Ryzen 5000 Mobile: todos os detalhes da nova linha de CPUs AMD para notebooks

Por Wagner Wakka | 26 de Janeiro de 2021 às 11h00
Divulgação/AMD

Durante a CES 2021, a AMD revelou seus planos de levar os processadores da série Ryzen 5000, com arquitetura Zen 3, para laptops. Contudo, não deu detalhes de quais seriam os modelos completos da linha.

Na mesma semana, contudo, a empresa fez um encontro virtual com jornalistas, do qual o Canaltech participou, revelando mais sobre como os Ryzen 5000 devem chegar nos laptops e como é feita a arquitetura dos SoC mobile da companhia.

Um primeiro ponto importante do planejamento da AMD está nas parcerias. O objetivo da gigante é ganhar mais espaço no mercado mobile, atualmente com muito mais aparelhos com processadores Intel. Para isso, ela já fechou acordos com Acer, Dell, Asus, HP e outras, com o intuito de marcar presença em 150 produtos premium do mercado. Isso significaria aumento de 50% em relação aos modelos lançados com CPU Ryzen 4000.

Companhia quer ampliar participação no mercado (Foto: Divulgação/AMD)

Panorama

A família de processadores é dividida em dois grandes grupos. Os modelos da série H são os componentes com maior demanda energética, ou melhor, acima dos 35W de TDP. Como consequência, são mais potentes e voltados para jogos e criação de conteúdo.

Já a outra série, a U, é voltada para aparelhos com menor demanda energética, com foco em dispositivos leves, finos, além de Chromebooks. Nesta série, há modelos com arquitetura Zen 2, mas que a AMD promete que contam com desempenho melhorado.

A série H também tem modelos HX. A adição do X representa que estas versões são ideais para overclooking.

Conheça todos os dispositivos:

Diferentes séries lançadas pela AMD em 2021 (Foto: Divulgação/AMD)

Arquitetura mobile

Um dos segredos para que a AMD pudesse elevar em 50% o número de laptops no mercado com seus SoCs está no tamanho. A empresa criou a arquitetura Zen 3 mobile com base no seu sistema modular. O componente conta com 180 mm² de área com o mesmo padrão de pinos dos processadores Zen 2.

Isso permite que as fabricantes possam reutilizar placas que já possuem para atualizar seus laptops do mercado com os novos SoCs da AMD. Toda linha conta com componentes de 7nm e 10,7 bilhões de transistores.

Apesar de manter o tamanho, há várias mudanças da arquitetura mobile Zen 2 para a Zen 3. Uma das principais é a distribuição da memória cache. Os processadores Zen 2 contavam com 8 MB de cache L3 distribuídos em dois circuitos. A arquitetura Zen 3 traz não somente o dobro, com 16 MB em L3, bem como coloca tudo em somente um circuito, sem divisão.

Com a mudança, todos os núcleos conseguem usar a totalidade dos 16 MB. Ainda, a opção pelo chamado circuito monolítico também diminui a latência de acesso à memória. Ou seja, não só há mais recurso, bem como ele também é mais rápido de recorrer.

A linha Ryzen 5000 Mobile é produzida sob a topologia chamada de Cezanne. O SoC conta com CPU de 8 núcleos,16 threads e o sistema de circuito monolítico de 16 MB de cache L3 já citados.

Topologia dos SoC Ryzen 5000 mobile (Foto: Divulgação/AMD)

O conjunto é compatível com memórias DDR4 e LPDDR4x, por conta do novo controlador do sistema. Segundo a AMD, a largura de banda de memória LPDDR4x é de 4266 MT/s, 33% maior que a DDR4 de 3200 MT/s.

Em termos gráficos, os novos Ryzen 5000 Mobile contam com GPU integrada Vega, com 8 unidades computacionais e 1 MB de memória L2. Segundo a AMD, a GPU agora alcança 2,1 GHz de clock, o que representa aumento de 350 MHz em um ano.

Aproveitamento energético

Um dos pontos mais importantes quando se fala em aparelhos mobile é a economia energética. Isso porque laptops também são feitos para trabalharem com baterias e, quanto mais eficientes, menor é a necessidade de tempo na tomada.

Os processadores da linha Ryzen 5000 Mobile contam com o novo sistema CPPC da AMD. A sigla vem de “planejamento personalizado de energia por núcleo”. De modo bastante básico, isso significa que cada núcleo recebe uma voltagem de acordo com a demanda de trabalho que está executando.

Nos modelos Ryzen 4000, isso não acontecia. Todos os núcleos trabalhavam a uma voltagem cravada, independentemente da carga de trabalho. No exemplo abaixo, é possível ver que todos os cores estão com 1,1 V, alinhados à GPU, mesmo que um núcleo esteja trabalhando a 1,6 GHz e outro a 3,9 GHz.

Distribuição energética dos Ryzen 4000 (Foto: Divulgação/AMD)

O CPPC atualizado modifica isso. No exemplo abaixo, mesmo que a GPU esteja trabalhando com demanda de 1,1 V, os núcleos se comportam de modo independente. Assim, um núcleo com 1,6 GHz demanda somente 0,6 V, enquanto o de 3,9 GHz trabalha com 0,9 V.

Com o CPPC, cada núcleo tem uma voltagem (Foto: Divulgação/AMD)

O resultado é que os núcleos exigem menos energia, sempre rodando no balanceamento otimizado entre demanda energética e frequência.

Com isso, principalmente para a série Ryzen 5000U, há melhoria em autonomia dos aparelhos fora da tomada. Segundo gráficos da própria AMD, o Ryzen 7 5800U promete durar até 3,9 horas a mais em comparação com o Ryzen 7 4800U.

Todo-poderoso HX

Como já dito aqui nesta reportagem, os modelos mais potentes apresentados pela AMD foram os HX, voltados para games e com capacidade de overclooking. São eles: Ryzen 9 5900 HX, que alcança até 4,6 GHz em boost; e o Ryzen 5980 HX, com teto de 4,8 GHz em boost.

A AMD só apresentou testes do Ryzen 9 5900 HX em comparação com o Core i9-10980HK, alcançando resultados 14% melhores em sigle-thread e 37% em desempenho geral.

Testes apresentados pela AMD (Foto: Divulgação/AMD)

Laptops com a nova linha Ryzen 5000 Mobile devem chegar ao mercado ainda no primeiro trimestre de 2021.

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