A Blizzard voltou? 5 sinais de que o estúdio está mais vivo do que nunca
Por Gabriel Cavalheiro • Editado por Jones Oliveira |
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Uma coisa de que ninguém tem dúvida é a importância da Blizzard para a indústria dos games, em especial quando falamos do cenário de jogos para PC. A produtora revolucionou todos os gêneros que tocou: ARPG (Diablo), RTS (StarCraft), MMORPG (World of Warcraft) e hero shooter (Overwatch).
Apesar de todas essas contribuições, ela passou por problemas gravíssimos na virada da década de 2020. Há cinco anos, um escândalo trabalhista e de cultura tóxica estourou nos corredores da Blizzard, levando a desenvolvedora aos tribunais da Califórnia para responder sobre assédio sexual, discriminação e cultura de fraternidade contra funcionárias.
Além das várias denúncias gravíssimas, a empresa fez reestruturações para estancar o sangramento, mas não parou aí. A Blizzard também começou a perder popularidade entre os jogadores com lançamentos como o jogo de celular Diablo Immortal, o problemático lançamento de Warcraft III: Reforged e a conturbada sequência de Overwatch.
Todas as polêmicas e crises de imagem pública foram um fator para levar a Blizzard e a Activision à venda para a Microsoft em 2023. Logo depois da aquisição, a dona do XBOX cancelou um jogo que estava em desenvolvimento há seis anos e conduziu algumasreestruturações e demissões em massa.
Mais recentemente, a Blizzard voltou a ser envolvida em um novo processo que acusa a produtora de tentativa de estupro e assédio contínuo, além de uma cultura tóxica na qual as mulheres são desvalorizadas (bem parecido com o que aconteceu em 2021).
As polêmicas seguem acompanhadas de notícias mais positivas para os fãs da marca, embora pareça que os problemas culturais e estruturais da empresa estejam longe de acabar. Vale notar que esses pontos positivos, que sugerem um retorno da Blizzard, não vão acobertar nenhum dos sérios problemas citados acima.
5. BlizzCon 2026 com recorde de audiência
A Blizzard sempre apoiou e depende muito da comunidade de jogadores que segue com a produtora há décadas. Uma forma de reconhecer e mensurar esse apoio é por meio da BlizzCon, evento voltado para novidades, anúncios e encontros das comunidades de todos os jogos da Blizzard.
Vale notar que a companhia pulou as edições de 2024 e 2025 da BlizzCon, em um verdadeiro sumiço da indústria quanto a novidades relevantes. O evento só voltou na BlizzCon 2026, que registrou um recorde histórico ao reunir 12,5 milhões de espectadores ao vivo entre os dias 12 e 13 de setembro. O marco mostra como a comunidade segue firme e apoia a Blizzard (mesmo depois de inúmeros tropeços).
4. Série animada de Diablo na Netflix
Um dos grandes anúncios da BlizzCon 2026 foi que Diablo receberá uma adaptação em série animada na Netflix. A novidade foi revelada pela presidente da Blizzard, Johanna Faries. Apesar de parecer algo simples, isso significa que a produtora está tentando expandir suas marcas, que já têm uma qualidade fantástica quando o assunto é animação.
Vale lembrar que estamos na era de ouro das adaptações de jogos, após décadas recebendo material cinematográfico de cunho duvidoso. Basta ver o exemplo de Cyberpunk: Mercenários, que alavancou o RPG da CD Projekt e fez crescer o interesse pelo jogo após um lançamento catastrófico.
3. Renascimento dos jogos
A Blizzard também tem se esforçado para manter seus lançamentos atualizados. Um exemplo disso é o retorno de Heroes of the Storm, que recebeu uma nova heroína após enfrentar um hiato severo de sete anos devido ao remanejamento da equipe de desenvolvimento e à falta de investimento no MOBA.
Outro jogo que passou por poucas e boas foi Warcraft III: Reforged, que receberá uma nova campanha do Reino Esquecido pela primeira vez em 23 anos. A novidade virá acompanhada de um pacote massivo de atualizações que promete uma grande melhoria gráfica e a reformulação de ferramentas como o editor de mundos.
2. Overwatch perde o "2"
Mas não é só de BlizzCon que vive o bom momento da Blizzard. No início deste ano, a produtora anunciou uma reformulação em Overwatch 2. O lançamento da sequência do hero shooter foi conturbado, com direito ao cancelamento total do conteúdo PvE prometido, mudança para o modelo free-to-play e monetização agressiva.
A Blizzard entrou numa crise de imagem pública por essa e outras decisões, como acabar com a Overwatch League, um importantíssimo ativo para a comunidade do hero shooter. Além de perder o "2" no título, Overwatch também contou com rebranding de interface, adição de heróis e reformulação na jogabilidade. Logo após o anúncio das mudanças, o jogo bateu o maior pico de jogadores da história no Steam e mantém números positivos até hoje. Isso mostra como a empresa está disposta a mudar, mesmo com tropeços retumbantes, como em Overwatch 2.
1. Lineup de jogos até 2030
Por fim, o que faz uma produtora de games se mover são os jogos, e a Blizzard promete mundos e fundos até pelo menos 2030. A começar por Diablo V, jogo anunciado para 2039 que marcará o retorno do vilão Diablo em um mundo pós-apocalíptico.
Outro lançamento de peso será um novo jogo baseado no universo de StarCraft. Contudo, em vez de um RTS clássico, a produtora optou por trazer um jogo de mundo aberto em primeira pessoa. StarCraft chegará em 2030. Por fim, a Blizzard pretende trazer uma nova experiência de WoW em 4 de novembro com World of Warcraft: Forever.
Apesar de pontos e anúncios positivos, há muito chão pela frente para que a Blizzard retorne ao seu posto de 'desenvolvedora lendária'. Ela não pode vacilar com os novos lançamentos, ao passo que precisa reformular sua estrutura para criar condições saudáveis para os desenvolvedores.