Review Esquadrão 51 Contra os Discos Voadores | Jogo nacional com personalidade
Por Felipe Demartini • Editado por Jones Oliveira |

Esquadrão 51 Contra os Discos Voadores é uma volta ao passado, em mais de um sentido. Logo de cara, somos presenteados com um estilo dos mais peculiares, com uma maravilhosa inspiração na ficção científica dos anos 1950 que aparece aliada a um gênero, igualmente, antigo. O velho estilo de “navinha” ressurge aqui em um título dos mais carismáticos, em mais uma pérola indie da nossa indústria de games.
Lançado em 2022 para os PCs, o jogo dos gaúchos da Loomiarts retrata uma invasão alienígena um bocado diferente, outro elemento inusitado para um shoot ‘em up, como é chamado o estilo. Aqui, o domínio interplanetário veio devagar, por meio de alianças e receptividade, até que a humanidade acabou escravizada em fábricas, sob o jugo de uma grande corporação. Conversa um pouco com a nossa realidade, mas com um olhar voltado totalmente para o passado.
Esquadrão 51 Contra os Discos Voadores chega agora ao Nintendo Switch, inaugurando uma promessa de aterrissar em todos os consoles de mesa. É um game que merece ser prestigiado, pela arte que apresenta e também por manter vivo e da melhor forma possível um dos gêneros mais desafiadores e divertidos dos primórdios da indústria de games, em um dos títulos nacionais mais inspirados da história recente.
Mais forte a cada derrota
A personalidade está em todos os elementos do game. Logo de início, somos apresentados a uma breve cutscene que exibe a história inicial e nos apresenta ao esquadrão do título, a última linha de defesa de uma rebeldia que parece incapaz de fazer frente à ditadura camuflada dos alienígenas. Um desequilíbrio de forças que também se reflete na jogabilidade.
Temos um jogo absolutamente desafiador, que vai exibir não apenas tiros certeiros mas um bom uso das habilidades especiais. Ao contrário do que normalmente acontece em games do gênero, também é possível trabalhar com a colisão com outras naves ou os disparos, seja para evitar o pior ou garantir um item que vai dar uma vantagem mais adiante. As decisões estão sempre acontecendo, com o jogador tendo milésimos de segundo para aproveitar uma brecha ou agir ofensiva ou defensivamente.
Você vai morrer, muito, mas a cada nave detonada, voltará mais forte. Isso porque Esquadrão 51 Contra os Discos Voadores traz também um interessante sistema de upgrades, que são habilitados mesmo que o jogador não termine as fases. A cada começo ou reinício de estágio, é possível atribuir habilidades especiais a slots que também vão sendo desbloqueados durante o avanço e que acabam permitindo a criação de estratégias e facilitando o progresso.
É também um elemento que demonstra a maestria no gênero, pois não estamos falando apenas de vidas extras, energia maior ou novas armas especiais. É possível trabalhar com a zona de colisão das naves, para passar por espaços mais apertados, ou aumentar a resistência a determinados tipos de disparos inimigos, além de configurar os tiros para saírem da parte de frente ou traseira da aeronave.
Isso permite que o jogador não somente crie seu próprio estilo de jogo, mas também se adapte aos diferentes desafios propostos pelo game. Em uma das fases posteriores, por exemplo, entramos em uma caverna a bordo de um grande bombardeio, o que faz com que a redução na zona de colisão da nave seja providencial; em outra, a tela é tomada por naves inimigas que impedem a passagem, fazendo com que ter duas bombas, em vez de uma, facilite muito o percurso.
Trata-se, ainda, de uma medida de evolução. A cada morte, há a ideia de que podemos fazer mais ou melhor, mudando atributos ou, talvez, agindo de uma maneira diferente. O mais divertido é que Esquadrão 51 Contra os Discos Voadores, ao mesmo tempo em que possibilita isso, também nos surpreende com algo novo logo na sequência, para mudar tudo.
Na versão Switch, mais especificamente, usar o modo portátil pode não ser a melhor das experiências, já que a quantidade de coisas na tela pode fazer com que seja difícil enxergar o que se está fazendo no display diminuto. No restante, nada a declarar, com exceção de travamentos de poucos segundos durante os carregamentos de fase que darão a impressão de um bug no game, até que você perceba que é assim mesmo e não se incomode mais quando eles acontecerem.
Cabos, explosões e efeitos práticos
Durante todo o tempo, temos a sensação de estarmos jogando um filme que faria Ed Wood ou Orson Welles se orgulharem. Mais do que apenas uma referência ou recorte visual, o jogo da Loomiarts abraça o estilo antigo de maneira extremamente carinhosa, com mesmo as cenas de jogabilidade sendo como frames de um longa dos anos 1950, com direito a modelos de naves e discos voadores, explosões feitas com pólvora e visuais de uma época em que nem se pensava em computador.
Ajuda, com certeza, a presença de uma produtora de filmes na coprodução. A Fehorama aparece ao lado da desenvolvedora no comando de Esquadrão 51 Contra os Discos Voadores e, também, com ótimas cenas com atores de verdade que abrilhantam o projeto ainda mais. Vale a pena citar que a integração é tamanha que o título efetivamente rompeu barreiras entre filme e game, podendo ser jogado, como fizemos, mas também exibido de forma editada, como um longa-metragem, como aconteceu em algumas exibições especiais após o lançamento.
Um elenco vindouro do teatro entrega uma atuação também à moda antiga, e chama a atenção o fato de os próprios atores dublarem seus personagens na versão em inglês. Jogar o título em nosso idioma, claro, traz um charme à parte, ainda que o game não necessariamente invista em cenários que remetem ao nosso país — ou a qualquer outro, a bem da verdade.
Vale a pena jogar Esquadrão 51 Contra os Discos Voadores?
São vários os motivos para experimentar o título e você pode escolher o seu preferido. Seja pela jogabilidade apurada, que representa o melhor do estilo shoot ‘em up, ou pelas influências do velho cinema de ficção científica dos anos 1950, ou pelo fato de termos aqui um dos melhores exemplares da indústria de jogos independentes brasileira nos últimos anos.
Junte tudo isso e temos um game cheio de carisma e personalidade, que diverte e desafia na medida certa. O título é mais confortável em uma TV ou monitor grande, mesmo em sua versão Switch, com a chegada aos consoles permitindo que mais e mais gente tenha acesso a essa pérola que merece ser prestigiada. Vida longa ao Esquadrão 51 e boa sorte no combate.
Esquadrão 51 Contra os Discos Voadores foi testado no Nintendo Switch padrão, em cópia digital gentilmente cedida pela WhisperGames.