O novo normal das relações de trabalho

O novo normal das relações de trabalho

Por Eduardo Tardelli | 08 de Fevereiro de 2022 às 10h00
DC_Studio/Envato

Os últimos dois anos foram os mais desafiadores da nossa geração. Não apenas porque tivemos que lidar com muitas perdas, mas porque tivemos que adaptar nosso comportamento diante de uma pandemia. A distância foi um dos desafios enfrentados por toda a população mundial, seja nas relações pessoais, seja nas de trabalho. A maioria das atividades que eram feitas de maneira presencial tiveram que ser moldadas a uma realidade remota, e é possível que essa realidade estacione por um bom tempo — arrisco dizer que trabalho 100% presencial vai se tornar obsoleto.

É possível traçar essa perspectiva do trabalho remoto “para sempre” só pelo comportamento dos colaboradores. De acordo com uma pesquisa realizada pela Bare International, empresa especializada em experiência do cliente, 70% dos profissionais entrevistados não querem voltar a trabalhar presencialmente. Um dos principais motivos é a possibilidade de ter mais tempo para realizar outras atividades e conseguir equilibrar melhor a vida profissional e pessoal.

Segundo a pesquisa ‘Viver em São Paulo: Mobilidade Urbana’, de 2019, o paulistano gastava, em média, 1h47 no trânsito. Portanto, não é surpresa esse índice alto de profissionais de grandes centros que não querem voltar para o escritório. E eles não estão errados: essas quase duas horas a mais possibilitam mais tempo para convívio familiar, lazer, atividade física e resolução de questões pessoais. Colaborar para que o funcionário tenha mais flexibilidade com seus horários e possibilitar uma melhora em sua qualidade de vida vai influenciar diretamente em sua performance.

Maior equilíbrio entre trabalho e vida pessoal é a grande vantagem do regime híbrido (Imagem: Envato/LightFieldStudios)

Portanto, se 2020 foi o ano da adaptação do sistema de trabalho remoto, 2022 será o ano da adaptação do trabalho híbrido. Essa foi uma forma do mundo corporativo equilibrar as vontades do patrão e funcionário. O profissional consegue manter alguns dias fora do trânsito, se dedicar a outras questões e, ao mesmo tempo, há uma interação presencial com a equipe, que pode também ser positiva para as relações interpessoais no ambiente corporativo, um dos pilares fundamentais para um bom clima organizacional.

As equipes gestoras terão um desafio extra para organizar a rotina híbrida, e cada área precisa mapear os possíveis riscos desse novo formato, acompanhar a equipe de perto, equilibrar as tarefas que precisam ser feitas presencialmente e as que podem ser feitas em casa para que o fluxo de trabalho seja o mais simples possível.

O compliance trabalhista entra como um importante agente nesse processo de transição, já que precisa proteger os colaboradores, otimizar os processos e conduzir todo o trabalho de governança necessário para o desenvolvimento de qualquer corporação. A única certeza é que, se toda a equipe se engessar em normas de conduta e não ouvir o colaborador, o “novo normal” será um estorvo.

*Artigo produzido por colunista com exclusividade ao Canaltech. O texto pode conter opiniões e análises que não necessariamente refletem a visão do Canaltech sobre o assunto.

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