Paraguai autoriza reabertura total da Ponte da Amizade

Paraguai autoriza reabertura total da Ponte da Amizade

Por Rui Maciel | 22 de Setembro de 2020 às 21h55
Cesar I. Martins / Wikimedia Commons

O governo paraguaio anunciou nesta terça-feira a reabertura total da Ponte Internacional da Amizade, que conecta o país ao Brasil e é uma das maiores passagens de eletroeletrônicos da América do Sul. E também uma das principais fontes do mercado cinza nesse setor. 

A ponte, que conecta Ciudad del Este (Paraguai) à Foz do Iguaçu (Brasil), estava fechada há mais de seis meses, mais precisamente desde 18 de março, por causa da pandemia do coronavírus. Para que o acesso seja liberado de vez, ainda é necessária a concordância do governo brasileiro. Caso isso ocorra, a previsão é que a reabertura ocorra na próxima semana.

O anúncio da reabertura da ponte foi feita após o governo paraguaio aprovar o protocolo sanitário que deve ser implementando na travessia entre os dois países. A princípio, a fronteira será liberada por três semanas. No entanto, para que a medida entre em vigor, é necessário que a medida seja apresentada e aceita pelas autoridades brasileiras. 

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A proposta de reabertura tem como principal objetivo reativar o turismo de compras na fronteira. A pandemia da COVID-19 atingiu em cheio as lojas localizadas em Ciudad del Este, cujo faturamento vem majoritariamente do público brasileiro, com destaques para eletrônicos como smartphones e videogames. 

Quando a crise do coronavírus começou a ganhar a América do Sul, o Paraguai tomou medidas duras para conter a propagação da COVID-19 em seu território. Para isso, fechou as suas fronteiras com o Brasil e promoveu um lockdown, permitindo que a população saia às ruas apenas para o essencial, ou seja, fazer compras em supermercados ou farmácias. No mais, tudo parado, incluindo o comércio em geral.

Região de lojas em Ciudad del Este: comércio paralisado pela COVID-19 (Crédito da foto: Wikipedia / Creative Commons)

Com a redução drástica das compras, muitas das maiores lojas de eletrônicos em Ciudad del Este tiveram de demitir a maioria de seus funcionários. Além disso, outras já estavam considerando se mudar para o lado brasileiro da fronteira, já que o grosso do seu mercado consumidor estava lá. Antes da pandemia, estabelecimentos de maior porte chegavam a receber mais de 10 mil clientes por dia. 

Protocolo a ser seguido e protestos

Para determinar a reabertura da Ponte da Amizade, autoridades do governo paraguaio se reuniram nesta terça-feira (22) com Miguel Prieto Vallejos, prefeito de Ciudad del Este, além de outras lideranças locais. Na conversa, houve a definição do protocolo sanitário a ser seguido na fronteira com o Brasil e que já havia sido aprovado pelo Ministério da Saúde local e que será implementado caso o governo brasileiro o aprove. 

Além da reabertura parcial, o plano proposto indica uma reabertura parcial da ponte e, após uma análise da evolução da doença, ocorreria a abertura total da mesma. A proposta sugere ainda a criação de uma área controlada para entrada e saída de pessoas das cidades de Minga Guazú, Ciudad del Este e Presidente Franco. Caso as medidas entrem em vigor, os brasileiros poderão entrar no Paraguai entre 6h e 15h e sair até 19h. 

A reabertura da Ponte da Amizade tem como objetivo reativar o turismo de compras no Paraguai e que alimenta o mercado cinza brasileiro (Imagem: Francielle Lima)


Com a divulgação dos planos de reabertura, manifestantes protestaram em Ciudad del Este a favor da medida. O ato ocorreu no centro da cidade, durou pouco mais de três horas e, acompanhado por força de segurança paraguaias, transcorreu de forma pacífica. 

O Itamaraty afirmou que não foi contatado pelo governo paraguaio para tratar sobre o protocolo que determina a reabertura da Ponte da Amizade. Em declaração enviada ao portal G1, o Ministério das Relações Exteriores ressalta que o fechamento das fronteiras, por parte do Brasil, é uma medida de reciprocidade, diante da decisão dos países vizinhos. Ou seja, caso haja interesse de abertura de pontos específicos, como no caso da ponte, o tema deverá ser discutido entre os dois países.

Com informações do G1

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