Quando comprar um jogo no lançamento? Veja como fugir do hype e economizar
Por Gabriel Cavalheiro • Editado por Jones Oliveira |

Jogar videogame é uma atividade social. Embora nem todos os jogos contem com o fator multiplayer, a indústria dos games foi construída a partir da interação entre os jogadores, seja comentando trailers, publicando opiniões sobre determinado título ou compartilhando experiências. Tudo isso, e muitos outros fatores, mudam a forma como consumimos e compramos videogames.
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Essa mistura entre paixão, expectativa e pertencimento acaba criando um ambiente onde nos sentimos forçados a comprar ou até a gostar de determinados jogos, mesmo contra a nossa vontade.
Se você acompanha o Canaltech, sabe que o mercado não está muito bom para comprar videogames, sejam jogos ou consoles. Tudo está muito caro.
Exatamente por isso, não podemos nos dar ao luxo de gastar todo o nosso dinheiro suado meramente por hype. À medida que os games se tornam verdadeiros itens de coleção, separamos algumas dicas para você saber quando um jogo vale a compra no lançamento. A ideia não é decidir qual jogo você deve comprar ou não, mas apenas mostrar um caminho para uma melhor decisão.
Vontade real ou FOMO?
Muito se fala sobre o medo de ficar de fora, ou Fear of Missing Out (o famoso FOMO). A sigla se tornou famosa no meio dos games, mas se aplica a muitos outros setores. Ele nada mais é do que o medo de não participar de algo que muitas pessoas comentam ou sobre o qual falam.
É aquele medo de spoilers, pressão de amigos, vídeos no YouTube, análises da mídia, posts nas redes sociais e até bônus de pré-venda que forçam o jogador a comprar títulos no lançamento, mesmo que ele nem tenha interesse no jogo em si, mas quer participar da conversa.
Todas essas situações criam uma sensação de urgência artificial, que nem sempre corresponde aos desejos do próprio jogador. O primeiro passo para saber se vale a pena ou não comprar um game no lançamento é justamente avaliar se você quer jogá-lo ou se apenas não quer ficar de fora da discussão.
O jogo é de uma franquia ou estúdio que você gosta muito? Ou está em um console que você prefere? Você já tem um histórico ou apego com a série? Está animado para a narrativa e as mecânicas desse novo título? Muito provavelmente, esse jogo é para você! Claro que essas e outras questões variam muito de jogador para jogador, ainda mais quando colocamos dinheiro na roda.
No fim das contas, é importante se conhecer e conhecer bem seu gosto e seu objetivo com o game. O melhor dos cenários é que você use seus próprios critérios objetivos para a compra de um novo jogo, evitando, assim, que ele pegue poeira digital em sua biblioteca.
Você vai jogar agora ou só colocar no backlog?
Falando nele, o backlog é um velho inimigo de todo gamer com um tempo de experiência. É muito comum comprar jogos e nem sequer tocá-los, seja um lançamento ou até mesmo aquele título em promoção no qual você não registrou nem 10 minutos na Steam até hoje.
Se você realmente tem a intenção ou até se planejou para jogar um lançamento nos próximos dias ou semanas, comprar no "day one" pode ser uma boa pedida. Do contrário, é muito provável que você deixe o jogo na biblioteca por um bom tempo e ele acabe sendo esquecido por outros lançamentos.
“Ah, mas me planejei para jogar nos próximos meses”. Neste caso, talvez seja uma boa esperar para adquirir o jogo. Você provavelmente pagará mais barato por ele, que, nessa altura, já terá passado por atualizações e correções de problemas. A magia da mídia digital é que a maioria dos jogos dura anos em lojas online; não é necessário lidar com a escassez do mundo físico. Seu jogo não vai a lugar algum!
