Os 10 melhores RPGs lançados para o PlayStation 2

Por Rafael Arbulu | 27 de Março de 2020 às 09h19
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Ficha técnica

Muita gente que hoje segue uma rotina adulta tem lembranças valorosas do icônico PlayStation 2. No mundo, o (primeiro) console negro da gigante japonesa Sony vendeu 157,68 milhões de unidades e, para nós brasileiros, ele tem um gosto especial: foi o primeiro console de forte geração para muita gente, tendo tanta influência que até hoje você encontra modelos em ótimo estado (se tiver sorte, até mesmo novos) em centros especializados de compra. Pelo Guinness Book, é o console mais vendido da história.

Um gênero que se beneficiou muito de todo esse sucesso foi o de RPGs. É verdade que empresas como Squaresoft (hoje, Square Enix), Namco e diversas outras já tinham nomes bem fortes no mercado e os fãs já se encontravam bem além do espectro “jogo tudo, desde que seja jogo” e gostos mais específicos começaram a se formar nesse período. Foi nessa “toada” que essas mesmas empresas se aproveitaram do contexto do mercado na época — da segmentação dos jogadores e o acesso a uma tecnologia nova e até então inovadora — que elas se permitiram experimentar, ora criando franquias novas, ora implementando novos recursos em nomes de peso.

Pensando nisso, o Canaltech resolveu dar uma volta no passado e listar os 10 melhores RPGs lançados para o PlayStation 2.

Um console nada menos que "lendário..."

10. Suikoden III

A terceira entrada da franquia Suikoden traz tudo o que seus predecessores fizeram em excelente forma: as icônicas “108 estrelas” (representadas por 108 personagens recrutáveis, conforme contexto), um castelo que funciona como o seu hub de missões e que pode ser desenvolvido com mais recursos e magias visualmente belíssimas. Seu maior destaque, porém, é o enredo.

O jogo bebe um pouco da fonte de Suikoden II, amarrando diversas histórias dos personagens mais essenciais, mas neste terceiro jogo você assume o controle de três amigos inseparáveis, cujas narrativas se desenvolvem paralelamente, apenas para que ao final do jogo você determine qual será o final, de acordo com o personagem de destaque. A ideia é posicionar um dilema moral simples para que o jogador volte a jogar, com o desejo de experimentar os enredos que não escolheu.

Além disso, 108 personagens recrutáveis poderiam tornar o jogo um aglomerado de diálogos incessantes e irritantes, mas Suikoden III, a exemplo de seus predecessores, consegue desenvolver cada uma das “estrelas” de forma que você se lembre de todas elas, de forma empática à progressão de cada um.

9. Dark Cloud 2

Aqui temos um jogo que serve como o perfeito exemplo de que “maior processamento visual” não necessariamente significa “gráficos ultrarrealistas”, mas ainda assim, apresenta um jogo belíssimo. Dark Cloud 2 é um bom representante do ditado “menos é mais”, apostando em uma apresentação de sprites 2D (porém animados em 3D), com ambientação expansiva, cortesia do alto poder do hardware do PlayStation 2.

O enredo do jogo segue um padrão mais genérico: você controla ao mesmo tempo Max e Monica, que juntos devem enfrentar o Imperador Griffon, impedindo o déspota de destruir o mundo. A progressão abraça temas da cultura pop moderna — sobretudo, viagens no tempo — permitindo que o jogo trace uma linha imersiva na cabeça do jogador, ao se ver absorto nos rumos dos dois protagonistas, que devem triunfar sobre o mal ao alterar fatos do passado para impactar o presente.

Finalmente, Dark Cloud 2 tira proveito de toda a capacidade do PlayStation 2, estabelecendo uma das trilhas sonoras mais deliciosas de serem ouvidas. A obra musical de Tomohito Nishiura chegou até mesmo a ser lançada em CD, com nada menos que dois discos e 77 músicas gravadas.

8. Dragon Quest VIII: Journey of the Cursed King

A série Dragon Quest da Square Enix é vista como a essência de um autêntico RPG japonês (para alguns, mais até que Final Fantasy), e quando falamos de seu oitavo título, há quem argumente que ele não é apenas um dos melhores do PlayStation 2, mas também de toda a franquia. O jogo traz todos os elementos de um RPG tradicional, desde as lutas aleatórias com inimigos à evolução de personagens e tudo o que há no meio disso.

Mas é no visual e no enredo que Dragon Quest VIII: Journey of the Cursed King se destaca: primeiramente, pela apresentação artística em cel shading, que se destaca do plano de fundo 2D desenhado à mão, junto de uma trilha sonora e dublagem simplesmente memoráveis.

