Investigação revela que crime organizado usa Fortnite para lavar dinheiro

Por Rafael Rodrigues da Silva | 15 de Janeiro de 2019 às 11h30
Epic Games

Existem duas regras que são quase que verdades absolutas da internet: se algo faz sucesso, alguém irá criar um filme pornô sobre e algum grupo criminoso vai inventar algum tipo de fraude ou golpe que utilize esse elemento. E o jogo Fortnite não é a primeira exceção à essa regra. De acordo com uma extensa pesquisa feita pelo jornal The Independent junto com a firma de segurança Sixgill, criminosos têm utilizado o game como uma forma de lavar dinheiro

O esquema funcionaria da seguinte forma: esses grupos usam cartões de crédito roubados para comprar V-bucks (a moeda especial do jogo que pode ser usada para comprar armas, roupas e outros itens para os personagens) e então revendem essas moedas em redes sociais por um valor abaixo do que é cobrado pela loja da Epic Games, transformando assim o crédito roubado em dinheiro “limpo”. Além das redes sociais (que rodam quantias relativamente baixas de dinheiro), os golpistas também utilizam a dark web para operações do tipo, mas as operações que acontecem por lá possuem valores muito maiores, havendo a possibilidade de estarem utilizando o jogo para lavar dinheiro do crime organizado.

De acordo com Benjamin Preminger, analista de inteligência da Sixgill, o fato de a Epic não se parecer se preocupar com agentes que não fazem parte da empresa venderem V-bucks por fora é o que torna o sistema perfeito para a lavagem de dinheiro por parte de criminosos, e permite com que eles operem com impunidade dentro do jogo.

Fortnite é um dos games de maior sucesso da atualidade

Passando-se por possíveis compradores da moeda, os agentes da Sixgill conseguiram identificar que as operações de vendas dessa moeda ocorriam em quase todos os países do mundo, e era possível encontrar operadores que atendiam o público em chinês, russo, espanhol, árabe e inglês.

Não se sabe exatamente quanto os criminosos conseguiram lavar utilizando essa técnica, mas os dados da Sixgill revelam que há uma correlação direta entre o aumento de menções do jogo na dark web e o aumento das receitas geradas por Fortnite nos últimos meses. Mas, como os vendedores de lá só aceitam pagamentos em bitcoin e bitcoin cash, é praticamente impossível rastrear quem são as pessoas por trás do esquema.

Já uma outra pesquisa, feita pela empresa de segurança Zerofox, encontrou 53 mil instâncias de fraudes que utilizaram o jogo entre os meses de setembro e outubro de 2018, e estima que 86% dessas fraudes foram compartilhadas através de redes sociais como o Instagram, o Twitter e o Facebook.

As empresas culpam a Epic por essa abundância de casos, já que a empresa não parece ter a menor preocupação de que seu jogo está sendo utilizado para atividades ilegais. Elas afirmam que, ainda que não seja possível acabar de vez com esses tipos de fraudes, pode-se aplicar medidas de segurança que serviriam para diminuir o número de casos, como avisar as autoridades de segurança locais sobre jogadores que compram grandes quantidades de moedas ou que possuem um número suspeito de moedas acumuladas, mas atualmente nenhuma dessas ações é tomada pela empresa.

Até o momento, a Epic Games ainda não se pronunciou sobre as acusações.

Fonte: The Independent

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