Avalie o tipo de jogo
Avaliar o tipo de jogo é muito importante para decidir se a compra vale a pena no lançamento. Jogos multiplayer, cooperativos ou que dependam muito da comunidade são do tipo que valem a antecipação. Isso porque esse tipo de título normalmente concentra um número maior de jogadores logo na estreia.
No entanto, cuidado! Nem sempre jogar um game atrelado aos amigos é uma boa pedida. Nesses casos, é necessário definir um horário entre todos, criando-se uma dependência muito grande de terceiros para que você aproveite o título de fato.
Já jogos single-player, narrativos ou de RPG não exigem essa dependência de terceiros e podem, muito bem, ser adquiridos após o lançamento, com preços melhores, versões com menos bugs e mais conteúdo.
Opiniões e reviews fazem a diferença
Você pode até estar muito interessado em um jogo e já ter decidido que quer comprá-lo no lançamento, mas é preciso tomar cuidado com a quebra de expectativa. Todo mundo já "quebrou a cara" com lançamentos, faz parte. Porém, hoje em dia, se decepcionar com um jogo no "day one" pode custar de R$ 300 a R$ 400.
Considerar opiniões de terceiros (sejam análises da mídia ou de seus criadores favoritos) não é uma má ideia. Esqueça as notas, médias e estrelas; o mais importante é focar no recheio do conteúdo da análise. Você se considera um jogador que ama narrativas? O que tal site diz sobre essa parte do jogo? A trama é lenta? Os personagens não têm carisma? Talvez seja uma boa pular fora!
Apesar do estigma, as análises são, no fim das contas, um guia de compra. Esse tipo de conteúdo levanta pontos positivos e negativos, abordando as principais mecânicas e recursos de um jogo para que você avalie se a compra vale a pena. Também pode ser um excelente medidor de desempenho, com vários portais e criadores focados apenas em performance técnica e bugs de determinados títulos.
Lembre-se sempre de que reviews não se resumem às notas que aparecem no rodapé. Não é porque um jogo recebeu avaliação máxima em determinado site que ele é para você — e o inverso também é verdade.
Cuidado com pré-venda, bônus e edições caras
Pré-vendas, bônus e edições especiais são verdadeiras armadilhas para quem avalia se a compra vale a pena no lançamento. São conteúdos que servem para que o estúdio por trás do game lucre um pouco mais.
Para fãs engajados, colecionadores ou jogadores que sabem que investirão dezenas de horas em um título, essas opções fazem sentido. Se você não tem esse nível de apego, talvez seja melhor ignorá-las, principalmente porque costumam ser caras e nem sempre mudam, de fato, a experiência.
Defina como você investe seu dinheiro nos jogos
Talvez a dica mais importante para decidir se vale levar uma cópia no lançamento seja definir como você investe seu dinheiro. Alguns preferem pagar pela quantidade de conteúdo, ou seja, quanto mais horas o jogo oferece, melhor o investimento. Por outro lado, pagar R$ 300 em games de 10h pode não ser atrativo para essas pessoas. Embora essa conta possa falhar (pois quantidade não é qualidade), é uma métrica justa para escolher como gastar seu dinheiro suado.
Outros optam por investir em serviços de assinatura, o que substitui o gasto de R$ 300 em um único título e garante meses de PS Plus ou Xbox Game Pass, por exemplo. Por fim, há quem siga análises e opiniões antes da compra. Essa decisão também tem seus riscos, mas vale mais acompanhar conteúdos opinativos do que gastar com vários jogos de preço cheio e gostar de apenas um por mero impulso.
No fim, a escolha é sua
No fim, a escolha é sua. Há várias formas e métodos para decidir se vale a pena comprar jogos no lançamento, mas a palavra final é sempre do jogador. Cada um tem seus gostos, prioridades e condições financeiras que definem como consumir games.
É sempre importante ressaltar: você não é obrigado a gostar de um jogo só porque todos gostam (ou parece que gostam), nem precisa gastar seu dinheiro com títulos que não curte apenas para não ficar de fora do hype.