Preview | eFootball PES 2020 se apega ao passado para construir o futuro

Por Rafael Rodrigues da Silva | 04 de Agosto de 2019 às 10h30

No começo desta semana, a Konami liberou para os jogadores de PlayStation 4, Xbox One e PC a demo do PES 2020, o próximo jogo da franquia de futebol da empresa, e que também é uma das franquias de futebol mais tradicionais dos videogames.

Para o próximo título, a Konami tem prometido uma série de mudança que, finalmente, iriam colocar a franquia numa briga de igual para igual pelo domínio do mercado de futebol nos videogames com a série FIFA, da EA. Começando pelo nome: agora, o jogo se chama oficialmente eFootball PES 2020, o que deixa claro que a Konami está focando em um futuro nos eSports.

Apesar da demo oferecer pouca coisa em matéria de conteúdo de jogo, é possível notar algumas mudanças no gameplay — mas nem todas elas podem ser bem vistas pelos jogadores.

Gráficos estão ótimos no geral, e mostram que a Konami se preocupou bastante com a fidelidade dos jogadores (Captura: Rafael Rodrigues/Canaltech)

Na demo oferecida pela Konami, estão disponíveis 13 equipes no total, sendo cinco clubes europeus (Arsenal, Barcelona, Bayern de Munich, Juventus e Manchester United), cinco brasileiros (Corinthians, Flamengo Palmeiras, São Paulo e Vasco da Gama) e mais Boca Juniors, Colo Colo e River Plate. Esses times podem ser utilizados pelos jogadores em dois modos de jogo: Amistoso offline (o conhecido “Jogo Rápido”) e Amistoso online.

Nos menus do jogo, deu pra ver que pouca coisa vai mudar. Claro, a cor base é diferente, os ícones são diferentes, mas, no geral, é a mesma organização de qualquer outro jogo da franquia PES, e os fãs não devem ter problemas em navegar pelos menus. Até porque, como em todas as entradas mais recentes, eles estão todos traduzidos para o português.

Os menus de planejamento de jogo também não mudam muito quando em comparação com outros jogos da série, e é possível mudar a escalação, formação, táticas e cobradores do time da mesma forma que nos jogos anteriores, então — pelo menos na demo — não foi possível ver nenhuma novidade nessa área.

Apesar de algumas mudanças visuais, a navegação pelos menus de jogo continua basicamente a mesma (Captura: Rafael Rodrigues/Canaltech)

Uma coisa positiva que pode ser vista ao mexer com a escalação do time no PES 2020 é o fato de todo o elenco dos cinco clubes brasileiros estarem completos com os nomes e rostos reais dos jogadores. Até o título anterior, a escalação dos clubes brasileiros era sempre um problema devido ao fato de a Konami precisar negociar individualmente com cada jogador a utilização do nome e rosto deles no jogo, então era comum que no lançamento mesmo os times “parceiros” da empresa não tivessem suas escalações completas, contando com alguns jogadores de nomes inventados e rostos aleatórios — e apenas meses depois do lançamento as equipes estariam atualizadas com seus jogadores reais.

Como a Konami está apostando bastante no mercado brasileiro para o próximo jogo da franquia, uma das primeiras promessas da empresa é de que esse problema — que já persistia há algumas boas edições do game — iria acabar; pela demonstração, dá pra ver que a Konami está mesmo se esforçando nesse sentido. Tudo bem, são apenas cinco clubes e o jogo completo deverá ter todos os times da Série A e da Série B do Brasileirão, o que aumenta as chances de existirem clubes com a escalação de nomes e rostos aleatórios), mas torçamos!

Escalações dos times brasileiros já estão com nomes e rostos reais, o que é um bom sinal para o lançamento do jogo completo (Captura: Rafael Rodrigues/Canaltech)

Os gráficos do jogo em si pouco mudaram em relação ao anterior, e a principal diferença pode ser vista no tratamento dado ao rosto de cada jogador. É perceptível que a Konami se esforçou para não usar modelos prontos e tornar cada um deles bem diferentes entre si e o mais próximo possível da versão real do jogador. Essa tentativa, ainda que louvável, acaba entregando um resultado meio estranho, onde enquanto alguns jogadores estão realmente idênticos a suas versões reais, outros se encaixam bem na definição de “uncanny valley” e causam uma enorme estranheza sempre que aparecem em algum replay. Um dos casos mais claros é o do meio-campista Hernanes, do São Paulo, que parece que foi baseado em algum meme do tipo shitposting da torcida do clube.

