Review Crisol: Theater of Idols | FPS com mecânica de gameplay inovadora
Por Raphael Giannotti • Editado por Jones Oliveira |

Até minhas primeiras impressões com a prévia de Crisol: Theater of Idols, eu nunca tinha ouvido falar no jogo. Ele é o primeiro game do novo estúdio espanhol, Vermila, e publicado pela Blumhouse Games. O jogo foi feito por cerca de 20 pessoas e podemos até considerá-la uma produção independente, mas com um toque de título AA pela qualidade em geral.
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Crisol: Theater of Idols é um jogo em primeira pessoa, de terror (segundo os desenvolvedores), com ambientação e história inspirada em crenças e folclore da Espanha. O game foi feito na Unreal Engine 5 e foi testado no PC, então além de abordar questões gerais do jogo, também vou falar do que esperar em nível de otimização.
Prós
- Mecânica de munição com sangue é muito interessante
- Ambientação realmente bonita
- História com um plot final intrigante
- Bem otimizado para um jogo em UE5
- Bom level design nos diferentes cenários
Contras
- Mundo morto, sem qualquer interação
- Quantidade exagerada de puzzles com difícil resolução
- Diversos bugs pequenos de gameplay e nos visuais
- Narrativa desinteressante no meio do caminho
- Prometeram terror, mas eu não vi terror
Uma Espanha bizarra
Mesmo sem jogar Crisol, pelos trailers dá para perceber que a ambientação é gótica e sombria, com estruturas de séculos atrás, baseado no que a Espanha oferece. Na verdade, o jogo "é uma versão sinistra da Espanha". Tudo se passa em uma ilha, e quem chega nela com um objetivo é Gabriel, um soldado que segue a religião que adora o deus do sol. O local que ele precisa explorar adora outra coisa: o mar. Nisso já existe uma trama de conflitos religiosos.
A jornada leva entre 15 e 20 horas, dependendo de um aspecto muito importante que detalho mais abaixo. Gabriel está sempre conversando por rádio com pessoas, vendo "fantasmas" de eventos passados que ocorreram em diversos pontos diferentes, além de algumas cutscenes (não são muitas) que focam em outros personagens. Assim como vários jogos, documentos expandem a narrativa.
Eu joguei o game em inglês e a dublagem do protagonista é muito boa, mas não dá para dizer o mesmo de outros personagens. Um deles, que conversa com você o tempo todo, tem uma voz e o jeito de falar um tanto irritante e totalmente contrastante com a proposta do jogo. Estamos falando de um game que se passa na Espanha, com arquitetura medieval com moderno (já que o game se passa nos anos 80), e esse personagem tem um sotaque mega "americanizado" que destoa muito da ambientação. Curiosamente o dublador de Gabriel também parece ser americano, mas sem sotaque e jeito de falar exagerados.
Eu sou chato com isso. Quando joguei Chronos: The New Dawn, uma das minhas reclamações foi atores americanos dando vozes à personagens poloneses, sem pelo menos um sotaque da Polônia sequer, super artificial. Olhe para Roger Craig Smith, um americano que aprendeu o sotaque italiano para interpretar o icônico Ezio Auditore de Assassin's Creed. É pedir muito?
Level design atraente em um mundo morto
Enfim, Crisol: Theater of Idols tem uma história que até pode fazer você perder o interesse no processo, mas se torna curiosa na reta final. Em relação ao mundo do jogo, o game tem um hub, por onde você acessa as diferentes áreas do game. Apesar de ser possível jogar o game por 20 horas, não são tantas áreas diferentes assim.
A maior parte dos cenários são prédios antigos, ruas de vilas, ambientes internos, que são bastante detalhados, vale destacar. Temos também fábrica, cavernas e outros cenários. O game é bonito, esse é um benefício da Unreal Engine 5. Os interiores são bastante detalhados, com texturas de alta resolução, sombras convincentes, um belo trabalho nesse aspecto.
A beleza do jogo e a mecânica de munição de sangue são os maiores pontos positivos de Crisol: Theater of Idols - Raphael Giannotti
Aliado a isso, o level design dos diferentes cenários também merece elogios. As regiões vão se conectando (entre cada cenário acessível pelo hub, vale ressaltar) de uma forma que faz sentido. Mas existe um ponto bastante negativo: todo o mundo é vazio e sem vida. O protagonista nem mesmo reage a algumas coisas novas acontecendo ao seu redor.
