Por que o computador fica mais lento com o passar dos anos?

Por Rafael Arbulu | 31 de Outubro de 2019 às 10h11

É um conto tão velho quanto o tempo em si: você comprou um laptop novinho, levou-o para casa e o ligou pela primeira vez — que velocidade, que inicialização rápida, veja como os softwares abrem rapidinho! Eis que, com alguns meses ou anos de uso, essa eficiência toda se faz cada vez mais ausente, dando lugar a uma lentidão que faz a sua outrora máquina de última geração parecer funcionar à base da manivela e corda de tão devagar.

Todos nós já passamos por isso e, infelizmente — importante citar isso —, isso é um processo inevitável: o tempo é cruel até mesmo na área da informática e computadores pessoais vão ter seus desempenhos comprometidos. Porém, há casos em que essa queda de performance pode ser minimizada ou até mesmo adiada.

A evolução de recursos de computação pessoal tem seu lado negativo, inevitavelmente tornando obsoletas máquinas que têm todos os seus recursos gastos e acabam ficando mais e mais lentas

Lei da tecnologia: a inovação demanda recursos

Antes de mais nada, é essencial pontuarmos uma coisa: é impossível que você impeça seu computador de perder capacidade e desempenho com o tempo. Não importa o que você faça, qualquer solução é paliativa e servirá, no máximo, para esticar a vida útil da sua máquina e, eventualmente, você vai ter que investir dinheiro em peças novas ou mesmo numa máquina mais atualizada.

Isso porque a tecnologia evolui em questão de minutos: a todo momento, novos recursos, funções, peças de hardware e novos softwares são lançados, cada um com recursos inovadores e que adiantam ainda mais a linha fina da evolução. O problema é que, para que ela evolua, a computação vai precisar de mais memória, mais espaço, mais vídeo, mais processamento. Quer uma prova? Experimente rodar, digamos, qualquer jogo de três ou quatro anos atrás e compare-o com um lançamento recente de qualquer jogo. Mesmo em configurações especialmente trabalhadas para a sua máquina, o game mais novo pode e provavelmente vai engasgar frente a uma configuração defasada.

Por isso, por mais ações de controle que você implemente, eventualmente uma medida mais drástica será necessária. A boa notícia, porém, é que existem alguns passos que farão com que você não precise desembolsar rios de dinheiro sempre que sair um novo processador ou placa de vídeo.

Discos rígidos (HD) ainda são encontrados em computadores novos, mas aos poucos estão se tornando obsoletos frente a novas tecnologias: enchê-los de arquivos salvos ou mesmo o tempo colaboram para que eles funcionem de forma mais lenta

Pouco espaço em disco

Um dos problemas mais óbvios é também um dos principais causadores de lentidão no desempenho do seu computador pessoal: o armazenamento de dados e arquivos é bom para você, mas péssimo quando feito em excesso para o seu computador. Cada vez que um arquivo é salvo, seu sistema operacional o guarda em uma pasta e o disco rígido (o famoso “HD”) memoriza o “caminho” que leva até esse arquivo. Com o tempo, seus downloads, arquivos salvos e dados de navegação armazenados no disco fazem com que ele memorize “caminhos” demais, efetivamente levando mais e mais tempo para executar seus processos.

Como consertar isso: sabe quando o seu celular tem pouco espaço e você precisa desinstalar apps ou apagar fotos para fazer algo novo caber? O mesmo princípio se aplica aqui: esvazie a lixeira, exclua arquivos e programas dos quais você não precisa mais ou, se tiver algum impedimento de exclui-los em definitivo, invista em dividir esse armazenamento, seja um HD externo, pen drive ou ainda qualquer solução online de armazenamento em nuvem, como Dropbox ou Google Drive. Assim, você desafoga seu disco e abre espaço para que ele execute processos com maior eficiência.

O HD (esquerda) vem dando lugar ao SSD (direita) como o padrão de armazenamento de arquivos e leitura de dados em computadores pessoais: nova tecnologia é mais rápida e mais durável que a prática atual

Seu disco é antigo

Às vezes, o problema não é nem com a quantidade de arquivos e dados armazenados, mas sim com o disco físico em si. Um disco rígido (HD) é constituído literalmente por um “disco” que gira várias e várias vezes por minuto, sendo lido por braço metálico com uma agulha na ponta. Basicamente, sempre que você “abre” alguma coisa na máquina, é isso que acontece. O problema é que, com o tempo, o disco simplesmente passa a girar mais devagar, sinalizando que está chegando ao fim de sua vida útil. A desaceleração de desempenho geralmente é o primeiro indício disso.

