O desafio da tecnologia na mobilidade urbana

Por Rodrigo Reif | 19 de Setembro de 2019 às 15h00

A mobilidade urbana segue como um dos maiores desafios do mundo contemporâneo. Congestionamentos, ausência de integração entre modais, longas distâncias a serem percorridas, tempo gasto durante os deslocamentos e ineficiência no sistema de pagamento de passagens são apenas alguns dos problemas enfrentados pela população dos grandes centros urbanos.

Para debater esse tema, é preciso ir além da implantação de sistemas de transporte coletivo - seja trem, metrô, BRT ou VLT - e pensar em uma rede integrada e multimodal que atenda necessidades básicas de deslocamento de seus passageiros. A existência de um sistema de integração modal e de pagamentos eficientes garante aos munícipes, turistas e trabalhadores maior e melhor acesso à cidade, com impactos positivos na qualidade de vida das pessoas e no desenvolvimento econômico da região.

Com o olhar voltado para a realidade brasileira, o mais comum é que empresas privadas sejam contratadas para realizar os serviços de transporte das cidades por meio de concessão ou permissão concedidas pela administração municipal, que desempenha o papel de acompanhar e fiscalizar os trabalhos. Deficitário em diversos sentidos, o atual sistema de transporte público vem direcionando seus esforços para propostas mais eficientes e que permitam alavancar a mobilidade urbana no país com o auxílio da tecnologia de pagamentos. Essa transformação digital no setor sinaliza os caminhamos para a substituição do cartão Mifare para a tecnologia de pagamento por aproximação (NFC). 

Em parceria com a Prefeitura de São Paulo e SPTrans, a Stone é uma das responsáveis pelo projeto que habilita o pagamento de tarifa dos ônibus municipais via cartão de débito e crédito, além de carteiras virtuais presentes em smartphones ou smartwatches. Em fase piloto, a iniciativa teve início em 16 de setembro e já está presente em 12 linhas da capital, que atendem cerca de 2,9 milhões de passageiros por mês.

Por coincidência, no período em que celebramos a Semana da Mobilidade 2019 (de 18 a 25 de setembro), colaboramos para um capítulo transformador na história da cidade mais populosa do Brasil. Em breve, a expectativa é facilitar o dia a dia de ainda mais passageiros de São Paulo e de toda a região metropolitana, com uma possível integração entre os trens da CPTM e do metrô.

Um fator particularmente importante que suportará as mudanças na mobilidade urbana no Brasil é o uso massivo de smartphones pela população. Dados da 30ª Pesquisa Anual de Administração e Uso de Tecnologia da Informação nas Empresas, realizada pela Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP), destacam que existem 230 milhões de celulares ativos no país (10 milhões a mais do que o registrado em 2018). 

A necessidade do passageiro mudou e sua maneira de interagir com o transporte também. A revolução dos meios de pagamento passa pelo open banking, moedas digitais, tecnologia contactless, QR code e o transporte coletivo não poderia ficar de fora desse processo. Ainda distantes de números expressivos como os do Chile, onde 22% das transações acontecem por meio de pagamento NFC, e da Austrália em que o percentual chega a 90%, não é exagero dizer que caminhamos para o futuro.

É preciso, cada vez mais, investir em ações que incentivem a população para a utilização de novos métodos que não incluam o dinheiro físico. Além da comodidade, aos poucos, será possível entender que o pagamento digital significa também liberdade, flexibilidade e segurança para o sistema como um todo. Nessa desafiadora jornada, vamos adiante em busca de protagonismo. Já demos os primeiros passos.

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