Fabricantes de celulares pedem que leilão 5G no Brasil não atrase

Por Claudio Yuge | 28 de Novembro de 2019 às 22h10
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O mundo todo está de olho na próxima geração de internet móvel, que está chegando. Enquanto isso, no Brasil há uma grande expectativa com relação ao leilão dos espectros para as redes 5G, previsto para o primeiro trimestre do ano que vem. Na quarta-feira (28), empresas e entidades estiveram presentes na Câmara dos Deputados, em Brasília, para discutir a chegada da tecnologia e em uma coisa todos concordam: o importante é que o andamento do processo não sofra atrasos.

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), presente na reunião promovida pela Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional, afirma que a matéria tem sido tratada com urgência e aguarda votação no conselho diretor — o que, espera-se, deve acontecer ainda este ano. A sociedade civil, representada pelo Coletivo Brasil de Comunicação Social Intervozes defendeu que seja promovida uma política de desenvolvimento da indústria nacional, pois atualmente o Brasil estaria operando em um padrão muito dependente de outros países.

(Imagem: Reprodução/Vinicius Loures/Câmara dos Deputados)

Já a Associação Brasileira de Rádio e Televisão (Abratel) destacou que o 5G deve interferir na transmissão da televisão aberta por parabólicas (serviço chamado de TVRO) em 22,1 milhões de domicílios, por conta das faixas do espectro de radiofrequências determinadas pela Anatel para o 5G. Uma solução para isso, segundo a Abratel, seria mudar a faixa de frequência ou distribuir equipamentos de adaptação de recepção de sinal.

Empresas negam que 5G cause interferência em parabólicas

A Ericsson negou as alegações da Abratel sobre interferência e rebateu também o Intervozes, dizendo que grande parte dos equipamentos vendidos no Brasil são fabricados por aqui, sem dar números precisos sobre isso. Também presente na audiência, a Qualcomm América Latina lembrou que o país pode ser o primeiro da região a lançar o 5G, por isso a licitação tem que ser encarada em caráter de urgência.

A Huawei, líder em infraestrutura 5G no mundo, tem grande importância na implantação da tecnologia por aqui, mas sofre boicote dos Estados Unidos — que pressionam o Brasil, sob a acusação acusando a empresa de trabalhar para o governo chinês em uma rede de espionagem a partir de sua infraestrutura de telecom - algo que nunca foi provado por Donald Trump. Segundo a companhia, que enviou representante para a reunião, a segurança é prioridade no serviço e o que ela oferece é 100% privado, sem qualquer ligação governamental.

Agora, depois dessa rodada de conversas, o assunto trava novamente na Anatel, que regula o mercado e aprova o leilão do 5G. Se tudo correr como esperado, a licitação deve sair ainda no primeiro trimestre e há chances de termos algum sinal da próxima tecnologia de internet móvel até o final de 2020, na melhor das projeções. O jeito é cruzar os dedos e aguardar essas decisões.

Fonte: Câmara dos Deputados  

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