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Review Saros | Acessível, frenético e viciante: o novo acerto do PlayStation

Por  • Editado por Jones Oliveira | 

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Edição/Gabriel Cavalheiro, Canaltech
Edição/Gabriel Cavalheiro, Canaltech

Em 2021, o estúdio finlandês Housemarque lançou um dos primeiros exclusivos first-party do PlayStation 5: Returnal. Cinco anos depois, o ciclo se repete e a desenvolvedora agora trouxe uma experiência familiar para quem explorou o planeta Atropos. Saros veio com a promessa de tornar o bullet-hell mais acessível e divertido. Será que o estúdio conseguiu cumprir com a proposta?

Pros

  • Recursos que tornam a experiência menos frustrante
  • Movimentação fluida e precisa
  • Modo Eclipse que vira o jogo de cabeça para baixo
  • Ação frenética e desafio elevado
  • Visuais de tirar o fôlego
  • Gun-play satisfatório
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Contras

  • Captura facial dos personagens in-game
  • Interações com personagens um pouco confusas
  • Pode exigir grinding de recursos para progredir
  • Design de inimigos repetitivo

Antes de mais nada, Saros é um shooter roguelite em terceira pessoa com temática sci-fi pesada. Nele, controlamos Arjun Devraj, um executor em uma missão no planeta metamorfo Carcossa a mando da corporação Soltari. Seu principal objetivo é encontrar três expedições desaparecidas do programa Echelon.

Saros tem um foco muito grande em ação frenética, ao passo que abandona os traços roguelike de seu antecessor e abraça elementos de roguelite menos punitivos. Embora não seja uma sequência direta, o novo título da Housemarque reusa certos elementos de Returnal, mas introduz mecânicas, como o Escudo de Energia, que fazem com que a aventura de 2021 pareça séculos atrasada.

Saros é um grande salto

Saros deixou claro que queria se afastar um pouco de Returnal em seus primeiros trailers. Um dos primeiros recursos revelados pela desenvolvedora finlandesa foi a Segunda Chance. A mecânica permite que Arjun Devraj retorne à ação após perder sua barra de vida pela primeira vez em um ciclo.

Embora a Segunda Chance facilite um pouco a vida em Carcossa, a estrela de Saros é, com certeza, o Escudo de Energia. Essa tecnologia Soltari é capaz de absorver projéteis azuis e transformá-los em energia para usar sua habilidade especial.

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"Embora seja uma referência distante, o sistema me lembrou um pouco da mecânica de polaridade de Ikaruga" - Gabriel Cavalheiro

Testar um pouco de Returnal depois de se acostumar com o Escudo de Energia de Saros é uma experiência bem torturante. Esta é uma daquelas mecânicas que precisam acompanhar qualquer jogo nessa pegada, por ter se encaixado tão bem e de forma natural.

Explorando Carcossa com um arsenal de recursos

Saros é, em primeiro lugar, um shooter bullet hell. Ou seja, espere uma ação frenética e momentos que não permitem um segundo de respiro. Progredir em Carcossa é muito semelhante ao que foi visto em Returnal. Todos os cenários do jogo têm uma linearidade que vai mudando a cada morte.

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Certos cenários oferecem uma exploração um pouco mais livre, mas nada próximo de um mundo aberto ou "open bairro". Eles alternam entre momentos de coleta de recursos e aprofundamento da lore com as lutas contra hordas de inimigos. Os embates acontecem em arenas fechadas em que precisamos eliminar todos os inimigos da área para prosseguir.

Esses trechos são acompanhados de momentos nos quais precisamos desviar de armadilhas, projéteis e lasers. Não se assuste se você tiver que pular por algumas plataformas 3D, pois a movimentação aqui não é nada má. Ao longo desta análise, irei comparar o shooter da Housemarque com jogos como DOOM Eternal, por toda a estética visceral alienígena combinada com alta tecnologia.

"Lembro que no FPS da id Software havia muitas seções de plataforma que, na minha opinião, atrapalhavam um pouco o ritmo do jogo. O DOOM Slayer não é um acrobata ou corredor, mas sim um tanque de guerra." - Gabriel Cavalheiro
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Felizmente, fazer movimentos mais rápidos e precisos não é nenhuma tarefa de outro mundo para Arjun Devraj. O personagem é rápido, responsivo, a esquiva ajuda muito e fazer movimentos complicados nas plataformas em terceira pessoa é bem mais preciso.

É estranho como Saros internaliza tão bem essa movimentação que você nem vai pensar em movimentar o boneco; fará isso de forma automática e intuitiva enquanto enfrenta chuvas de projéteis. No entanto, fica difícil se locomover por Carcossa em cenários tão lindos e arquiteturas alienígenas gigantescas e ameaçadoras.

Os cenários gerados proceduralmente em Saros são bem agradáveis e bonitos, nada extraordinário, mas há alguns takes dignos de captura. Eles são acompanhados pelo símbolo do eclipse amarelo que vemos em todo o decorrer do jogo, seja olhando para o céu ou simbolicamente em devaneios de Arjun.

O Ciclo do Amarelo

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Diferentemente do título de 2021, no qual precisávamos voltar do início toda vez que Selene encontrava seu fim, Saros permite que possamos retornar ao bioma em que paramos nos ciclos. Não precisamos zerar todos os cenários de uma vez só, o que é menos frustrante. É possível voltar para qualquer área desbloqueada pelo protagonista, sem a necessidade de passar por todo o sofrimento novamente.

Sempre que morremos, retornamos à Passagem, onde podemos conversar com outros integrantes da Echelon IV, progredir narrativamente e, principalmente, evoluir as habilidades de Arjun.

