Qualcomm divulga dados de sua primeira pesquisa sobre conectividade no Brasil

Por Rafael Romer | 18 de Março de 2014 às 10h34

A Qualcomm divulgou nessa segunda-feira (17) a primeira parte de três do QuISI (Índice Qualcomm da Sociedade da Inovação), um estudo que formará um novo indicador global da empresa. Nesta primeira parte foram reveladas algumas informações sobre o Brasil e México, as duas principais economias da América Latina, e da esfera de Pessoas e Conectividade.

O índice tem como objetivo medir o grau de adoção, assimilação e uso de diferentes Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) e será dividido com três esferas (Pessoas, Negócios e Governos), com foco em três processos diferentes: Conectividade, Internet das Coisas (M2M) e Inovação. "Existem diferenças por região, por país e por grupo econômico que têm a ver com contextos que favorecem ou não o desenvolvimento da inovação", afirmou Rafael Steinhauser, presidente da Qualcomm para a América Latina. "Aqui, a ideia é medir isso da maneira mais objetiva possível e comparar [o Brasil] não só com outras nações, mas também consigo mesmo".

Qualcomm QuISI

A Diretora Geral da Convergência Research e da Convergência Latina, Mariana Rodriguez Zani, durante apresentação da pesquisa (foto: Divulgação)

A pesquisa coloca o Brasil no 44º lugar entre os 73 países pesquisados, com 34,10 de um total de 100 pontos possíveis. A pontuação de cada país é baseada em 14 indicadores diferentes, que variam desde penetração de serviços, penetração de dispositivos e performance até dados de investimento e indicadores socioeconômicos. Para cada um dos indicadores, é colocado como padrão o país com o melhor índice, que é utilizado em seguida como referência para a pontuação dos outros países. Com 79,24 pontos, Hong Kong é considerado o país mais conectado da lista, liderando a categoria dos 15 países "ultra conectados".

Apesar de estar localizado no grupo dos países "intermediários", a empresa considera o resultado do Brasil positivo e vê um amplo espaço para evolução dos índices nos próximos anos. "Países intermediários são aqueles que ainda que tenham penetrações de serviços fixos que possam ser melhoradas, têm altíssimas taxas de penetração de telefonia móvel e crescimento de banda larga móvel", explica a Diretora Geral da Convergencia Research e da Convergencia Latina, Mariana Rodriguez Zani. De acordo com os dados, o Brasil é o 4º colocado entre os 20 países da América Latina, atrás apenas de Uruguai, Argentina e Chile, respectivamente, além de ser o 2º mais conectado dos BRICS, grupo de países emergentes que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e Africa do Sul, atrás da Rússia.

Mas o país não obteve só indicadores bons e apresentou um desempenho negativo em alguns dos principais índices apesentados. Na alfabetização da população maior de 15 anos, por exemplo, o país atinge um índice de 90,94%, abaixo da média de 95,1% e bem distante dos índices de 100% observados em alguns países pesquisados. O Brasil também tem desempenho abaixo da média na assinatura de banda larga móvel (35% de uma média de 45,2%) e velocidade média da banda larga móvel (1,1 Mbit/s contra média de 2,28 Mbit/s), que fica bem atrasada em relação à líder Áustria, com 6,2 Mbit/s.

Mariana destaca alguns dos indicadores brasileiros como os mais positivos e que podem indicar um avanço amplo do país nos próximos anos no setor de conectividade. Em primeiro lugar, o Brasil aparece como o 21º colocado em investimentos percentual de Capex sobre capital, com 2,8%, um valor superior a média de 2,6%, o que significa que o setor ainda investe no país para promover melhorias e ampliações de serviços. Além disso, o Brasil é o 29º da lista em conexões M2M (Machine to machine), o que mostra que o país está se preparando para uma das tendências que devem marcar o mercado nos próximos anos, a Internet das Coisas (IoE).

Além de dados da Qualcomm, o resultado leva em consideração indicadores oficiais de órgãos reguladores e entidades estatísticas dos países, além de informações do ITU, FMI, OCDE, balanços de operadoras de telefonia, GSMA, empresas de consultoria, e dados proprietários da Convergência Research, empresa responsável pela realização da QuISI.

QuISI Pessoas

Além da classificação dos países levando em consideração adoções de tecnologias de conectividade, a empresa também divulgou os resultados de sua pesquisa QuISI Pessoas, realizada com 1,4 mil brasileiros maiores de 16 anos com acesso à Internet. O objetivo, de acordo com a empresa, é chegar aos indicadores locais referentes a assimilação dessas tecnologias com base nos hábitos dos usuários de Internet e de Internet móvel no país.

Nessa parte da pesquisa, o país obteve 18,21 pontos de um total de 100 pontos possíveis. De acordo com os resultados para Brasil e México, divulgados já no mês passado, a pesquisa revela que os hábitos sociais dos latino-americanos são bem mais desenvolvidos do que em outros países de maior penetração de conectividade, como os Estados Unidos e Reino Unido.

89% dos pesquisados no Brasil afirmaram ser usuários de redes sociais, índice que equivale a 65% nos Estados Unidos e 51% no Reino Unido. O uso de plataformas de microblogs, como o Twitter, também é consideravelmente superior na região (31% no Brasil e 40% no México) quando comparado às regiões Anglo-Saxônicas (34% nos EUA e apenas 13% no Reino Unido).

Os países mais desenvolvidos, no entanto, apresentam índices maiores no uso da web para comércio e serviços bancários. Apenas 38% dos entrevistados brasileiros e 29% dos mexicanos afirmaram utilizar serviços bancários online, contra 45% dos norte-americanos e 54% dos britânicos. Os internautas destes países também realizam mais compras online (74% dos Eua e 79% do Reino Unido) do que os latino-americanos (60% no Brasil e 41% no México).

De acordo com a Qualcomm, os resultados indicam um potencial grande do Brasil na expansão da penetração do comércio eletrônico móvel, serviços de entretenimento em geral e download de aplicativos. Em alguns números divulgados sobre o país, a pesquisa mostra que cerca de 37% dos internautas brasileiros jogam online, sendo 25% deles via smartphone. Além disso, 69% deles utilizam serviços multimídia, sendo 65% deles via smartphone. Além disso, 65% dos usuários baixam aplicativos.

A pesquisa mediu ainda o sentimento dos usuários em relação à telefonia móvel no Brasil e o que deve ser melhorado. 64% dos respondentes afirmaram que algo pode ser melhorado, sendo que a maior parte deles (25%) pede mais qualidade na prestação de serviço. Em seguida, 11% dos usuários pedem por mais aplicativos e 9% por melhores preços e planos. O levantamento também contabilizou que 70% dos usuários brasileiros que atualmente utilizam os chamados feature phones, celulares sem conectividade 3G, trocariam seu aparelho atual por um smartphone.

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