Review 007 First Light | Espionagem clichê, mas cheia de coração
Por Diego Corumba • Editado por Jones Oliveira |

Os fãs esperaram mais de 14 anos para ver James Bond voltar aos videogames, algo que finalmente foi atendido por 007 First Light — título da IO Interactive que conta a origem do espião mais amado de todos os tempos.
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Com a mistura de stealth com ação/aventura, vemos o agente secreto da MI6 dar seus primeiros passos e conquistar o tão aclamado número. Isso com seus apetrechos tecnológicos, habilidades e, obviamente, com seu charme.
O estúdio de Hitman acerta em vários pontos com 007 First Light: ritmo, gameplay, gráficos e toda a construção do personagem. Ainda que muitos clichês sejam vistos, a experiência surpreende e traz o melhor do herói dos cinemas.
Prós
- Gráfico de ponta
- Mistura de estilos de gameplay foi um ponto alto
- O ritmo da história é fluido e bem estruturado
- Muita liberdade de ação
- A promessa é cumprida: vemos a origem do agente 007
Contras
- Clichês demais dentro da narrativa
Construção de 007 First Light
A melhor definição para o novo jogo da IO Interactive é que a aventura parece ser uma filha entre Uncharted e Hitman. E não há verdade maior que esta: na falta do game da Naughty Dog (que descanse em paz), 007 First Light cumpre seu papel com louvor.
No controle de James Bond, você tem de executar missões ao redor do planeta com o máximo de discrição possível. Obter algum item valioso, dados de um inimigo do Governo ou resgatar ativos importantes são alguns dos objetivos que terá de cumprir para manter a ordem no Reino Unido.
Para isso, vale entrar escondido em uma mansão, se esgueirar atrás de caixas, explodir algo mais distante com seu laser para distrair guardas e coisas do tipo. Quanto menos pessoas o virem, melhor e o sucesso da sua missão estará mais garantido.
Dá para ignorar tudo isso e atirar em tudo que se move, bater em todos na sua frente e abrir caminho na marra? Sem dúvida, mas tenha certeza de que a dificuldade se eleva à milésima potência nestes casos.
“Sempre que chama atenção desnecessária, surge um enxame de inimigos para atacar James Bond e boa sorte em encarar essa horda simultaneamente”, Diego Corumba
O herói não é o Batman para abater 10 inimigos simultaneamente, algo muito comum de acontecer se você fizer muito barulho. Não é impossível concluir assim, mas o nível de desafio é extremamente maior. Logo, recomenda-se usar a inteligência e toda a sagacidade de James Bond no trajeto.
Além de bater, defender e atirar, o agente também pode usar seus gadgets para criar oportunidades únicas. Enjoar inimigos, cegar alvos com laser, o que precisar terá em suas mãos — literalmente, já que todos estão instalados no seu relógio.
Dito tudo isso, o grande destaque é a liberdade de ação que 007 First Light dá a cada jogador. Você pode ir com os gadgets que quiser, agir da forma que preferir e o que importa é concluir a missão: não importa os meios, contanto que complete o que é pedido.
E o game valoriza demais a criatividade. Você pode abrir caminho entre os guardas, pular janelas, subir no telhado e descer pela primeira entrada que estiver disponível entre outras que o jogo permite.
O mesmo vale para os combates. Dá para atirar de longe, mas também pode seguir de “peito aberto” na direção de um inimigo, usar o blefe para enganá-lo e seguir para onde precisa sem qualquer impedimento. Então, pode passar da maioria das missões sem entrar em uma briga sequer? Sim, é possível.
Essa liberdade em 007 First Light faz cada experiência ser única. Mesmo que a história não mude, os jogadores podem fazer missões com diferentes desdobramentos e até descobrir segredos ao atuar de outro modo durante a segunda ou terceira run.
O núcleo de sucesso
Da mesma forma que o gameplay brilha, a história não fica para trás. James Bond começa ainda antes de ingressar no MI6, quando é notado pela agência secreta e convidado a integrar o treinamento para se tornar um espião.
