EUA acusam quatro militares chineses de hackearem empresa de crédito em 2017

Por Rafael Rodrigues da Silva | 11 de Fevereiro de 2020 às 18h50

Nesta segunda-feira (10) o Departamento de Justiça dos Estados Unidos anunciou que está indiciando quatro membros do exército da China que possuem conexão com o hack que ocorreu em 2017 na agência de crédito Equifax em 2017, e que foi responsável por expor informações financeiras sensíveis de cerca de 150 milhões de pessoas nos Estados Unidos.

De acordo com a acusação, o grupo teria hackeado os sistemas da Equifax em maio de 2017, explorando uma vulnerabilidade na infraestrutura de framework utilizada nos servidores da empresa. Essa invasão resultou num vazamento que expôs nomes, números da Seguridade Social (algo equivalente ao RG e CPF aqui no Brasil), datas de nascimento, endereços, carteiras de habilitação e cartões de créditos de usuários cadastrados no banco de dados da Equifax.

Essa é a segunda vez que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos indicia membros do exército chinês em casos de espionagem econômica, sendo que a primeira ocorreu em 2014, quando cinco oficiais do exército da China foram indiciados com 31 acusações pela Justiça dos EUA, incluindo espionagem econômica, roubo de segredos de mercado, roubo de identidade e conspiração para cometer fraude em computador. Na época, essas acusações foram vistas como uma expansão sem precedentes do poder da Justiça dos Estados Unidos, que pela primeira vez passava a querer julgar pessoas de outro país com base na legislação americana, mas desde então casos do tipo têm se tornado cada vez mais comuns.

Neste caso específico da Equifax, os quatro envolvidos estão sendo acusados de conspiração para cometer fraude em computador, conspiração para cometer espionagem econômica, e conspiração para cometer fraude telefônica. Esses quatro membros do exército chinês também não são os primeiros indiciados com relação à invasão nos servidores da empresa de crédito, já que em julho do ano passado o ex-diretor de TI da Equifax, Jun Ying, foi condenado a quatro meses de prisão por ter se aproveitado de informação privilegiada e vendido todas as ações que possuía da empresa antes que o vazamento se tornasse público, o que fez com que ele lucrasse com toda a situação.

De acordo com o que o diretor do FBI, David Bowdich, revelou aos jornalistas em coletiva, por enquanto ainda não há nenhuma evidência de que os dados que foram roubados da Equifax estão sendo usados na aplicação de golpes, mas ele também expressou toda sua frustração e indignação pela forma como o público tem dado pouca importância para esses tipos de vazamentos. Ao invés de fazer pressão para que as companhias melhorem seus sistemas de segurança, as pessoas que se sentem desprotegidas estão contratando um serviço de monitoramento de crédito.

Fonte: The Verge

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