com veículos colocados em elevadores, ficando mais expostos à lesões nos ombros. Por último, o XoElbow proporciona uma força extra quando o trabalhador precisa sobrecarregar os braços para levantar caixas e outros objetos pesados.

“Os três robôs vestíveis são feitos de plásticos de engenharia e ligas de alumínio, usados em aplicações aeroespaciais. Eles foram projetados para as principais atividades industriais que colocam estresse excessivo nos sistemas musculoesqueléticos dos trabalhadores, como na fabricação, manutenção e processamento de alimentos, logística, construção e agricultura”, acrescenta Ortiz.

IA

Para fornecer assistência adequada conforme o tipo de trabalho a ser realizado, os exoesqueletos contam com algoritmos de inteligência artificial. Esse sistema consegue antecipar os movimentos, prevendo a força necessária para que o conjunto desempenhe a tarefa da melhor forma possível.

IA ajuda a identificar a força necessária para realizar tarefas pesadas (Imagem: Reprodução/IIT)

Outra vantagem é que os trajes robóticos são leves e inteligentes o suficiente para não atrapalhar ou limitar a mobilidade do usuário, permitindo que o dispositivo entre em ação apenas quando receber um comando ou no momento em que o sistema musculoesquelético do trabalhador estiver sob estresse ou fadiga.

“Atualmente, o XoTrunk está passando por testes iniciais, devendo ser lançado no mercado até o final do ano. Quanto ao XoElbow e o XoShoulder, esses dispositivos passarão por testes em ambientes reais de trabalho nos próximos meses. Dentro de um ou dois anos poderemos ter os três exoesqueletos prontos para serem usados pela indústria”, encerra Jesús Ortiz.

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