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Preview Highguard | Uma virada de jogo inesperada

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Divulgação/Wildlight Entertainment
Divulgação/Wildlight Entertainment

* Matéria em colaboração com Diego Corumba

Quando a Wildlight enviou ao Canaltech o convite para vir a Los Angeles, Estados Unidos, para testar em primeira mão o jogo Highguard, alguns dias antes do lançamento, assumo que só pensei “este não é aquele hero shooter genérico que teve o trailer exibido no fim do The Game Awards 2025?”. 

Sim, este é o game. Acontece que, apesar de eu ter acertado o palpite sobre qual título era, estava errado sobre todo o resto. Enquanto esperava e fui assombrado pelo temor de ver algo que representasse mais do mesmo e uma experiência vazia, o que me apresentaram mudou por completo a minha percepção.

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Mesmo não versado em jogos competitivos online, para manter a minha transparência com vocês, o convite se trata sobre as nossas primeiras impressões e não uma análise. Não jogo Valorant, Counter-Strike, Rainbow Six, Battlefield ou diversos games criados pela equipe, mas sei exatamente o que querem e esperam de algo do gênero. E é disso que fui atrás. 

Afinal, o que é Highguard?

Primeiramente: Highguard não é um Hero shooter, como muitos pensaram. Na verdade, os criadores preferem chamar de “Raid Shooter”, ou seja, se trata de incursões. A ideia não é que o jogador que tenha derrubado mais adversários ganhe. Isso sequer é contado para o placar do jogo. O que importa é destruir a base inimiga. 

De forma resumida, a experiência traz disputas de times compostos por 3 jogadores cada e conta com dois objetivos. O primeiro é pegar o “Shieldbreaker”, uma arma que aparece em algum lugar do mapa e que tem o poder de quebrar o escudo da base adversária. 

Assim que o obtém, deve seguir para o quartel inimigo para o 2º objetivo: derrubá-lo em definitivo. Uma vez que esse escudo é destruído, o jogo entra em seu segundo estágio e um novo objetivo surge: o time que conseguiu derrubar a defesa da base inimiga deve organizar uma invasão à mesma. 

O time que não conseguiu a Shieldbreaker deve organizar a defesa de sua instalação. Caso os geradores e o coração da base sejam destruídos, a mesma sofre danos até que seja completamente destruída, o que dá a vitória para o time responsável pela invasão bem sucedida. 

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Como funciona?

A explicação parece complexa, mas conforme jogava Highguard, isso se tornou natural rapidamente. Não se engane, em 1 ou 2 partidas você já vai ter pegado o jeito sem qualquer problema. 

Em detalhes, o jogo segue este passo-a-passo que funcionará de forma simples durante as partidas:

  • Planejamento de Defesa: Após selecionar o Warden (personagem controlado) e a base entre os 4 modelos disponíveis, os jogadores surgem no mapa e têm um minuto para planejar as defesas e escolher os equipamentos iniciais. Cada jogador possui cinco reforços de parede para blindar áreas de sua base, o que vai dificultar a vida dos adversários durante uma possível invasão.
  • Fase de Preparação: As equipes avançam para o território aberto para lutar pelo controle do Shieldbreaker, que leva alguns minutos para se formar. Enquanto isso, os jogadores podem explorar pontos de interesse para saquear armas aprimoradas, armaduras, selas melhores e amuletos mágicos com benefícios (perks). Conflitos são esperados, pois ambas as equipes realizam o saque simultaneamente.
  • Disputa pelo “Shieldbraker”: Quando a tempestade se forma, a localização do Shieldbreaker é revelada. Ele surge aleatoriamente em um de três pontos de interesse únicos. As equipes devem se reunir e lutar para garanti-lo.
  • Incursão/Defesa: Garantir o Shieldbreaker permite que a equipe o instale na base inimiga para iniciar uma incursão (raid). Se o portador morrer, o Shieldbreaker cai e pode ser pego pelo inimigo para um contra-ataque. As incursões invocam grandes equipamentos que quebram o escudo externo e se tornam o ponto de ressurgimento (spawn) dos atacantes durante a invasão. Os defensores podem se teletransportar de volta para sua base para lutar.
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A explicação do jogo soa como se as partidas de Highguard pareçam desnecessariamente longas e complicadas. Mas acredite em mim: não é. Durante meus testes, tive partidas que levaram entre 20 e 40, 50 minutos.

Passei horas em testes do jogo com outros colegas de veículos do Brasil e, mesmo sem ser um especialista em FPS, consegui garantir algumas poucas vitórias. Mais do que isso, consegui também me divertir em todos os embates. 

O fator de exploração de um mapa relativamente vasto (que muda de forma aleatória entre as partidas, gerando ambientes que são familiares e desconhecidos ao mesmo tempo) faz com que o jogo tenha uma movimentação única. 