O segundo, a história, é um ponto intrinsecamente amarrado à progressão do jogador, conversando com ele de forma que, a cada detalhe revelado, você se sente compelido a explorar o mundo imenso do título a fim de desvendar mais e mais segredos narrativos, adicionando à imersão o fato de que, ao contrário dos jogos mais tradicionais, o “mapa mundi” do jogo não é uma visão expansiva com um personagem diminuto navegando fora de escala, mas incorporado ao gameplay, trazendo mais realismo à experiência.

7. Breath of Fire: Dragon Quarter

Outra franquia icônica do gênero, Breath of Fire tem em Dragon Quarter seu “fim”, já que não houve nenhum outro lançamento da saga depois dele (existe um outro jogo que usa esse nome para celular, mas ele é meio que a vergonha da família, então é melhor nem mencioná-lo). Também é visto como o “fim” por ser um dos jogos mais divisivos da série, já que muitos o amam e muitos outros o odeiam.

Dragon Quarter faz parte desta lista por escolher experimentar com novas mecânicas de gameplay, abandonando o tradicional “ataque, defenda, cure, repita” por algo mais estratégico, voltado aos icônicos jogos de tabuleiro. Você pode colocar armadilhas no campo de batalha, além de forçar seus inimigos a caírem nelas por pura movimentação. Além disso, os golpes mais poderosos dos personagens contam com um custo alto: usá-los em demasia pode zerar o recurso D-Counter e, se isso acontecer, o jogo acaba para você.

Não que isso seja de todo ruim: deixar o D-Counter zerar permite que você mantenha um pouco da experiência obtida em combate, ao mesmo tempo em que abre novas possibilidades narrativas na história do jogo. Alguns usam isso como estratégia para transpor com mais facilidades inimigos e chefões mais poderosos. Claramente, uma tentativa criativa de valorizar mais o combate pensado e menos a força bruta.

6. Disgaea: Hour of Darkness

Os mais nostálgicos adoram citar Final Fantasy Tactics como uma autêntica experiência de RPG de tabuleiro nos videogames, mas é a franquia Disgaea quem vive disso de forma rotineira — e Hour of Darkness é um dos títulos mais memoráveis da franquia neste e em muitos outros aspectos.

É aqui que você aprende de fato como levar em consideração diversos outros aspectos de uma luta tática por turnos do que a maioria dos games tradicionais se prezam em mostrar, como a elevação do terreno no mapa em relação ao seu inimigo (se você estiver mais baixo que o oponente, ele ainda te bate, mas de você, ele não apanha ou leva menos dano); se os adversários estão dentro ou fora de um ambiente aquático (proximidades de água os tornam mais suscetíveis, por exemplo, a dano elétrico) e outras característica. Fora que os combates não são entre um punhado de membros, mas sim inimigos às pencas, adicionando um caráter mais épico, de grupos grandes se digladiando pela vitória.

Além de tudo isso, Disgaea: Hour of Darkness é um jogo digno de nossa lista simplesmente por jogar pela janela toda a ambientação soturna e pessimista da maioria dos RPGs, favorecendo uma apresentação mais caricata em todos os pilares: o visual tem cara de anime mais cartunesco, o diálogo é cheio de humor duvidoso (você assume o papel de um demônio, afinal) e a progressão narrativa adiciona em cima de tudo isso, batendo de forma coerente com as flutuações de humor evidenciadas pela conversa.

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5. Shin Megami Tensei: Nocturne

Parou! Eu sei o que você está pensando: “Como assim ‘Nocturne’ e não ‘Persona 3’ ou ‘Persona 4’?” — Sim, a despeito de cometer um pecado contra o fã mais irritante fervoroso, eu vou colocar este, e não os outros dois mais conhecidos da época, nesta lista. Não entenda mal, a série Shin Megami Tensei é boa por inteiro, até quando é ruim, mas Nocturne tem algo que as outras edições não têm: um enredo mais adulto.

Explico: Persona 3 e 4, ótimos como eles são, seguem mais ou menos o mesmo padrão narrativo. Nocturne, por outro lado, bebe da fonte de Digital Devil Saga, aprimorando os elementos de gameplay de forma aprofundada: aqui, você tem apenas um personagem principal, que é capaz de recrutar demônios para lutar ao seu lado por meio de “contratos”. Também é possível fundir demônios para criar versões mais fortes ou totalmente novas, em um sistema tão alongado que virtualmente qualquer monstruosidade é possível.

O enredo em si é mais detalhado do que o jogador comum está acostumado, mas basicamente gira em torno de uma Tóquio pós-apocalíptica, ambientando-se em eventos de antes, durante e depois da “Concepção”, um episódio de destruição global que transformou a metrópole japonesa em um deserto inserido dentro de uma esfera mística. É seu papel relacionar-se com deuses e demônios a fim de reconstruir o mundo, encarando diversas batalhas para chegar a esse objetivo. E de quebra, tem até uma participação especial de Dante, o protagonista da franquia Devil May Cry, da Capcom. Não rola ficar melhor que isso...

