Aposta em IA faz faturamento da Micron explodir e valida saída do varejo
Por Raphael Giannotti • Editado por Jones Oliveira |

O primeiro resultado financeiro da Micron após o encerramento abrupto da marca Crucial e a saída do mercado direto ao consumidor serviu para validar a nova tese da empresa: sacrificar o volume do varejo em nome das margens absurdas que vêm da IA. Se para os entusiastas de PC a morte da Crucial soou como uma perda, para os investidores da Micron, o crescimento de quase 60% na receita é o que eles queriam.
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A empresa registrou uma receita de US$ 13,64 bilhões no primeiro trimestre fiscal de 2026 (que começou no último trimestre de 2025), um crescimento de 57% em relação ao ano anterior.
Foco em chips HBM canibaliza produção de DRAM
No entanto, esse novo pilar traz uma consequência severa para o resto da indústria. O problema central é físico: a produção de HBM (High Bandwidth Memory), essencial para chips de IA, está canibalizando a capacidade de produção de DRAM convencional. Sanjay Mehrotra, CEO da Micron, revelou que produzir um chip HBM consome cerca de três vezes mais wafers de silício do que a mesma capacidade em memória DDR5 padrão.
O resultado é uma equação que não fecha para o mercado de PCs. Como a Micron está desviando agressivamente seus wafers para atender aos contratos de HBM, que oferecem margens de lucro muito superiores, a produção de memória padrão está sendo estrangulada. A projeção oficial da empresa é nada boa, já que ela estima que será capaz de atender apenas metade a dois terços da demanda total do mercado em 2026.
Em resumo, a Micron criou uma "escassez programada". Ao priorizar produtos de alto valor agregado e alta complexidade de produção, a empresa aceita vender menos unidades totais, mas com lucros exponencialmente maiores. Esses dados financeiros deixam claro que a Micron não quer mais brigar por preço em promoção, ela quer ser a fornecedora premium dos data centers.
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