Como consertar isso: bom, você não conserta isso. Infelizmente, a degradação do hardware é um problema sem cura. O que você pode fazer é investir em uma nova peça. Aqui, fica a recomendação de modernizar seu aparato: ao invés de um disco rígido comum (HDD), turbine o seu computador com um SSD, ou compre uma máquina nova equipada com ele. Esse componente se tornou o padrão para praticamente toda grande fabricante global por um motivo: ele não faz a leitura tal qual um HDD, mas sim atua dentro do que se convém chamar de “memória flash”, utilizando a capacidade do processador para ler arquivos. Isso aumenta a sua eficiência em duas frentes: a primeira é que tudo se inicializa muito mais rapidamente; a segunda é que a peça física é conservada por muito mais tempo.

Os pentes de memória RAM também representam um ponto de gargalo na velocidade de funcionamento do seu computador: expandi-la pode ser uma opção, caso sua máquina permita esse tipo de customização - senão, comprar um PC novo com mais memória pode ajudar

Falta de memória

Um aspecto importante para qualquer computador é a quantidade de memória RAM disponível. Hoje, modelos mais novos e com configurações intermediárias trazem 8 GB, que costuma ser suficiente para a maioria das tarefas. Entretanto, dependendo dos seus hábitos de uso, é fácil chegar bem perto desse limite, o que ocasiona a lentidão quase que imediata de processos: você costuma navegar com várias abas abertas? Ou roda vários programas pesados ao mesmo tempo, como o Photoshop, Skype e algum streaming de música? Isso tudo demanda memória RAM do seu PC e, desnecessário dizer, quanto mais material executado, menos memória disponível.

Há também que se avaliar a execução de processos em segundo plano: muito do que você não vê está rodando no background do sistema operacional, o que consome muita memória também. O client da Steam Store costuma ser um culpado disso: a loja é atualizada diariamente e o software de acesso roda checagens sem que o usuário veja, ocupando bastante memória RAM.

Como consertar isso: experimente fechar algumas coisas que você vê de imediato, mas que não esteja usando (ou não precise usar) naquele momento. Você realmente precisa de 16 abas do Chrome abertas? Alternadamente, feche processos inteiros pelo Gerenciador de Tarefas (CTRL+ALT+DEL no Windows / CTRL+SHIFT+ESC no Mac OS). Se você não tem intenção de abrir a Steam hoje, a atualização pode ficar para amanhã ou final de semana.

Se ainda assim, seu computador apresentar lentidão, pode ser apenas que a sua memória é pouca para tanto volume de uso. Ou então os pentes físicos dela estão velhos. Em ambos os casos, é bom investir em alguns pentes extras de memória (se a sua placa mãe permitir que novos pentes sejam inseridos) ou uma máquina com configuração mais “fortinha”.

Vírus configuram aplicações instaladas no seu computador sem o seu consentimento, e eles também contribuem para a redução da velocidade e desempenho da sua máquina

Ou você tem um vírus...

Sua máquina tem a configuração mais forte, você não sai gravando em disco tudo o que vê pela internet e costumeiramente fecha coisas que não pretende usar, e ainda assim a máquina está devagar feito um ônibus na hora do rush? Então é bom fazer aquela verificação para confirmar se seu PC tem ou não algum vírus ou malware instalado. É bem comum que ações de terceiros — ou mesmo as nossas — acabem instalando softwares maliciosos que impedem que nosso hardware funcione de forma eficaz. Criptomineradores são o mal mais recente aqui: esse tipo de ação envolve “roubar” o processamento de um computador alheio para obter bitcoins (ou outra criptomoeda). E veja só: eles gastam absurdos em recursos computacionais.

Como consertar isso: Baixe um bom antivírus e execute aquela verificação completa para averiguar se não tem mais alguém usando o seu computador com você. Mas faça isso com uma ressalva, porque…

Ainda que o antivírus seja desenhado especificamente para proteger o usuário de ameaças virtuais, alguns softwares do gênero acabam roubando toda a capacidade do computador ao promover monitoramentos em tempo real, o que sacrifica processamento e memória de forma contínua

...ou seu antivírus é o problema

Inegavelmente, alguns softwares de proteção pecam por serem zelosos demais com a saúde de seu sistema operacional: um antivírus costumeiramente possui a ferramenta de verificação da integridade de toda a sua máquina — que você executa manualmente —, mas também traz recursos de monitoramento em tempo real para mantê-lo livre de ameaças. Isso é uma coisa muito boa, claro. Ninguém quer que alguém tire proveito de sua navegação inocente para lhe roubar recursos e dados.