4. Xenosaga

Ok, admito que estou trapaceando a minha própria lista, já que “Xenosaga” corresponde a três jogos distintos, cada um com um episódio completo e diferenciados pelos seus subtítulos: Episode 1: Der Wille zur Macht (“A Vontade de Poder”); Episode 2: Jenseits von Gut und Böse (“Além do Bem e do Mal”) e, finalmente, Episode 3: Also Sprach Zarathustra (“Assim Falou Zaratustra”, título de uma das obras de Nietzsche, famosa por cunhar a frase "Deus está morto").

Xenosaga é o sucessor espiritual de Xenogears e tinha a intenção de trazer seis episódios, mas divergências corporativas fizeram com que apenas três deles chegassem, todos pelas mãos de Tetsuya Takahashi. A série traz um dos enredos mais entrelaçados e detalhados da história dos videogames de todos os tempos, abrangendo temas religiosos como o gnosticismo, além de brincar com elementos cristãos e há até um personagem que atende pelo apelido de “Yeshua”, um nome comum na religião judaica e, na Bíblia católica, traduzido para “Josué”. Há também aplicações da doutrina Jungiana da psicologia, como se todo o restante já não fosse suficiente. Apesar de tudo isso, porém, a história segue um ritmo bem cadenciado, cheio de reviravoltas e personagens tão bem construídos que é impossível que você não se sinta empático às suas causas. Finalmente, foi aqui que os gamers foram apresentados a uma das personagens mais reconhecidas da indústria: a androide KOS-MOS.

O jogo traz um visual impressionante, que levava o hardware do PlayStation 2 aos seus limites e, embora o gameplay fosse mais tradicional (batalha por turnos), a introdução dos mechs — robôs gigantes que auxiliavam você em batalha — adicionava novos elementos de mecânica. Mas é realmente em sua narrativa detalhada, que posiciona a humanidade entre os anos 6000 e 7277, que Xenosaga se destaca. O homem deixou a Terra há tanto tempo em um esforço de colonização do espaço que o caminho para o nosso planeta natal foi há muito esquecido, com a Terra agora sendo reconhecida como “A Primeira Jerusalém” e uma raça alienígena chamada “Gnosis” emerge das profundezas do espaço, ameaçando mais de 500 mil planetas e colônias dominadas por humanos.

3. Final Fantasy X

A franquia Final Fantasy já era bem estabelecida antes do PlayStation 2 nascer, mas foi aqui que a Square Enix se permitiu experimentar com tecnologias que, hoje, são usadas de forma rotineira. Vejamos: Final Fantasy X foi o primeiro da franquia a apresentar visuais de alto realismo; também foi o primeiro a apresentar dublagem completa; foi o primeiro do tipo a abandonar a navegação “fora de escala” do “mapa mundi”, preferindo percorrer as distâncias enormes em escala real, além de reformular o formato de evolução de personagens com um dos métodos mais criativos até hoje, que serve de base para os jogos que vieram depois dele.

Final Fantasy X merece o destaque por tudo isso e muito mais, principalmente pelo fato de repetir o sucesso da abordagem de seu predecessor direto, optando por apresentar um mundo mais colorido e vivaz, ao invés da ambientação soturna e semigótica que vimos em Final Fantasy VIII, por exemplo. Em seu enredo, você é inserido acidentalmente em um universo dominado pela religião, com o mundo de Spira sendo governado por padres e cardeais que reforçam o ciclo de vida e morte por meio de Sin, um monstro marinho de proporções gigantes que é visto por muitos como “os nossos pecados encarnados em uma só entidade”.

Foi aqui que a Square Enix abandonou o conceito de “força obscura quer dominar o mundo” para inserir temas mais complexos: o papel de uma sociedade teocrática e como líderes inescrupulosos abusam da fé da população, além de tirar inspiração de filmes aparentemente não relacionáveis ao jogo, como O Sexto Sentido. Seu único pecado, porém, foi o de limitar um pouco a exploração: embora Spira seja bem grande em escopo, seus caminhos — mesmo para missões opcionais — são bem roteirizados e seguem um padrão específico. A dublagem também traz momentos de “vergonha alheia”, mas introduziram o recurso à franquia de forma bem satisfatória.

Não deixe de ler: Os 10 melhores jogos da série Final Fantasy

2. Final Fantasy XII

O sucessor imediato de nossa entrada anterior (já que FFXI foi online e não-canônico) conseguiu não apenas corrigir os erros de seu predecessor, mas aprimorar suas qualidades de tal forma que tornou-se a obra mais inesquecível da Square Enix no PlayStation 2.

