Criaram uma impressora 3D que usa bactérias vivas como tinta

Por Redação | 06 de Dezembro de 2017 às 15h58

Controvérsias quanto ao uso de seres vivos para o benefício da humanidade à parte, pesquisadores da ETH Zurich desenvolveram uma impressora 3D que usa bactérias vivas como tinta. A ideia aqui seria imprimir produtos com propriedades fornecidas pelas bactérias, que poderiam deter a ação de substâncias tóxicas, ou aumentar a pureza de materiais como a celulose, para aplicações biomédicas.

A impressora foi chamada pelos cientistas de Flink, mistura de "functional" com "ink" (em tradução livre, o significado seria "tinta funcional"). E, ao usar diferentes tipos de bactérias, as funções do produto final também seriam variadas.

Para fornecer a estrutura da tinta mesclada às bactérias, foi usado um hidrogel biocompatível, que é composto por ácido hialurônico, moléculas complexas de açúcar e sílica pirogênica. Com essa combinação, a equipe garantiu a sobrevivência das bactérias na tinta final.

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De acordo com André Studart, chefe do Laboratory for Complex Materials do ETH Zurich, as primeiras bactérias usadas nos testes foram do tipo Pseudomonas putida e Acetobacter xylinum, capazes de quebrar a toxicidade de um subproduto químico gerado pela indústria, e também conseguem secretar nanocelulose de alta pureza.

Esse material pode ser usado para tratar queimaduras no corpo humano, por exemplo. Outras aplicações seriam o uso de um objeto para detectar toxinas na água potável, e, ainda, usar a tecnologia para criar filtros que poderiam ser usados em grandes vazamentos de óleo nos oceanos.

Para exibir os resultados, mostrando o potencial da nova tecnologia, a equipe imprimiu o logo do ETH Zurich usando a tinta com bactérias, revelando que o produto final tinha uma consistência ideal para ser aplicado. Um dos membros da equipe descreveu que "a tinta precisa ser viscosa como uma pasta de dentes, e ter a consistência de um creme hidratante".

Os cientistas acreditam, ainda, que as bactérias conseguirão sobreviver pelo tempo necessário após a impressão, mas isso ainda está sendo devidamente estudado, já que o projeto segue em seu estado inicial de execução. "Imprimir usando tinta com bactérias tem um enorme potencial, e existe uma ampla gama de bactérias úteis por aí. Muitas pessoas associam bactérias a doenças, mas nós não poderíamos sobreviver sem elas", declarou um dos pesquisadores.

A coisa toda foi explicada no seguinte vídeo (em inglês):

Fonte: Futurity

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