Para ex-hacker brasileiro, ações dos Anonymous podem atrapalhar combate ao ISIS

Por Rafael Romer | 19.11.2015 às 17:43

Após declarar guerra ao Estado Islâmico (EI), o grupo hacker Anonymous anunciou na última terça-feira (17) que já havia derrubado 5,5 mil contas no Twitter ligadas ao EI como parte da operação #OpParis — uma resposta dos Anonymous contra os ataques realizados pelo grupo terrorista em Paris na semana passada.

Na internet, muitos celebraram a retirada do ar dos perfis de propaganda e de apoiadores do EI em redes sociais, já que o grupo terrorista é reconhecido pelo seu uso da Internet não só como ferramenta de divulgação de suas atrocidades, mas também como forma de recrutar novos simpatizantes para a causa.

Ainda assim, a derrubada em massa de perfis ligados ao EI pode prejudicar mais do que ajudar na luta contra o grupo extremista, na avaliação do ex-hacker e autor do livro Dnpontocom, Daniel Nascimento.

"Essas contas em redes sociais que eles divulgam ou apagam, muitas vezes são monitoradas pelas agências dos governos", explicou ao Canaltech. "Na maioria das vezes, são essas contas que entregam a posição de um jihadista, alertando para novos ataques através de mensagens e imagens, mesmo que estejam usando conexão por proxy".

Para Nascimento, derrubando contas ativas, os hacktivistas estão apenas tornando os membros do Estado Islâmico mais cuidadosos em sua operação — uma conta apagada pode rapidamente ser substituída por uma nova conta, administrada com mais cautela e mais difícil de ser monitorada.

"Você não está afetando da forma que deveria. Eu sou da opinião de que essas contas deveriam ser coletadas e entregues para forças de segurança", afirmou. "Não é que não estejam colaborando, isso interrompe a massa de propaganda do IS, mas há formas melhores de usar esse conhecimento".

Mesmo que o tiro possa estar saindo pela culatra, a realidade é que as ações do Anonymous já estão afetando o grupo terrorista, que na segunda-feira (16) divulgou mensagens ensinando seus aliados a evitar serem hackeados pelos hacktivistas. As instruções indicavam para os membros do grupo que evitassem links e usuários desconhecidos dentro do Telegram, ferramenta utilizada pelo EI para comunicação. Outra dica foi mudar constantemente o IP das máquinas usadas para navegação.

"A guerra ao terror vai além da guerra virtual, é isso que a gente tem que entender", comentou. "Eu apoio o grupo e acho as iniciativas bacanas, mas pode estar faltando uma liderança, menos mídia e mais ação".