Jogar videogame pode ajudar crianças a aumentarem QI, aponta pesquisa
Por Lillian Sibila Dala Costa • Editado por Jones Oliveira |

Um estudo internacional publicado na revista científica Scientific Reports, da Nature, analisou 10 mil crianças nos Estados Unidos e revelou que jogar videogame pode ajudar a desenvolver o QI na infância. Acompanhando os infantes por dois anos, a pesquisa também avaliou o impacto de tempo de tela e de redes sociais nos pequenos.
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Isso contraria a crença comum de que os videogames atrapalhariam o desenvolvimento cognitivo nos primeiros anos de vida, mas é preciso investigar mais: os cientistas apontaram que o ganho de QI é pequeno, apesar de positivo, e ainda é difícil apontar causa e efeito diretamente e de maneira certa.
Games vs redes sociais
Para o levantamento do desenvolvimento infantil frente aos games, os pesquisadores usaram dados do ABCD Study, projeto de acompanhamento de crianças realizado nos Estados Unidos por anos.
Os infantes foram observados desde os 9 a 10 anos de idade, relatando gastar aproximadamente duas horas e meia do dia vendo TV ou vídeos na internet, uma hora jogando e meia hora em redes sociais, em média.
Mais de 5 mil voluntários foram acompanhados dois anos depois: segundo os dados, os que jogavam mais videogame mostraram um aumento no QI de aproximadamente 2,5 pontos em relação à média esperada para a idade. Os testes de coeficiente de inteligência avaliaram habilidades de compreensão de leitura, flexibilidade cognitiva, autocontrole, memória e processamento visuoespacial.
O estudo também controlou fatores como contexto socioeconômico e predisposição genética, evitando que esses elementos impactassem o resultado e resultassem em vieses comuns nas pesquisas acerca do desenvolvimento cognitivo. O consumo de televisão e redes sociais, também avaliado, não impactou a inteligência das crianças — nem positivamente e nem negativamente.
Vale apontar, no entanto, que a pesquisa não diferenciou o tipo de jogo que as crianças consumiram e não avaliou outros efeitos do uso de telas, como impactos no sono, bem-estar emocional, desempenho escolar ou práticas de exercícios físicos.
Isso será investigado no futuro, segundo expectativas dos cientistas envolvidos, bem como a relação entre os estímulos digitais e o desenvolvimento cerebral dos infantes.
Fonte: Nature