A tecnologia não tem limites: já estamos criando até poeira inteligente

Por Natalie Rosa | 09 de Outubro de 2019 às 19h40
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Você já ouviu falar na Smart Dust, ou na tradução literal, Poeira Inteligente? Provavelmente, não. A tecnologia, no entanto, não é nada recente e vem sendo estudada há uns bons anos pelo mundo.

A Poeira Inteligente é, basicamente, o conceito de dispositivos minúsculos, do tamanho de um grão de sal, que são extremamente poderosos. Cada grão da poeira conta com sensores, câmeras e mecanismos de comunicação que coletam dados e os enviam para processamento e estudo.

Ainda em 1965, o fundador da Intel, Gordon Moore, previu que, no futuro, a quantidade de componentes que poderiam caber em um único chip dobraria a cada dois anos, criando uma teoria chamada Lei de Moore. Este, talvez, pode ter sido o pontapé inicial para a criação do conceito da Poeira Inteligente.

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Mas para que serve a Smart Dust?

Com seus componentes fabricados com impressoras 3D, os grãos de Poeira Inteligente e seus sistemas microeletromecânicos, também conhecidos pela abreviação MEMS, ou "motes", podem detectar qualquer coisa originada de luzes, vibrações ou temperatura. Isso acontece graças à comunicação entre sensores, fontes autônomas de alimentação, computação e conexão sem fio — tudo isso em um espaço de pouquíssimos nanômetros ou milímetros de volume. Devido ao seu tamanho, esses dispositivos conseguem ficar suspensos no ambiente, assim como partículas de poeira, o que pode ser tão incrível quanto é assustador.

Os MEMS, hoje, já são capazes de coletar dados de aceleração, estresse, pressão, umidade e sons, processando essas informações no que pode ser comparado a computadores de bordo. Sendo assim, tudo o que é coletado é armazenado em sua memória que, via Wi-Fi, consegue se comunicar com a nuvem, a base ou ainda outros MEMS.

Vantagens da Poeira Inteligente

Assim como toda tecnologia emergente, a Poeira Inteligente tem as suas vantagens e desvantagens. A Smart Dust, portanto, pode ser aplicada em diversos setores da indústria, com as seguintes atividades:

  • Monitorar plantações para a detecção da necessidade de rega, fertilização ou controles de pragas;
  • Fazer o acompanhamento de equipamentos para facilitar o processo de manutenção;
  • Identificação de pontos fracos e possível corrosão devido às falhas de sistema;
  • Habilitar o monitoramento de pessoas e produtos com conexão sem fio, para fins de segurança;
  • Fazer a medição de qualquer coisa que permita isso e de qualquer lugar;
  • Aprimoramento do controle de inventários em fábricas, conferindo prateleiras, caixas, navios de remessa, caminhões, entre outras estruturas;
  • Auxiliar no setor da saúde para procedimentos de diagnóstico sem cirurgia, como alternativa a dispositivos invasivos, ou ainda facilitando o monitoramento de pessoas com deficiência a interagirem com ferramentas que possibilitem que elas vivam de forma independente;
  • Possível aplicação de um sistema de poeira neural que, ao ser instalado no cérebro, pode prover informações sobre a funcionalidade do cérebro do paciente.

Desvantagens da Smart Dust

As desvantagens da poeira inteligente, infelizmente, são poucas, mas intensas e preocupantes:

  • A primeira preocupação é relacionada à privacidade, visto que os dispositivos são minúsculos e capazes de fazer a gravação de qualquer coisa de acordo com a sua programação. Justamente pelo seu tamanho, são difíceis de serem encontrados e destruídos, sem contar o fato de que tudo vai diretamente para a nuvem;
  • Também pode haver a falta de controle em relação à quantidade de grãos de poeira que estarão circulando por aí, sendo difíceis de ser encontrados e recuperados;
  • A poeira inteligente só não se tornou popular ainda devido aos custos de implementação, que exigiria ainda a inclusão de diversos outros elementos para o seu funcionamento adequado, como satélites.

Conceito e futuro

Existe o conhecimento da Poeira Inteligente desde 1992, quando grandes companhias como a General Electric, IBM, Cargill e Cisco Systems, entre outras, começaram a investir em seu desenvolvimento focando em uma melhor economia mundial. O conceito começou a tomar forma após um workshop no evento Research and Development Corporation (RAND), gerando estudos futuros.

Uma das pesquisas de mais destaque aconteceu em 1997, quando Dr. Kristofer S. J. Pister, Joe Kahn e Bernhard Boser, da Universidade de Berkeley, na Califórnia, criaram um projeto de pesquisa para a aplicação da tecnologia para fins militares, atuando em campos de batalhas.

Uma das primeiras vezes em que a poeira inteligente começou a se tornar uma possibilidade foi em 2016, quando pesquisadores da Universidade de Stuttgart, na Alemanha, criaram lentes de câmeras do tamanho de um grão de sal, capazes de capturar imagens em alta definição.

Em 2001, a Hitachi anunciou o desenvolvimento de um chip em forma de Poeira Inteligente para ser aplicado em papéis finos, como notas de dinheiro e com capacidades de GPS para segurança, transporte, logística e rastreamento.

Imagem: Reprodução/Hitachi

A Universidade de Berkeley, que continua pesquisando o conceito, também criou em 2016 o StimDust, uma simulação de poeira neural de apenas 6,5 milímetros cúbicos que, um dia, pode ser implantada no corpo humano para procedimentos menos invasivos. Também foi criado um software chamado TinyOS, da TinyOS Alliance especificamente para dispositivos que se encaixam no conceito de poeiras inteligentes.

Mesmo depois de tanto tempo e de tantos estudos, a tecnologia ainda está em seus estágios iniciais. No entanto, não deve levar muito tempo para que os projetos da Poeira Inteligente, ou Smart Dust, comecem a sair do papel.

Fonte: Com informações de: Maize, Disruption Hub, Forbes

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