Cientistas desenvolvem modo de armazenar arquivos em poeira

Por Rafael Rodrigues da Silva | 22 de Novembro de 2018 às 08h33
BRUNO HYPOLITO / CANALTECH

Um grupo de cientistas da Universidade Ghent, na Bélgica, criou uma maneira um tanto diferente de salvar seus dados e arquivos digitais: em forma de pó.

Preocupados com a quantidade de metais necessária para se produzir tantos pendrives, cartões microSD e discos rígidos, a equipe liderado pelo pesquisador Steven Martens desenvolveu um processo químico que permite armazenar informações como um texto ou um código QR em pó.

O método utiliza codificadores bioquímicos para transformar fragmentos de textos e códigos QR em macromoléculas (pó) formadas por coleções de oligômeros, onde as informações são codificadas. Esses oligômeros contêm amido-uretano, que são utilizados no processo de recodificação dessas partículas de poeira em dados digitais, que são lidas através de um método de análise bioquímica.

Dados no pó podem ser usados para conectar diretamente a um app no celular (Imagem: Steven Martens)

Por enquanto, a equipe desenvolveu dois programas que fazem essa codificação dos dados: um decodificador químico (chamado de Chemcoder), que garante que os dados das moléculas sejam analisados em segundos; e um leitor químico (chamado de Chemreader), que automatiza o processo de tradução para as moléculas e vice-versa. Ambos os programas permitem fazer o registro de dados e depois usá-los para fazer o redirecionamento a um link de site, um mapa da cidade ou algum outro aplicativo.

Em comparação com o armazenamento em DNA (outro método alternativo que já é mais difundido), a poeira de armazenamento utiliza estruturas moleculares mais simples e oferece uma sistema mais robusto, tornando-se uma base promissora para o desenvolvimento de futuras tecnologias de armazenamento de dados.

Fonte: Nature

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