Horizon Zero Dawn arrisca pouco, mas diverte bastante

Por Durval Ramos

* Direto da E3, em Los Angeles (Califórnia)

Desde o ano passado, quando a Sony anunciou Horizon Zero Dawn, o game vem sendo o centro das atenções por onde quer que passe. Desenvolvido pela mesma equipe responsável por Killzone, o novo game parte de uma proposta muita boa e diferente, o que por si só já é um atrativo e tanto. E, durante a conferência da empresa nesta E3 2016, vimos que o game é ainda um pouco mais do que tudo isso.

Trata-se do mesmo trecho mostrado ao público, com a protagonista Aloy explorando esse mundo tecno-primitivo enquanto enfrenta algumas criaturas robóticas em seu caminho. A diferença é que a parte jogável era significativamente mais curta do que aquela que foi mostrada na apresentação, o que tornou as coisas um pouco frustrantes.

Isso não quer dizer, porém, que Horizon Zero Dawn é um jogo ruim ou que o hype não corresponde à expectativa. Muito longe disso. Na verdade, o ponto é que sabíamos o que o título tem a oferecer, mas não tínhamos ideia de que não poderíamos aproveitar tudo isso. E essa sensação de ter a experiência pela metade é algo que incomoda bastante — mesmo que seja culpa da organização do estande do que da produtora propriamente dita.

horizon: Zero dawn

Caçando uma montaria

A demo traz a mesma missão em busca do “demônio” relatado por um selvagem, mas não é possível chegar até ele. Tudo o que é permitido aos jogadores durante a E3 é domar um dos cervos-robô e partir para o ataque dentro daquele perímetro. E é aí que percebemos um pouco das mecânicas que o game oferece.

O primeiro ponto é que Horizon Zero Dawn não é um game de ação e muito menos linear. De acordo com o analista de segurança de qualidade da Guerrilla Game, Andrew Simpson, trata-se de um RPG de ação de mundo aberto, o que significa que você pode procurar a próxima missão ou se dedicar a ficar brincando pelo cenário — principalmente porque não faltam ferramentas para isso.

Como uma boa caçadora, a busca pelo animais-robô é a grande estrela da demonstração. O mapa conta com várias criaturas espalhadas pela área e o jogador pode passar um bom tempo brincando com elas. Na demo, por exemplo, os cervos são as grandes estrelas.

horizon: Zero dawn

É aqui que conferimos um pouco das opções de equipamentos. À primeira vista, tudo é muito confuso por conta da quantidade de armas e acessórios que Aloy possui. Porém, não demora para que você se acostume às várias opções de flechas e armadilhas para criar combinações e desenhar estratégias diferentes para cada situação.

Exemplo disso é o próprio arpão. A arma permite imobilizar um alvo por alguns segundos, o que facilita tanto a execução quanto o adestramento. O problema é que, ao optar pelo segundo caminho, Aloy fica vulnerável a ataques e é preciso estar de olho bem aberto para não acabar morrendo.

No nosso caso, foi um grupo de Watchers que apareceu e cercou a heroína, forçando o início de um combate. O confronto é bem ágil, principalmente porque a mira do arco e flecha é um pouco diferente e você precisa de um pouco mais de paciência para acertar seu disparo. Além disso, como estamos falando de robôs, a estrutura metálica de seus corpos oferece uma maior defesa, forçando o jogador a buscar pontos-fracos que facilitem essas batalhas.

Por isso, a troca constante de equipamentos é fundamental e conhecer seu arsenal ajuda muito nesse sentido. Saber a hora de usar a flecha incendiária ou determinado tipo de armadilha é algo que pode não ser fundamental, mas ajuda bastante a superar esses desafios.

Horizon: Zero Dawn

Horizon conta também com um sistema de combate montado, permitindo que o jogador continue seus confrontos sem precisar abandonar sua montaria no meio do caminho. É algo simples de se imaginar, mas muito difícil de ser executado. Por conta disso, o chamado Focus se mostra tão útil: com ele, é possível diminuir a velocidade do tempo e mirar com mais tranquilidade nos inimigos.

De olho aberto

A demonstração se resume apenas a esse confronto contra os Watchers e a captura de uma montaria, o que é muito pouco para satisfazer o hype em torno do game. A experiência simplesmente acaba antes de seu clímax. Ainda assim, o pouco que ele mostra nos traz um gameplay consistente e com muito potencial, principalmente em termos de jogabilidade. Com Horizon Zero Dawn, a Guerrilla mistura sua experiência à frente da série Killzone com a vontade de fazer um RPG de ação em mundo aberto e nos entrega algo bem diferente do que estamos acostumados a ver. Só falta nos mostrar isso de verdade.

Embora seja fácil encontrar elementos herdados da série de tiro, a aplicação disso em um RPG oferece uma nova dinâmica e ajuda a fazer com que o ritmo fique mais frenético. Prova disso é que aliar o uso do arco com o arpão, armadilhas e golpes físicos faz com que os seus ataques se tornem muito mais eficientes e a caçada fique bem mais interessante.