Alguns rostos não se saem muito bem dependendo do ângulo em que são mostrados, e o jogador Hernanes é um desses casos (Captura: Rafael Rodrigues/Canaltech)

Já o futebol do PES 2020 em si é de tirar o chapéu e elogiar pelo realismo. Jogando um clássico Arsenal x Manchester United, o game proporcionou um jogo fluido com muita troca de passes, contra-ataques fulminantes e uma partida muito divertida que terminou em 4x1 para o time da casa.

Mas, no momento que jogamos um São Paulo x Vasco, a coisa mudou totalmente de figura: o jogo ficou travado, com ambos os times perdendo bolas fáceis no meio de campo, errando dribles, não conseguindo acertar passes de dois metros, e o placar foi aberto numa jogada de ataque bizarra que se iniciou em um passe para ninguém e terminou em um gol contra do zagueiro do Vasco após uma saída ainda mais sem sentido do goleiro Sidão. Se a Konami está mesmo querendo conquistar o público brasileiro o caminho é correto, pois nunca sentimos algo tão próximo de estar realmente em um jogo do Brasileirão quanto no PES 2020.

Brincadeiras a parte, o gameplay de PES 2020 se mostra um tanto diferente dos anteriores. Muitos vão jogar e achar ele mais “travado” — principalmente na comparação com os jogos de FIFA e o próprio PES 19 —, mas a nova jogabilidade provavelmente vai agradar aqueles que gostavam da franquia em seu auge, como nos últimos títulos do PlayStation 2 e os primeiros para o PlayStation 3. Não que a jogabilidade seja exatamente a mesma, mas ela lembra a de títulos como PES 2008, em que efetuar dribles não era tão fácil e os jogadores pareciam realmente se esforçar para fazer cada movimento em campo. As mudanças provavelmente irão atrapalhar a vida de quem gosta de jogar com o Messi e sair driblando meio time, mas para quem até hoje usa a mesma estratégia do PS2, de correr pelo lado do campo e cruzar na área, certamente se sentirá em casa com as mudanças na jogabilidade trazidas pelo PES 2020.

Um jogo baseados em dribles não deverá ter vida fácil no PES 2020 (Captura: Rafael Rodrigues/Canaltech)

Outra coisa que também muda no título é a IA dos jogadores controlados pelo computador durante o período defensivo, que pela primeira vez aparenta funcionar. De todas as partidas que jogamos, independentemente de usarmos o Barcelona ou o Vasco, a defesa se comportou exatamente da maneira que foi programada, mantendo as linhas de passe fechadas e em nenhum momento fazendo aquilo que faz qualquer jogador querer jogar o controle na parede, que é a IA estabelecer que a melhor maneira de defender um contra-ataque de um adversário correndo sozinho com a bola é colocando seus dois zagueiros para correr cada um pra um lado diferente, abrindo o corredor pro atacante adversário.

Nas horas que dedicamos à demo do PES 2020, incrivelmente esse problema não apareceu em nenhuma das vezes. A defesa sempre se manteve sólida em seu posicionamento, e a troca de jogadores sempre ocorreu de primeira para aquele que estava em uma melhor posição para conter o lance. Claro, a IA ainda apresentou alguns problemas, e é normal um jogador ficar grudado no zagueiro adversário ao invés de passar pelo corredor que a movimentação dele abriu, mas só de ter, aparentemente, corrigido a IA de defesa o novo título de futebol da Konami já trará menos dor de cabeça para os jogadores.

PES 2020 abaraça elementos de seu passado para tentar levar o jogo para o futuro (Captura: Rafael Rodrigues/Canaltech)

Mas um problema que, pelo menos na demo, aparenta não ter sido corrigido é o de matchmaking nos jogos online. Apesar de marcar a opção de procurar adversários de nível parecido, o jogo continua levando em conta só o nível da classificação online do jogador e desconsiderando a força do time, e em todas as tentativas de jogo online que fizemos com clubes brasileiros, nenhuma das partidas foram contra outros clubes brasileiros ou da América do Sul (que respondem por mais de 60% dos times disponíveis na demo), o que talvez seja um indício de que não será dessa vez que a Konami irá arrumar o matchmaking das partidas online para garantir um equilíbrio real aos jogadores. O único jeito, então, será mesmo sempre jogar com os times mais fortes, como Barcelona e Juventus.

No geral, PES 2020 deverá agradar bastante aqueles que gostavam do estilo da franquia em seus tempos de glória, e a demo mostra que a Konami está tentando garantir seu lugar no futuro abraçando a melhor parte de seu passado. Resta saber se finalmente deixar claro que quer se distanciar daquilo que tornou a série FIFA a maior franquia de futebol do mundo será uma receita de sucesso ou se já é tarde demais para voltar às raízes do que tornava os jogos da série PES mais divertidos do que os da EA.

eFootball PES 2020 tem lançamento marcado para 10 de setembro de 2019 no PlayStation 4, Xbox One e PC.

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