A construção toda da trama, que o leva a herdar o número 007 é muito bem-feita e cheia de momentos eletrizantes. Entre quedas de aviões, perseguições intensas e até situações tocantes, vemos diversos elementos que o transformam no personagem que é visto nos cinemas.
“O treinamento de Bond, logo no início da aventura, é o melhor tutorial que eu já vi na história dos games. Ele se integra muito bem a toda proposta e encanta”, Diego Corumba
Vale destacar que tudo isso ocorre de forma extremamente fluida e dá para acompanhar bem como ele se tornou o maior agente secreto do mundo. Os personagens ao seu redor, o vilão e até mesmo as paixonites que ele encontra não são degraus, mas aspectos importantíssimos dentro deste universo.
Um primor técnico
No PlayStation 5, 007 First Light rodou liso e não senti engasgos nem nas cenas de ação mais insanas. Vários inimigos, carros que chegavam, avião decolando, tiros para todos os lados e vários objetos destrutíveis na tela que agem sem travar ou crashar? Difícil nos dias de hoje, diga-se de passagem.
Graficamente, o jogo não tem defeito algum. Tanto os personagens quanto os cenários impressionam, o que dá uma imersão ainda maior para toda a experiência. Além de ser um ponto alto, ele ressalta bastante do próprio charme de Bond — que é usado à exaustão por quase todo o tempo.
Também surpreende as transições, que te levam de veículos a tiroteios ou túneis sem qualquer tipo de corte. O trabalho da IO Interactive, neste aspecto, beira à perfeição e mostra que a demora e adiamentos fizeram a espera valer a pena.
Uma excelente porta de entrada
007 First Light é uma excelente porta de entrada para a franquia, não apenas por apresentar a origem do espião, mas também por ser um trabalho primoroso do estúdio com o personagem. Exceto por GoldenEye 007 (1997), muitos tentaram e não seria errado dizer que nenhum conseguiu com a mesma maestria.
Se olharmos atualmente, sequer há títulos no mercado para comparar a aventura. Talvez Uncharted 4 (2016) e Hitman III (2021), mas claramente o novo capítulo de James Bond as supera — em mecânicas e tecnicamente. Pode haver controvérsias na narrativa, por algumas características que ela carrega consigo.
“O jogo me deu vontade de começar a ver os filmes de 007, pela primeira vez em toda a minha vida”, Diego Corumba
A história é bem construída, mas não evita os clichês. Na verdade, ela até abusa bastante deles. O mentor que não aceita o aprendiz, o jovem que desafia as autoridades e o modelo “arcaico” do mundo corporativo, o vilão que acredita seguir o caminho certo e tudo mais são vistos em diversas produções hoje em dia.
O lado negativo é que isso torna o jogo muito previsível. Porém, não chato. É possível determinar o rumo que a narrativa vai tomar até que cedo, contudo você se sentirá compelido a acompanhar para ver como isso transformará Bond. Em outras palavras, pode incomodar, mas não será um fator determinante para largá-lo.
No fim das contas, 007 First Light é exatamente o que a franquia precisava. Um jogo AAA que chegou sem prometer tanto e entregou tudo. Os fãs antigos vão sorrir com todas as referências, os novatos compreenderão este universo e terão uma porta aberta para expandir com as dezenas de filmes que existem.
Não estranharia que a franquia criasse raízes e crescesse a partir desta história de origem de James Bond. Agora como agente completo, existem vários caminhos que podem seguir com seus personagens — contanto que saia do “mais do mesmo”, algo difícil de se fazer quando começa a se explorar propriedades intelectuais.
Ainda não é possível estabelecer para onde ele vai, mas 007 First Light foi feito para conquistar todos os tipos de público. Tanto pela ação quanto pelo charme do agente secreto, ele vai te levar para uma aventura inesquecível e com um grande potencial para engrandecer ainda mais toda a saga.


