Reino Unido decide que os jogos devem evitar o uso de loot boxes

Por Rafael Rodrigues da Silva | 16 de Setembro de 2019 às 08h20

Em decisão publicada na última sexta-feira (13), parlamentares do Reino Unido decidiram que jogos de videogame devem evitar vender itens conhecidos como loot boxes com dinheiro real e permitir que esses e qualquer outro tipo de microtransação aleatória só possa ser adquirido através de dinheiro virtual do jogo (aquele que é adquirido enquanto se joga).

O extenso relatório tem como principal objetivo evitar que as crianças sejam expostas desde cedo a um ambiente de apostas, pois o ato de pagar com dinheiro real uma caixa que pode ter uma pequena chance de dar um item super-raro que o jogador está procurando é, segundo os legisladores, uma prática potencialmente análoga a jogos de azar, pois utiliza alguns dos mesmos mecanismos de um jogo de apostas para seduzir e viciar os jogadores.

O documento não chega a nenhuma conclusão absoluta de que loot boxes são mesmo equivalentes de jogos de azar, citando um dos motivos para isso a pouca contribuição da indústria de jogos para que eles possam entender todas as minúcias de como essas mecânicas funcionam, mas, por conta do potencial de essas mecânicas constituírem prática de aposta, os parlamentares julgaram necessário tomar ações preventivas para evitar que o vício em apostas causado por potenciais práticas predatórias da indústria se torne um problema para os jovens.

Essa preocupação vem principalmente do fato de estudos comprovarem que jogadores adultos que já sofrem com vício em jogos de azar acabam gastando quantias exorbitantes de dinheiro nesses sistemas de loot box, comprovando o potencial que elas possuem de ser uma introdução aos jogos de azar para crianças e adolescentes.

O comitê propõe algumas recomendações para as empresas que utilizam a prática em seus jogos — o que hoje é a grande maioria delas, principalmente entre aquelas que desenvolvem jogos para dispositivos móveis. A primeira é de que nenhuma empresa ofereça qualquer tipo de microtransação sem que, antes de o jogador finalizar a compra, revelar a ele quais são todos os itens que podem surgir daquela “caixa surpresa” e a chance, em porcentagem, que o jogador tem de conseguir cada um daqueles itens.

O comitê também recomenda que, em jogos voltados para crianças ou para usuários menores de idade, as empresas não permitam a compra de loot boxes com dinheiro real, disponibilizando a aquisição delas apenas com o tipo de moeda virtual que é conseguida ao se jogar o jogo. Agora, caso a empresa insista na necessidade de compra de loot boxes com dinheiro real, se faz necessário que esses jogos sejam classificados como apropriados apenas para maiores de 18 anos e que a capa do jogo tenha um aviso deixando claro que aquele título possui um sistema de apostas. Há também a recomendação de que criar leis para obrigar as empresas de videogames a compartilharem dados de compra dessas loot boxes com as autoridades locais a fim de melhor identificar se esses sistemas estão mesmo influenciando as pessoas a se viciarem como acontece nos jogos de azar.

O parlamento precisará agora decidir se as recomendações desse relatório irão ser transformadas em leis - o que obrigaria qualquer empresa que pretende vender seus jogos no Reino Unido segui-las - mas essa discussão ainda pode demorar alguns meses antes de um veredito.

Fonte: Business Insider

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