Exército dos EUA usa realidade virtual para controlar enxame de drones

Exército dos EUA usa realidade virtual para controlar enxame de drones

Por Gustavo Minari | Editado por Douglas Ciriaco | 17 de Janeiro de 2022 às 14h20
reprodução/DARPA

A empresa Raytheon Intelligence & Space, em parceria com a Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa (DARPA), dos EUA, testou uma nova tecnologia que permite que um único operador controle um enxame de drones com até 130 unidades voando ao mesmo tempo.

Segundo um comunicado à imprensa, essa técnica pode ser aplicada em ambientes internos e externos para incursões militares de ataque, defesa e monitoramento do espaço aéreo. Apelidado de OFFSET (Offensive Swarm-Enabled Tactics) — táticas ofensivas habilitadas para enxames, numa tradução livre — o sistema possui hardware e software que exigem apenas treinamento mínimo do operador para funcionar.

“Controlar um enxame de drones muda a maneira como um operador ou grupo de operadores pensa sobre essas máquinas. As conclusões deste exercício ajudam a nos informar sobre os pontos de inflexão entre a utilidade e a capacidade de gerenciamento”, explica o engenheiro Shane Clark, responsável pelo desenvolvimento do OFFSET.

Realidade virtual

O controle do enxame de drones não será feito por meio de um joystick em uma base de comando física, mas sim utilizando uma interface de realidade virtual (RV) que permite ao operador visualizar as imagens de cada drone individualmente, criando o que seus desenvolvedores chamam “visão virtual interativa do ambiente”.

Operador usando óculos RV para controlar o enxame de drones (Imagem: Reprodução/DARPA)

Outra vantagem do sistema é que ele é relativamente barato e não requer o uso de recursos poderosos de computação ou detecção, utilizados em plataformas maiores e mais caras. Em vez disso, o dispositivo se baseia em blocos de construção tática mais simples, usados para criar planos de ataque conforme o objetivo de cada missão.

“Nosso software é inteligente o suficiente para atribuir drones com os recursos certos para o conjunto apropriado de tarefas. Por exemplo, se o objetivo é vigiar um edifício, vários drones serão enviados com cada parte do prédio. O programa considera os recursos de sensor de cada plataforma e direciona as câmeras voltadas para baixo para vigiar o telhado”, acrescenta Clark.

Comandos de voz

Além do sistema de controle baseado em realidade virtual, a equipe também desenvolveu uma interface para reconhecimento de voz. O dispositivo possui recursos de integração, permitindo que o operador humano aja rapidamente, mantendo a consciência situacional sobre todos os drones simultaneamente.

Ambiente virtual usado para testar a capacidade dos drones (Imagem: Reprodução/DARPA)

O projeto ainda prevê a implantação de uma abordagem escalável, modular e descentralizada capaz de gerenciar e otimizar os recursos de fala e realidade virtual conforme a necessidade de cada missão. O objetivo é tornar o sistema otimizável, com funcionalidades que possam ser personalizadas para adequar a utilização do enxame de drones em tempo real.

“Você pode usar câmeras para olhar atrás de um prédio, acessando a visão individual de cada drone que sobrevoa o local, ou utilizar o ambiente de realidade virtual para testar e ver se sua missão é viável. Quando o sinal verde é dado, um simples comando de voz pode desencadear o ataque”, encerra Shane Clark.

Fonte: Raytheon

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