Urnas eletrônicas dos EUA têm falhas que permitem manipulação de votos

Por Felipe Demartini | 30 de Setembro de 2019 às 11h37

Um grupo de hackers éticos encontrou graves problemas de segurança nas urnas eletrônicas que devem ser usadas nas próximas eleições dos Estados Unidos, marcadas para 2020. Os pesquisadores apresentaram seus achados ao Congresso norte-americano nesse final de semana e pintaram um panorama perigoso em um momento em que se espera ainda mais manipulação e influência externa do que a vista no pleito de 2016.

Os equipamentos foram adquiridos pelo eBay e chegaram às mãos dos pesquisadores com diferentes configurações, o que também permitiu explorações diversas, todas bastante graves. Os problemas, segundo os hackers liderados por Matt Blaze, professor da Universidade de Georgetown, variam de senhas fracas ou criptografia insuficiente até acertos mal realizados que poderiam permitir não apenas que alguém com um mínimo de conhecimento e acesso às urnas manipular e abrir portas para explorações remotas.

As falhas, em si, não foram abertas ao público, tendo sido exibidas primeiro a portas fechadas há algumas semana, durante a última edição da conferência de segurança Def Con e, agora, ao Congresso americano. Há pouco mais de um ano para que os acertos sejam feitos, com o próximo pleito presidencial marcado para novembro de 2020 e, desde já, com campanhas de desinformação e manipulação sendo realizadas por agentes externos e internos.

Além dos problemas de proteção em si, a ideia de que as mesmas urnas usadas pelos pesquisadores para encontrar as falhas também estão acessíveis a hackers que desejarem explorá-las foi citada como bastante grave. Em algumas explorações encontradas pelos especialistas, nem mesmo um amplo conhecimento técnico era necessário, com o comprometimento sendo possível a partir de fiscais de seções eleitorais que estejam a serviço de forças internacionais.

A insegurança das urnas eletrônicas também levantou uma guerra política entre democratas e republicanos. O governo destacou um total de US$ 250 milhões para os esforços de segurança da informação voltados às eleições, entretanto esse é um valor bem abaixo dos US$ 600 milhões que a oposição gostaria de ter dedicado à iniciativa. Além disso, o decreto não inclui como os estados gastarão o dinheiro, com o montante podendo ir para outro rumo que não o fortalecimento da proteção digital das votações.

Em uma resposta rápida às revelações dos especialistas, o líder da bancada republicana no Senado, Mitch McConnell, anunciou um bloqueio de urnas que não passem em testes de segurança ou tenham suas correções implementadas. Enquanto isso, os democratas adotam uma tática de medo, com a congressista Jackie Speier afirmando que o objetivo agora é demonstrar claramente que o sistema pode ser manipulado e assustar os rivais com a ideia de que a alteração da vez pode ser feita contra os interesses deles.

Enquanto isso, contratados privados do setor de segurança instruem governadores e senadores a incentivarem a utilização de cédulas de papel nas eleições presidenciais de 2020, além da realização de auditorias de segurança para garantir os resultados. Blaze faz parte desse grupo e, inclusive, já deixa um alerta: a manipulação localizada nas eleições de 2016 parecerá brincadeira de criança caso as devidas atitudes não sejam tomadas diante do que está a caminho.

Fonte: The Washington Post

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.