Nova CEO em ação: Xbox reformula marketing para consertar imagem da marca
Por Gabriel Cavalheiro • Editado por Jones Oliveira |

A Microsoft abriu duas novas vagas para cargos de liderança no setor de marketing do Xbox nos dias 24 e 25 de fevereiro. As contratações foram abertas na semana de estreia de Asha Sharma como CEO da Microsoft Gaming e líder do Xbox.
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A primeira vaga, publicada na última terça-feira (24), é referente ao cargo de Gerente Sênior de Marketing de Produto para liderar "esforços de estratégia de mercado de uma franquia de RPG amada". O profissional em questão cuidará da campanha de apenas uma franquia de RPG, o que pode indicar um investimento maior na promoção de títulos específicos. A descrição da vaga não explica de qual série se trata, mas podemos especular algo sobre Fable ou talvez até The Elder Scrolls VI.
Outra vaga aberta no setor de marketing do Xbox foi a de Líder de Marketing de Publicação e Ciclo de Vida no Xbox Game Studios, Activision, Bethesda, Blizzard e King, com um escopo maior que a primeira. A função envolve desenvolver e executar estratégias de comunicação com os jogadores em diversos dispositivos e ecossistemas. O profissional deverá acompanhar toda a jornada do cliente, desde a aquisição de novos jogadores até a retenção da comunidade já existente.
O marketing do Xbox sempre foi um ponto muito criticado pela comunidade da marca. Exemplos disso vão desde campanhas que excluem o hardware, como é o caso do polêmico slogan "Isso é um Xbox", supostamente criado por Sarah Bond, até a falta de ocupação em espaços de publicidade que a Nintendo e a Sony vêm conquistando, em especial no Brasil.
Muitos também criticam a forma como o Xbox promove seus jogos first-party, já que vários deles não ganham campanhas de grande alcance e sempre ficam à sombra do Xbox Game Pass, serviço que parece receber muita atenção do setor de marketing da empresa.
Sharma parece estar disposta a mudar muitas coisas no Xbox, a começar pelos consoles e, agora, pelo marketing. Para quem não acompanhou nosso dossiê completo sobre a nova CEO do Xbox, a executiva já passou pelo setor de marketing da Microsoft em 2011, onde ficou por dois anos antes de assumir um cargo no Porch Group.
Marketing do Xbox voltará forte para o Brasil?
Ambas as vagas abertas podem indicar uma mudança de posicionamento e estratégia da marca. A preocupação que fica é se os esforços de Sharma chegarão até mercados emergentes, como o Brasil. Vale lembrar que o Xbox nadou de braçada no mercado brasileiro durante a geração do Xbox 360.
Além da forte presença no país, o Xbox foi a primeira grande empresa a trazer localização em português do Brasil aos seus jogos de forma consistente.
Hoje, o Xbox tem uma presença quase inexistente no país. O engajamento com os jogadores brasileiros tem sido bem baixo nos últimos anos, apesar dos eventos com a mídia e criadores de conteúdo. Não só isso, os preços da linha Xbox Series seguem em patamares altos, quando os aparelhos são encontrados, dificultando a vida de quem quer adquirir um console da marca.
Também não podemos esquecer dos aumentos massivos de preço do Xbox Game Pass em outubro do ano passado. Por aqui, a assinatura mais cara, com quase todos os benefícios do Xbox Game Pass Ultimate, passou de R$ 60/mês para R$ 120/mês num piscar de olhos. Além disso, é bem difícil encontrar mídias físicas de jogos para Xbox Series.
Analista afirma que aumento do Xbox Game Pass foi um tiro no pé
O analista e conselheiro estratégico da Wedbush Securities, Michael Pachter, compartilhou suas opiniões sobre as mudanças no quadro de líderes do Xbox e comentou sobre os aumentos expressivos de preço do Xbox Game Pass no último ano.
Pachter foi um dos analistas de maior destaque na época em que a Microsoft estava em negociações para adquirir a Activision Blizzard King por cerca de US$ 70 bilhões. Na ocasião, ele acreditava que os assinantes ativos do serviço disparariam para 100 milhões quando os jogos da empresa fossem adicionados. Em 2024, Pachter dobrou a aposta e afirmou que o Xbox Game Pass poderia atingir 200 milhões de usuários até 2034.
Em uma mudança radical, o analista falou ao portal GamesBeat: "Acho que o console está morto. Acho que eles já estragaram tudo com o console ao adotar o Game Pass". Pachter criticou ferozmente o aumento de preços do Xbox Game Pass.
"Acho que apostar tudo em uma assinatura de US$ 30 por mês foi o caminho errado. O preço deveria ser US$ 10 por mês, no estilo 'coma à vontade'. Quem vai pagar por um rodízio sabendo que custa cinco vezes o preço de uma refeição? Como você pode criar um negócio cobrando das pessoas US$ 360 por ano antecipadamente, quando um jogo custa apenas US$ 70? Eles deveriam ter operado como uma cafeteria. Esse foi o erro deles", concluiu Michael Pachter.
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Fonte: Windows Central, Wccftech