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Esta câmera sem lentes gera imagem em IA baseada na localização

Por  • Editado por  Luciana Zaramela  | 

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Bjørn Karmann/Paragraphica
Bjørn Karmann/Paragraphica

A mais nova criação do designer holandês Bjørn Karmann é uma câmera que não tira, na verdade, fotografias, mas sim usa dados de localização, clima e hora para informar ferramentas de inteligência artificial e gerar uma imagem de como o ambiente capturado está. É possível até mesmo criar um registro "fotográfico" (ou paragráfico, neste caso) online, pelo site do artista.

Chamada “Paragraphica”, a câmera não possui lentes, apenas uma antena. De acordo com o website do projeto, o display do aparelho mostra uma descrição da sua localização atual, usando endereço, clima, hora do dia e locais próximos, gerando um texto descritivo. Após apertar o botão de captura, uma representação fotográfica criada por uma IA texto-imagem é elaborada e exibida.

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Segundo o criador da curiosa tecnologia, a iniciativa é bastante centrada nas IAs. À medida que vão ficando cada vez mais “conscientes” do mundo físico, ele se pergunta como elas teriam uma percepção das coisas, como poderiam “ver”. A câmera seria, então, uma maneira de experienciar o mundo à nossa volta de uma forma que não se limita apenas à percepção visual. Em suas palavras, é “um insight na essência de um momento através da perspectiva de outras inteligências”.

Inspiração animal para a câmera sem lentes

A Paragraphica tem seu design inspirado em um animal cuja visão também não é lá funcional: a toupeira. Karmann a compara, mais especificamente, à toupeira-nariz-de-estrela (Condylura cristata), que usa o focinho semelhante a uma antena para tatear, cheirar e interpretar estes sentidos em sua própria espécie de “visão”.

A antena instalada na frente da câmera do holandês, aliás, teve o formato tirado diretamente das características do animal subterrâneo.

Inteligência artificial tem consciência?

Dar o nome de “consciência” a inteligências artificiais não é visto com bons olhos pela ciência, com engenheiros e filósofos concordando que estamos longe de descobrir o que torna um ser consciente — e mais ainda de criar algo artificial com essas capacidades. Uma amálgama de IAs pode gerar impressões do mundo, mas interpretá-las e extrair significados subjetivos é outra história.

Para Karmann, a câmera está trazendo à percepção humana a interpretação que uma IA teria do mundo. Pode-se argumentar, no entanto, que as interfaces de aplicação (APIs) utilizadas pelo aparelho são alimentadas por enormes quantidades de conteúdo gerado por seres humanos. O que está sendo feito seria, então, não um entendimento próprio e criativo por parte da Paragraphica, mas sim uma imitação da percepção humana sendo devolvida para nós pela IA.

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Mesmo assim, o designer clarificou que a criação é nada mais do que um “projeto de arte apaixonado”, sem intenções de se tornar um produto comercial ou um desafio à fotografia tradicional — mais um experimento curioso utilizando a tecnologia do que outra coisa. Em suas palavras, “é um questionamento acerca do papel da IA em tempos de tensão criativa”.

Fonte: Paragraphica, Futurism