Ex-funcionário acusa Blizzard de racismo e discriminação

Por Felipe Demartini | 10 de Janeiro de 2019 às 17h33
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A Blizzard, mais uma vez, está envolvida em polêmicas depois que um ex-funcionário a acusou de racismo. Em uma longa publicação postada no Twitter, Jules M.C. disse ter trabalhado de 2016 a 2018 na área de e-Sports da companhia, mais especificamente em torneios de Hearthstone. Durante o período, sofreu bullying e foi apontado como sexista, além de discriminado por superiores devido a suas origens mexicanas.

De acordo com a publicação, uma das principais responsáveis pelos abusos foi Gemma Barreda, gerente de planejamento estratégico da Blizzard e uma das superioras de Jules durante seu período na empresa. Ele afirma ter sido acusado por ela de sexista por ser mexicano. Segundo ela, que teria passado um tempo no país como estudante em intercâmbio, essa é a cultura padrão no México.

O ex-funcionário afirma ter sido chamado de machista diversas vezes, o que levou outros colaboradores envolvidos na operação a também discrimina-lo da mesma maneira. Jules relata ter sido deixado de lado de reuniões para organização de eventos e ser informado sobre decisões ou novidades apenas no último momento, quando era necessário agilidade e pressa para que tudo funcionasse.

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O bullying e as acusações teriam ocorrido ao longo de 2016, levando Jules a desenvolver depressão, ansiedade e até mesmo tendências suicidas, chegando até mesmo a tirar licenças por saúde durante os pouco mais de dois anos que passou na Blizzard. Ele também afirma ter tentado levar a questão ao departamento de recursos humanos e outros superiores mais próximos, mas jamais viu qualquer abordagem com relação ao problema sendo feita pelos responsáveis.

Pior ainda, tais atitudes teriam levado a ainda mais hostilidade por parte de Barreda, o que intensificou o comportamento discriminatório e levou até mesmo a conflitos diretos, com a executiva afirmando que Jules questionava sua autoridade, novamente, devido à sua atitude machista.

As palavras são duras e, de acordo com o ex-funcionário, foram motivadas pela revelação de que o personagem Soldado: 76, de Overwatch, seria homossexual. De acordo com ele, em suas divulgações oficiais, a Blizzard tenta passar a imagem de ser uma empresa inclusiva e diversa, onde “todas as vozes importam”, mas a realidade é bem diferente disso.

As falas se unem à controvérsia relacionada à descoberta de que um grupo de jogadores profissionais do game mentiram sobre a inclusão de uma jogadora em um time oficial de Overwatch, o Second Wind, como um experimento social para testar a recepção do público e provar que o ambiente competitivo do título não é saudável às mulheres. A imprensa internacional chegou a questionar o timing da revelação relacionada ao Soldado: 76, com muitos chamando a notícia de uma tentativa de desviar o foco do problema.

Sobre o tal experimento social envolvendo uma jogadora profissional de Overwatch, a Blizzard afirmou não ter verificado a identidade da suposta jogadora devido ao fato de ela não ter sido cadastrada em eventos oficiais, mas apenas anunciada como parte de uma equipe. Mesmo assim, os responsáveis pela farsa foram banidos de participação em eventos oficiais do game.

Além das acusações de racismo, Jules afirma ter sido submetido a longas horas de trabalho, muitas vezes permanecendo nos escritórios da Blizzard ou em locais de eventos de Hearthstone madrugada adentro, com pagamentos extras abaixo da média do mercado. Ele também diz ter sido desconsiderado para outras posições dentro da companhia, já que mudar de setor foi uma das alternativas buscadas por ele para manter o emprego.

A Blizzard entrou em contato com o Canaltech para informar seu posicionamento, conforme você lê logo abaixo:

“Apesar de não comentarmos situações pessoais individuais, podemos afirmar que um ambiente de trabalho inclusivo e respeitoso é extremamente importante para nós. Nós possuímos uma política específica contra assédio e discriminação e todas as denúncias de comportamento indevido são tratadas de forma muito séria. Existem diversas opções para nossos funcionários levantarem este tipo de questão caso eles tenham alguma experiência ou observem comportamentos indevidos. Todas as alegações de assédio e discriminação que são trazidas até nós são investigadas e ações são tomadas quando necessário. Nós nos dedicamos muito para criar um ambiente de trabalho que seja inclusivo e respeitoso refletindo os valores da Blizzard em tudo aquilo que fazemos.

 A saúde da nossa equipe e de nosso ambiente de trabalho também é algo muito importante para nós e oferecemos diversos programas e oportunidades para apoiar nossos funcionários neste sentido, incluindo diversos programas de saúde e bem-estar e serviço de aconselhamento, tanto em nossas próprias instalações (muitas vezes sem qualquer custo) quanto por meio de profissionais externos.” 

Fonte: Jules M.C. (Twitlonger)

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