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Você pode correr, montar em seu cavalo e usar tirolesas, a forma de se movimentar em Highguard é mais do que um diferencial do jogo: é uma das estratégias para o sucesso. Durante os diferentes objetivos, o posicionamento no mapa e a forma de se manter em movimento são essenciais para garantir vantagem tática e sobrevivência

O que nos leva a outro ponto: para que a estratégia do jogo seja bem elaborada, é praticamente obrigatório que os times joguem em equipe. Um jogador que anda sozinho pelo mapa será um alvo fácil e, certamente, vai acabar eliminado pelo time adversário minimamente organizado. 

A verdade é que o jogo é bem amplo e tem uma gameplay diversa e completa. São diversos detalhes que enriquecem a experiência, seja pelos elementos gráficos, pela singularidade das partidas ou pela diversão que trouxe, ele se mostrou bem maior do que qualquer um esperava.  

Um outro ponto importante é ressaltar que o jogo estava disponível para teste em PCs, mas controles de Xbox e PS5 estavam disponíveis. Ao utilizá-los, assim como o mouse e teclado, o consenso é que Highguard traz equilíbrio entre os diferentes periféricos disponíveis. Isso vai de encontro com os esforços que a Wildlight afirmou ter para balancear o gameplay competitivo entre os acessórios que os jogadores encontram no mercado. 

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Ambientação

Toda a ação que tentei descrever acontece em um universo bastante simpático. A direção de arte do jogo é muito interessante e cativa. Dos personagens às montarias, armas e formações do mapa, tudo parece vivo e  coeso. 

Apesar de não termos acesso à lore do jogo, os desenvolvedores já revelaram que a história do universo de Highguard será bastante explorada com vídeos introdutórios, além de promessas de aprofundar-se neste universo no futuro, de forma que os elementos sejam cada vez mais amarrados e orgânicos.

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Monetização

Highguard é um jogo Free to Play, ou seja, grátis para baixar e jogar. E agora, vem a parte boa: a única monetização do jogo acontece através da negociação de itens cosméticos. Nenhum dos itens comercializados dá qualquer vantagem estratégica ao comprador. 

“Caso tenham dúvidas sobre a filosofia da nossa loja, trabalhamos apenas com compra direta de itens cosméticos. Sem loot boxes, sem RNG, sem pagar por poder (pay for power), sem pay to win e sem paywalls. Queremos criar um jogo da forma que nós, como jogadores, gostaríamos de ver, inclusive na maneira como vendemos as coisas”, diz Jason Torfin, vice-presidente de produto e também responsável pela equipe de Narrativa 

O executivo reforça que o objetivo é tornar Highguard competitivo e acessível, até para quem deseja gastar suas economias dentro da experiência.

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“Tudo na loja custará US$ 20 ou menos no lançamento. De US$9 a US$ 20 — não sei qual será a conversão nos demais países, mas estamos tentando torná-lo acessível para todos os jogadores que quiserem testar o game"

Polêmica e TGA

Em relação à reação do público ao trailer final do The Game Awards, o time de desenvolvedores foi questionado se acreditavam que o público teria uma opinião diferente do jogo, caso ele não tivesse sido exibido em um dos momentos de maior destaque da premiação anual de jogos. 

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A resposta foi bastante esclarecedora e honesta: "Nós sempre quisemos, basicamente, fazer um lançamento direto (cold open) e colocar o jogo nas mãos dos jogadores. Sabe, queríamos que o jogo realmente falasse por si só, mas então tivemos essa oportunidade incrível com o Geoff Keighley — ele jogou, adorou e quis que estivéssemos lá. Nossa reação foi de: 'não dá para recusar'." 

Em outras palavras: a presença no horário nobre da Premiação foi uma ideia do próprio Geoff, que adorou a experiência e cedeu o espaço ao game, e não uma estratégia de marketing da Wildlight como foi teorizado.

Highguard vai te pegar de surpresa

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No fim das contas, eu não esperava nada de Highguard e fiquei verdadeiramente surpreso. Na verdade, mesmo não sendo meu tipo de jogo, irei baixar a versão de PlayStation 5 e me juntar ao time de jogadores que estarão dando uma chance ao novo título durante seu lançamento. 

Apesar das semelhanças com outros jogos disponíveis no mercado, oferece um tempero único que pode renovar um modelo desgastado que vemos aos montes há alguns anos. A imersão e seus diferenciais têm um potencial grande de convencer até quem está “cansado” deste modelo. 

Estive em partidas divertidas que me mostraram que há formas de ganhar o jogo, seja meu time o atacante, o defensor, o melhor ou o pior colocado. É uma experiência que oferece chances de vitória a todos os momentos, proporciona reviravoltas empolgantes e premia os que conseguem jogar de forma estratégica e coordenada. 

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Em minha visão, você não deve se deixar enganar pela opinião pré-formada do público na internet apenas com o trailer de revelação no Game Awards. Na verdade, não precisa nem acreditar neste texto. Baixe e teste Highguard, de preferência com amigos. É um jogo interessante o suficiente para merecer um pouco de sua atenção. 

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