Alemanha supera Coreia do Sul como nação mais inovadora

Por Stephanie Kohn | 20 de Julho de 2020 às 16h51
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A Alemanha ficou em primeiro lugar no Bloomberg Innovation Index 2020, quebrando a série de vitórias da Coréia do Sul que permaneceu na liderança por seis anos. O índice anual de inovação da Bloomberg está em seu oitavo ano e, desde então, analisa dezenas de critérios usando sete métricas, incluindo gastos com pesquisa e desenvolvimento, capacidade de fabricação e concentração de empresas públicas de alta tecnologia.

Neste ano, a Alemanha obteve três classificações entre as cinco principais: manufatura de valor agregado, densidade de alta tecnologia e atividade de patentes. A Coréia do Sul, no entanto, perdeu a vez devido a uma queda relativa na produtividade, saindo da 18ª posição no ranking para a 29ª.

"O setor de manufatura ainda é altamente competitivo e uma fonte de inovação", disse Carsten Brzeski, economista-chefe do ING Germany. "O desempenho da Alemanha em tais indicadores ainda é forte e muito melhor do que sugere a recente fraqueza econômica."

Ainda assim, Brzeski acredita que o país não deve ser complacente com sua posição. A inovação em serviços é muito menos impressionante na região e cerca de um terço dos gastos com pesquisa e desenvolvimento está concentrado na indústria automobilística, o que significa que "interrupções mais longas no setor podem pesar na força inovadora da Alemanha", disse ele.

O status do país como gigante da fabricação foi construído por meio de carros, mas as preocupações com a poluição, os conflitos comerciais e as economias em desaceleração pesaram na demanda. Outro ponto que preocupa a nação germânica é a falta de inovação no ensino superior, justamente porque a economia global está passando de um perfil manufatureiro para serviços.

Coreia do Sul

Ainda que a queda da Coreia do Sul não seja significativa, o país deve se preocupar. Segundo Chang Suk-Gwon, professor de administração de negócios da Universidade Hanyang, de Seoul, os gastos com pesquisa e desenvolvimento "determinam a vida ou a morte das empresas sul-coreanas", já que na região se concentram companhias peso pesados como Samsung e LG, e a montadora Hyundai.

"Não temos muitos recursos naturais, só temos nosso cérebro a quem recorrer", disse Chang. "Além disso, por aqui temos a cultura de ampliar qualquer liderança existente, senão a China pode nos alcançar", completou.

EUA, Japão e China

Já para as demais economias avançadas, como os Estados Unidos e Japão, as notícias são menos favoráveis. A nação de Donald Trump era a número um quando o índice da Bloomberg estreou em 2013. No entanto, este ano, ela configura em 9º lugar, uma posição abaixo do ano anterior. O Japão, por sua vez, caiu para o 12º lugar, queda de três posições em relação ao ano passado.

A segunda maior economia do mundo, a China, subiu um ponto alcançando o 15º lugar, mantendo a 2ª posição no ranking de patentes e ficando entre os cinco primeiros em eficiência terciária. Segundo Francis Tan, estrategista de investimentos da UOB Escritório de CIO do Private Bank em Cingapura, o forte desempenho da China mostra que o país estava "ocupado se preparando para uma guerra comercial prolongada e, portanto, precisava urgentemente de fornecimento para subir na cadeia de valor da manufatura", disse. "A China tem que agradecer o presidente Donald Trump por acelerar seus planos", completou.

Os EUA podem, pelo menos, comemorar seu desempenho em duas categorias: densidade de alta tecnologia e atividade de patentes. Entre as 20 empresas negociadas em bolsa com os mais altos gastos em pesquisa e desenvolvimento, metade eram norte-americanas, liderados pela Amazon, Alphabet e Microsoft. A Alemanha ficou em segundo lugar com quatro companhias: Volkswagen, Daimler, Siemens e Bayer.

Confira abaixo as pontuações das primeiras posições:

Fonte: Bloomberg

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