Saros conta com uma árvore de habilidades permanentes acessível a partir do Primário, a voz da Soltari em Carcossa. Essas skills permanentes podem ser evoluídas por meio dos recursos lucenita e serenidade.

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A árvore de habilidades não só torna a progressão mais agradável como naturaliza a morte como parte do processo de progressão. Isso encoraja o jogador a desbloquear novos bônus e voltar para a ação quase que de forma automática.

Saros facilita de um lado e dificulta do outro

O mais interessante de Saros é que a Housemarque conseguiu tornar um bullet hell muito acessível e atraente, mas sem deixar a dificuldade brutal de lado. Saros é um jogo com uma dificuldade razoavelmente elevada, ainda mais com seus chefes cheios de padrões capazes de lançar centenas de projéteis e preencher a tela.

Essa dificuldade parte principalmente do modo Eclipse. No decorrer dos níveis, Arjun encontra um totem alienígena que corrompe o mundo de Carcossa e torna os cenários e os inimigos bem mais hostis.

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No Modo Eclipse, as criaturas são mais agressivas e, em vez de lançarem projéteis azuis (que são absorvidos pelo escudo de energia), usam ataques amarelos, provocando corrupção e reduzindo a barra de vida do protagonista ao atingi-lo. Apesar dos níveis ficarem mais difíceis, as recompensas são melhores e alguns locais só são acessíveis neste modo.

"O Eclipse de Saros é a assinatura do jogo e torna as coisas bem mais caóticas do que já são." - Gabriel Cavalheiro

Arsenal alienígena de Saros dá conta

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Para enfrentar esse e outros perigos, precisamos coletar artefatos com o passar das fases. Esses itens concedem bônus de status a Arjun e, na maioria das vezes, trazem melhorias para armas e habilidades.

No entanto, assim como os Parasitas de Returnal, os artefatos trazem algum malefício durante o Modo Eclipse, seja dano de queda, perda de lucenita ou armas que travam ao receber dano etc.

Uma das maiores dificuldades de shooters atuais que apelam para temas menos pé no chão é trazer armas criativas que realmente sejam interessantes de usar e que não fiquem jogadas no inventário pegando poeira. Saros é muito bem-sucedido aqui ao oferecer uma variedade de armas enxuta, mas com variações muito bem-vindas.

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Todas essas armas possuem um disparo principal e outro secundário, além de variações que mudam a forma como as usamos. Elas também possuem certas passivas que podem variar dependendo do nível e da variedade da arma. O gun-play de Saros é bem prazeroso e combina demais com o ritmo frenético e de precisão que Carcossa exige.

Outro ponto em que os jogadores podem tentar facilitar a vida nos ciclos é por meio dos Modificadores Carcosanos. Com eles, Arjun pode começar a run com certos benefícios, como ataques mais fortes, remoção de malefícios dos artefatos etc. No entanto, o jogo obriga a balancear a jornada com modificadores que geram desvantagens.

O que não funciona em Saros

Saros apresenta cutscenes muito bem-feitas, verdadeiras obras de arte com modelos de personagens muito bons. Infelizmente, isso muda quando estamos interagindo com os companheiros de Arjun in-game. Os modelos faciais são sem vida e até robóticos, contrastando negativamente com os belos cenários.

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A história que a Housemarque pretende contar pode parecer um pouco confusa, bem como as interações e os diálogos com os personagens. Um bom exemplo (cuidado com os spoilers) é que uma pessoa importante na trama morre e demora alguns ciclos para que haja uma interação sobre esse acontecimento com outros personagens. É como se nada tivesse acontecido, apesar da própria história dar uma importância enorme à morte do personagem.

Não me entenda mal, os diálogos são muito bem escritos e a história é passada tanto de forma factual como filosófica, mas o jeito e os momentos em que são inseridos são um pouco confusos. Certifique-se de gostar de ficção científica pesada antes de colocar as mãos em Saros.

"A temática do jogo é densa e imersiva, mas pode afastar quem só quer dar tiros a esmo (felizmente, não é o meu caso)." - Gabriel Cavalheiro

Outro ponto negativo é que senti muita dificuldade em progredir na árvore de habilidades do título. Alguns upgrades exigem uma quantidade enorme de lucenita ou serenidade, demandando um pouco mais de grind, o que, convenhamos, não é o objetivo central do jogo.

Há certos momentos em Saros em que tantos inimigos tentam atacá-lo ao mesmo tempo que fica difícil identificar quem é quem. O design de boa parte deles é bem parecido, o que dificulta ainda mais a identificação. Neste ponto, acredito que Returnal é mais bem-sucedido em entregar bons designs.

Saros Vale a Pena?

Saros é um shooter muito consistente, com poucos deslizes e que prioriza, acima de tudo, a gameplay. A Housemarque conseguiu aprimorar o que já era excelente em Returnal e consertou pontos críticos, como a parte roguelike, sem exagerar ou deixar o jogo maçante. Mecanicamente falando, tudo é apresentado no momento certo, o que é muito bom, já que sobra tempo para destroçar os inimigos.

Apesar de todo o amparo de recursos que tornam Saros mais convidativo, este é um jogo bem difícil no começo e que fica ainda mais intenso no final. Não chega a ser frustrante, mas muito provavelmente, você ficará preso em certos níveis e chefes por horas a fio.

Saros não é perfeito nem o melhor título de ação que existe, porém, entrega uma experiência sólida, divertida e viciante, com belos gráficos e recursos que facilitam as missões em Carcossa sem banalizar o desafio.

*Saros foi avaliado em cópia digital gentimente cedida ao Canaltech pela PlayStation Brasil