Mas isso é, como diz o ditado, uma lâmina de dois gumes: ao mesmo tempo em que você tem uma camada de proteção a mais para a sua segurança, essa proteção é executada em redundância, ou seja, está acionada o tempo todo. Isso consome recursos de processamento e memória e, no caso de programas antivírus, o consumo destes dois recursos é enorme.

Como consertar isso: marque na sua rotina de uso do computador aqueles momentos em que você não o usa online, como em certos jogos com modo de campanha para um jogador, ou então em partidas online em jogos cujas produtoras já contam com mecanismos de defesa próprios. É perfeitamente aceitável que você desligue a verificação em tempo real do antivírus nestes casos a fim de economizar ou direcionar recursos para áreas mais importantes naquele momento. Só não se esqueça de acioná-la depois, quando a navegação exigir que você transite por páginas na internet.

Mesmo a atualização do sistema operacional pode contribuir para a queda de desempenho do computador: hardware antigo não é feito para updated de sistema e, com o tempo, deixam de funcionar de forma adequada

Você atualizou seu sistema operacional

Acredite se quiser, até mesmo atualizar seu sistema operacional traz dificuldades no desempenho da sua máquina. Assim como dissemos no início do texto, novos recursos normalmente exigem maior consumo de processamento, armazenamento e memória. Isso também vale para atualizações de sistema: mesmo patches de segurança costumam inflar o consumo de recursos computacionais e, eventualmente, você pode chegar no limite que a sua configuração pode suportar.

Via de regra: a máquina que você comprou hoje com toda certeza vai ter um desempenho incrivelmente rápido, especialmente se o seu padrão comparativo for um PC mais antigo e usado. À medida que as fabricantes lançam novas atualizações para seus produtos, porém, mesmo a máquina mais avançada apresentará alguns gargalos na performance, e a lentidão será um efeito natural disso.

Como consertar isso: esse é mais um caso em que não há conserto. Manter a máquina atualizada em todos os seus aspectos ainda é um precedente mais valioso do que a economia de recursos computacionais. Você até pode recusar-se a instalar atualizações, mas há empresas que cortam funções diante disso — impedindo que você as utilize plenamente —, fora que uma máquina desatualizada abre o caminho para que invasores tirem proveito de exploits e falhas que o update que você ignorou resolveria.

O sistema operacional da Microsoft possui alguns problemas específicos, como o acúmulo de arquivos temporários de navegação e um registro sistêmico que não se atualiza ou se limpa automaticamente: o acúmulo de tudo isso faz com que o computador passe a responder de forma mais lenta

Você usa Windows

Que a Microsoft e seus fãs nos perdoem, mas existem alguns probleminhas que apenas o sistema operacional idealizado por Bill Gates consegue nos causar. Veja bem: o Windows não foi desenhado para realizar funções que outros sistemas promovem automaticamente, como a desfragmentação das partições do disco, a limpeza do registro e eliminação de arquivos temporários. Como, por padrão, sistemas operacionais salvam tudo o que podem a fim de criar atalhos de navegação para acesso a certos arquivos — no caso do Windows, esses dados nunca vão embora e acumulam-se periodicamente.

Como consertar isso: Aqui, a atenção do usuário é necessária. É possível que você agende a execução de algumas tarefas essenciais em caráter periódico (desfragmentar o disco uma vez por semana, por exemplo). Com isso, você deve perceber alguns ganhos de performance com a sua máquina. Ou, se você for do tipo que goste de experimentar outras vias, instale um sistema operacional diferente: Linux tende a ser mais leve que o Windows, além de ser distribuído gratuitamente. Se você tem algum dinheiro sobrando, você também pode investir em uma máquina com macOS, da Apple.

Mesmo diante de tudo isso, pode ser que a lentidão do seu PC seja apenas porque a sua máquina tem hardware defasado: é hora, então, de enfiar a mão no bolso e investir em algo mais atual

Já cuidei de tudo isso e nada ajudou!

Os problemas listados acima são alguns dos mais comuns a trazerem impacto na performance do seu computador. Porém, eles não são os únicos: há casos em que a própria eletricidade estática dos carpetes e tapetes do cômodo onde a máquina está instalada podem causar algum engasgo. Ou então o cômodo está empoeirado, o que acumula pó nas ventoinhas de refrigeração da máquina, impactando em seu funcionamento e aumentando a temperatura do processador.

É sempre bom verificar a limpeza de sua máquina e do local onde ela fica guardada para garantir que o problema não tenha causa por fora do sistema operacional ou do hardware em si.

E no último caso, quando tudo o mais falhar, você ainda pode apelar para o recurso mais conhecido de todos: formatar o PC. Se ainda assim, os ganhos forem negligenciáveis, então cheque suas finanças e libere limite no seu cartão de crédito: está na hora de comprar um computador novo.

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