Rogue Trooper Redux é a remasterização que os fãs merecem [Análise]

Por Eduardo Hayashi | 17 de Outubro de 2017 às 13h54

A era conhecida como a sexta geração dos games ficou marcada pela transição e evolução das boas ideias que os jogos até então podiam oferecer, com mecânicas mais sofisticadas e complexas, sendo que muita delas serviram de base para muito do que é tido como fundamental nos jogos mais recentes.

Rogue Trooper, do estúdio Rebellion, originalmente publicado em 2006 para PC, PlayStation 2 e Xbox, pode ser analisado claramente como um reflexo de muitos elementos de títulos de ação em terceira pessoa que surgiram exatamente nesta época; e, por mais que ele não tenha inovado em nenhum aspecto, a junção do conjunto de boas ideias na parte de jogabilidade e a ambientação baseada na HQ fizeram com que o jogo se tornasse um clássico dentro do gênero de ação em terceira pessoa.

Eis que, após 11 anos, o game retorna em sua versão remasterizada. Rogue Trooper Redux traz de volta o game de ação icônico, oferecendo gráficos renovados e ligeiros refinamentos na parte dos controles. Mas a pergunta que não quer calar é: será que vale realmente a pena jogar? Chega mais e confira a nossa análise!

Assista Agora: Saiba quais são os 5 maiores problemas das empresas brasileiras e comece 2019 em uma realidade completamente diferente.

Inspirado em um dos universos apresentados pela revista em quadrinhos de ficção científica britânica 2000 AD, Rogue Trooper é ambientado no inóspito planeta de Nu-Earth e é protagonizado por Rogue, o último sobrevivente de uma espécie de soldados geneticamente alterados (também conhecidos como GI, ou Genetic Infantryman), que foi convocado ao lado de seus parceiros em uma emboscada que ficou conhecida como "O Massacre de Quartz Zone".

Ao serem derrotados em combate, os GIs são capazes de transferirem a sua consciência para chips implantados em suas nucas, que, por sua vez, podem ser utilizados em equipamentos de outros soldados, criando, dessa forma, uma ligação simbiótica entre os membros da tropa de soldados azulados.

O exército de um homem só

Após ver cada um de seus companheiros à beira da morte, Rogue decide implantar o chip de cada um deles em seus aparatos bélicos, e esses serão os seus principais aliados em sua jornada por vingança ao longo do game. E é exatamente neste aspecto que o game começa a ficar interessante.

Quando os chips de seus aliados são conectados a cada um dos seus equipamentos, Rogue consegue aproveitar a habilidade de cada um deles para executar funções específicas. Gunnar é responsável por prover assistência de mira e pode ser utilizado como uma sentinela automatizada, Bagman realiza o aprimoramento dos equipamentos e armas e é capaz de criar munições e suprimentos, enquanto Helm cuida da parte de conselhos táticos e garante habilidades únicas para distrair os inimigos.

A junção destas principais mecânicas de jogo acabam resultando em uma experiência de ação tática, em que é possível utilizar diversas estratégias diferentes para eliminar os inimigos, seja por meio de furtividade, utilização de bombas controladas a distância, hologramas de distração, entre diversas outras abordagens possíveis.

Além disso, outro aspecto de jogabilidade peculiar que Rogue Trooper possui é a de coleta de recursos. Em vez de pegar armas e cartuchos balísticos no chão, Rogue pode obter pontos ao vasculhar inimigos derrotados e utilizar os créditos para gerar munição, efetuar upgrades em armas de fogo e até mesmo criar itens de cura.

Ambientação e trilha sonora

Rogue Trooper carrega toda a ambientação da HQ original, retratando um universo futurista rodeado de guerras e conflitos entre duas grandes facções de humanos. Planetas desolados, naves de combate, embarcações blindadas e muita explosão são só um pequeno pedaço dos detalhes que foram fielmente reproduzidos dos quadrinhos para os games.

Porém, ao visitar algumas das fases, não podemos deixar de notar o design pouco criativo de alguns mapas, aproveitando de forma superficial os diversos tipos de habilidades que o protagonista possui, o que acaba resultando em um shooter quase descerebrado em que o desafio, na maior parte dos casos, é apenas mirar e atirar nos inimigos, sem a necessidade real de criar estratégias mais elaboradas.

Quanto à trilha sonora, o game cumpre o seu papel, com músicas e ritmos militares com aquele jeitinho futurista dos filmes dos anos 80, que combinam muito bem com as situações de ação frenéticas do jogo, mas que não chegam a ser memoráveis em todo o seu conjunto.

Experiência renovada

Se há um aspecto em que Rogue Trooper Redux não deixa a desejar é em sua parte gráfica. A remasterização do visual foi muito além de um simples processo de upscaling, com modelos dos personagens e cenários altamente detalhados de encher os olhos.

E não é só isso, pois a parte de iluminação também foi melhorada, apresentando efeitos mais dinâmicos que realmente atualizam a apresentação de um jogo de 2006 para os padrões atuais.

Já na parte de controles, os comandos do game foram ligeiramente alterados para garantir uma movimentação e mira mais fluidas. O acesso a determinadas funções e mudança de equipamentos também sofreram mudanças no layout para descomplicar algumas ações.

Por fim, para estender um pouco o tempo de jogatina, o multiplayer de Rogue Trooper Redux retorna com partidas online cooperativas com até 4 participantes. Existem também alguns modos de desafios extras para um jogador.

Vale a pena?

Rogue Trooper Redux faz um bom trabalho no sentido de oferecer uma versão repaginada do game original, caprichando muito nos aspectos visuais e respeitando muitos a personalidade da obra em quadrinhos na qual o game foi inspirado.

A respeito da jogabilidade, o game aposta muito em suas propostas variadas de mecânicas de tiro e gerenciamento de equipamentos e habilidades, que até funcionam em um primeiro momento, mas que não se sustentam tão bem ao longo das 13 missões da campanha Single Player.

Apesar dos pesares, Rogue Trooper Redux, ainda assim, é uma boa pedida para os antigos fãs do game e para pessoas que apreciam jogos de ação em terceira pessoa com altas doses de explosões e tiros. Revisitar o jogo com os visuais detalhados certamente vai trazer momentos de pura nostalgia para quem já gostava do título clássico.

Rogue Trooper Redux foi analisado com cópia digital gentilmente cedida pela Sony Music Brasil ao Canaltech e está disponível para PlayStation 4, Xbox One e Nintendo Switch.

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.