Funcionários dos Correios suspendem paralisação, mas estado de greve continua

Por Rafael Arbulu | 18 de Setembro de 2019 às 08h52

A greve dos Correios, deflagrada no último dia 10, teve seu caráter de paralisação temporariamente suspenso, com funcionários da empresa pública retomando suas funções. Entretanto, segundo os sindicatos representantes da categoria, a paralisação ainda é uma possibilidade e todos seguem em estado de atenção até que o pedido de reajuste de dissídio — uma exigência dos grevistas — seja julgado no Tribunal Superior do Trabalho (TST).

Segundo a assessoria de imprensa Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (FENTEC), o “estado de greve” permanece. O termo, segundo a federação, é usado para determinar que as operações de uma companhia seguem funcionando, mas que a paralisação de todo o serviço é uma realidade bem próxima. Em outras palavras, não estão parados, mas podem rapidamente parar.

Os Correios aguardam o julgamento do dissídio pelo TST, o que deve ocorrer em 2 de outubro.

Greve dos Correios: funcionários retomam funções do trabalho, porém possibilidade de paralisação ainda é bem grande

A greve dos Correios começou no dia 10 de setembro após assembleia sindical realizada na noite anterior, quando foram mostradas discordâncias com certas informações e reajustes promovidos pela gestão da empresa. No centro da questão está o reajuste de salários para o ano que vem, bem abaixo da inflação anual, e a exclusão ou redução de benefícios dados aos trabalhadores. Além disso, os sindicatos protestam contra o que seria uma tentativa de enforcamento por parte do governo, que deseja minimizar custos e demonizar os Correios para facilitar o processo de privatização.

Entre as propostas que irritaram a classe está a de reajuste de apenas 0,8% nos salários, ao contrário dos 3,1% pedidos pela categoria. Os Correios também sugeriram a extinção do Vale Cultura e aumento nas mensalidades dos planos de saúde, bem como uma coparticipação dos funcionários no pagamento de tratamentos de saúde fornecidos pela cobertura dada pela estatal.

A possibilidade de privatização completa da empresa também é rechaçada pelos funcionários e grevistas. A proposta, que é vista com bons olhos pelo governo do presidente Jair Bolsonaro, parece ter atraído a atenção de gigantes do e-commerce, como Amazon e Alibaba. Até agora, porém, nada se mostrou concreto.

Fonte: UOL

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