Tudo é bonito e bem feito, mas a interação com o mundo é zero. Não é possível interagir com nada, com exceção de algumas caixas que podem se quebradas, latas de lixo e caixas registradoras que podem ser abertas. Tudo para conseguir dinheiro ou vida. Sim, já que o game não tem munição comum, você sempre coletará esses dois itens repetidamente. Eu ainda vou além: não é possível quebrar coisas pelos cenários e não existe física quando você encosta em algo que poderia reagir caindo ou balançando. Tudo é estático.
Gameplay básico, mas com um destaque
Crisol não inventa a roda em gameplay e entrega o tradicional shooter em primeira pessoa, onde é possível atirar com as diferentes armas de fogo e atacar com uma faca que perde o fio e precisa ser afiada. Sim, bem básico. Porém o destaque, eu até diria que o maior destaque do jogo, está na mecânica de usar o sangue do protagonista como munição.
Ao chegar na ilha, Gabriel "recebe" um poder de seu deus e ele tem a ver com a manipulação do sangue. Para si, ele usa para transformar as diferentes armas em equipamentos especiais que usam seu sangue como munição. Isso deixa a dinâmica do jogo bastante interessante, já que você precisa gerenciar sua vida por dois fatore: munição das armas e danos dos imigos.
Se você só recarrega suas armas, em algum momento vai ficar a beira da morte e basta um tapa dos inimigos, que morrerá. Para repor a vida, é possível usar seringas com sangue em uma quantidade limitada, que pode ser aumentada com a progressão do personagem. Além disso, é possível extrair sangue de humanos e animais mortos espalhados pelos cenários, algo extremamente essencial, ainda mais na dificuldade maior.
Tem um jogo nesses puzzles
Progredir pela ilha de Tormentosa é literalmente um tormento por conta da grande quantidade de quebra-cabeças. O primeiro capítulo, principalmente, é o pior deles nesse aspecto. Os primeiros puzzles são muito difíceis de serem decifrados, mesmo com as dicas através de documentos. Confesso que dois deles passei na pura sorte porque não entendi o que fazer.
Em um breve momento, os puzzles iniciais me desanimaram bastante - Raphael Giannotti
Existe quebra-cabeça de todo jeito, alguns são realmente fáceis, mas outros vão exigir muita paciência de você. Eu levei 19 horas para terminar o jogo na dificuldade normal, e posso garantir para você que fiquei preso por quase 4h nos puzzles. Talvez por se inspirar tanto em Resident Evil, os desenvolvedores quiseram seguir um caminho parecido, mas Crisol realmente quer quebrar sua cabeça. Como se não bastasse a dificuldade, são VÁRIOS deles.
Desempenho e bugs
Eu rodei o jogo em uma RTX 5070, com um Core Ultra 9 285K, 32 GB de RAM e SSD. O jogo estava configurado em 1440p, no máximo e o upscaling da Intel (XeSS) no modo qualidade. Consegui manter os frames quase o tempo todo acima de 60 FPS, já que algumas cenas pesadas com chuva derrubava o desempenho. Tirando isso, foi possível ficar em 80 FPS a maior parte do tempo. Por isso eu o considero um jogo bem otimizado.
Eu tive pequenos bugs em minha experiência, como voltar ao jogo depois de um Alt+Tab e os gráficos quebrarem a um ponto que era preciso reiniciar o game; upgrade das armas infinitos que não precisavam gastar um centavo; problemas de colisão; ausência de áudio, entre outros. Mas esse é o preço que se paga por jogar um game antes do lançamento, quase todos são assim. Os desenvolvedores já garantiram que boa parte desses problemas serão corrigidos para o lançamento.
Vale a pena jogar Crisol: Theater of Idols?
Eu me diverti com o jogo no gameplay de ação, porque os puzzles realmente me fizeram passar raiva. Mesmo com a repetição constante dos inimigos, e o principal deles ser bem burro, foi divertido em geral. Além disso, prometeram terror, mas eu não vi nem um vestígio de terror, então os desenvovledores ficaram devendo nesse aspecto. Em geral, acredito que para um primeiro jogo, o Vermila Studios entregou um jogo bastante sólido e eles têm potencial de elevar o nível numa próxima empreitada.
Ele ainda precisa de melhorias de desempenho, suporte ao NVIDIA DLSS e AMD FSR, um New Game+ (já que não é possível usar a última arma adquirida sem um NG+), mas essas coisas devem ser implementadas em breve. E custando apenas R$ 54,99 na versão de PC, eu acho que vale a pena pelo que o jogo entrega.
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