Aqui você assume o papel de Vaan (que sequer é o protagonista do jogo, veja só), um jovem ladrão da cidade de Rabanastre que junto de sua companheira Penelo e uma série de outros personagens cativantes — dos quais Balthier se destaca com sobras.

E o gameplay: ah, as famosas gambits de combate, que permitiam que você ajustasse ações automáticas de acordo com o contexto da luta, além de eliminar os encontros aleatórios e favorecer a visão direta dos inimigos, adicionando um aspecto similar aos de MMORPGs da época, e que serviria de fundação para todos os Final Fantasy que seguiriam. Além disso, um sistema de jobs completo que permitia que cada personagem da luta tivesse seu papel a desempenhar, sem desequilíbrio, e um universo tão grande e tão explorável que o monstro mais poderoso do jogo era um dragão de proporções absurdas e tanta energia que você poderia sair da luta, salvar seu progresso, e voltar a ela, de tão longa.

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Menção honrosa: Odin Sphere

Poucos jogos passaram tão abaixo do radar, mesmo sendo maravilhosos, quanto Odin Sphere. Estamos falando de uma das poucas produções a abordarem a mitologia escandinava em uma mecânica de progressão diferenciada: um autêntico side scroller com sprites em duas dimensões (porém animados em 3D) e um dos trabalhos artísticos mais lindos que a indústria já viu até hoje.

Odin Sphere não tem “um” enredo, mas vários, dotados de diferentes pontos de vista: o arco principal fala da profecia do fim do mundo fictício de Erion, no qual um artefato místico conhecido apenas como o “Caldeirão de Cristalizações” traria essa previsão à realidade e apenas os sobreviventes — aqueles que detivessem a peça é que governariam a terra que sobraria após a hecatombe.

O jogo abrange os pontos de vista e progressões de vários personagens, cada um representando a sua nação em guerra, tem uma ótima curva de dificuldade e narrativa cativante, porém seu maior problema é o fato de tentar pertencer a vários gêneros de uma só vez, efetivamente “fazendo apenas o básico” em todos eles, sem impressionar demais. Um remake completo, intitulado Odin Sphere: Leifthrasir, foi lançado para as plataformas recentes, concentrando-se mais em aprimorar os elementos de RPG para a nova geração de jogadores.

1. Kingdom Hearts II

E aqui temos um dos mais perfeitos títulos do PlayStation 2: uma franquia nascida pela parceria entre a Square Enix e a Disney, Kingdom Hearts trouxe aos jogadores um novo formato de RPG de ação, apostando no carisma de personagens icônicos das animações da época de ouro da Disney, misturando-os com os nomes mais lendários da Square Enix em um gameplay conhecido como “luta contextual”: dependendo de como o combate progredia, você teria acesso a ações específicas — e visualmente deslumbrantes. O primeiro jogo, porém, cometeu certos pecados técnicos que o segundo prontamente os corrigiu, evoluindo consistentemente a franquia a partir daí.

Em Kingdom Hearts II, você novamente assume o papel de Sora, o jovem escolhido para tornar-se um “mestre da Keyblade”, uma espécie de espada em formato de chave que tem imbuída em si a capacidade de “abrir” o acesso a novos mundos (“mundos” estes que correspondem a universos da Disney, como o quarto de Andy em Toy Story ou a Pedra do Rei, em O Rei Leão). Junto de Donald e Pateta, você acorda após um ano em animação suspensa em relação ao primeiro jogo e deve investigar e descobrir os planos da obscura “Organização XIII”, constituída de figuras enigmáticas que trazem uma forte relação com o passado do herói.

Ou será que trazem? Para um jogo com visual mais amigável e progressão narrativa simples de ser seguida, Kingdom Hearts II surpreende pelo volume de reviravoltas que traz em seu enredo, onde personagens antigos se revelam após horas sob identidades falsas, bem como uma jogabilidade cheia de missões opcionais e desenvolvimento técnico que muitos adultos teriam trabalho de executarem.

Uma coisa é certa, porém: Sephiroth continua sendo um dos chefões mais chatos e mais difíceis de se enfrentar…

O PlayStation 2 teve um volume de RPGs entregues um pouco maior que seu predecessor, além do fato de que você provavelmente era mais crescido e tinha uma compreensão (e memória) melhor das coisas.

Por isso, queremos passar a bola para você: com toda a certeza, você se lembra de algum RPG que não colocamos nesta lista, então que tal mostrar para o Canaltech os seus exemplos nos comentários? De repente a gente entra na conversa e tudo vira uma ótima roda de bate-papo para nos lembrando dos bons tempos de duas gerações de consoles atrás!

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