Dead Rising 4 traz matança de zumbis e zoeira ao PS4 por preço salgado [Análise]

Por Eduardo Hayashi | 26 de Dezembro de 2017 às 13h00

A ambientação do mundo pós-apocalíptico dominado por zumbis sempre foi algo exaustivamente explorado nos últimos anos pelos filmes e, é claro, pelos videogames, representado pela consagrada e respeitada série Resident Evil.

Em 2006, a Capcom decidiu fugir um pouco do convencional survival horror e lançou Dead Rising, um game que aproveita o cenário devastado pelos mortos-vivos para criar uma experiência que mistura humor e violência em doses cavalares, com inspiração mais do que óbvia nas obras cinematográficas de George Romero.

Aos trancos e barrancos, Dead Rising teve algumas sequências ao longo dos anos, recebendo críticas positivas e negativas quase na mesma medida, mas, ainda assim, conquistando um público muito fiel.

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Dead Rising 4 chegou inicialmente com exclusividade ao Xbox One no final de 2016, junto com a primeira remessa de games na época de lançamento da plataforma, e para PC.

Agora, da mesma forma que aconteceu com Rise of the Tomb Raider, o game de zumbis finalmente é lançado para PlayStation 4 com o título Dead Rising 4: Frank's Big Package, numa espécie de “edição definitiva” que oferece todos conteúdos bônus e modos de jogo do game original. Será que a matança zumbi e a zoeira ainda compensam?

De volta à cidade de Willamette

Diferente de Dead Rising 2 e 3, agora somos novamente apresentados ao canastrão Frank West, protagonista do primeiro game, que, após 16 anos do primeiro incidente zumbi, se vê diante de um novo surto em Willamette. Sem espaço para roteiros complexos e tramas dramáticas, somos introduzidos ao universo bizarro e hilário de Dead Rising 4.

O retorno do repórter freelancer pode ser facilmente considerado como um dos principais chamarizes para os fãs da série, uma vez que Frank West é tido como o personagem mais marcante da franquia, seja por sua personalidade egocêntrica ou por seu humor peculiar ao lidar com situações de perigo extremo - e isso realmente traz uma sensação de que este jogo tenta recuperar o fôlego do original.

Como é de se esperar, a câmera fotográfica de West é a sua principal  “arma”. Desta vez, o equipamento pode ser utilizado para registrar os momentos de caça aos zumbis e também em momentos de investigação, em que é necessário utilizar os modos de câmera normal, visão noturna e espectro para encontrar pistas e avançar na história. Tal elemento complementa a jogatina e diversifica os desafios, mas não chega a ser uma adição muito relevante.

Um dos grandes destaques do jogo é o seu mapa, sendo este o maior mundo aberto da série. Além da versão reformulada do Willamette Parkview Mall, chamada de Willamette Memorial Megaplex, podemos explorar todos os arredores da cidade e diversos locais que escondem conteúdos desbloqueáveis, missões secundárias e projetos para combinação de armas.

Como MacGyver no apocalipse zumbi

Falando em combinações de armas, Dead Rising 4 traz o consagrado sistema de crafting, em que o jogador pode juntar duas armas comuns para criar uma mais poderosa. Assim como em Dead Rising 3, não é necessário ir a locais específicos para combinar equipamentos, bastando ter os projetos (blueprints) dos itens e encontrar os componentes necessários para a montagem.

Os resultados das combinações são os mais absurdos e insanos possíveis, incluindo machados elétricos, marretas explosivas, pistolas de ácido, canhão de íons e varinhas mágicas, tudo para fazer com os mortos-vivos famintos sejam obliterados das formas variadas e divertidas.

Mas não pense que as combinações se limitam às armas brancas e de fogo, pois os veículos espalhados pelo cenário também podem ser “tunados” para se tornarem armas mortais contra os seus inimigos, trazendo opções no melhor estilo Mad Max.

Como uma das marcas registradas mais fortes da série, as combinações de armas e veículos continuam sendo a parte mais divertida e satisfatória do jogo, rendendo resultados absurdamente inusitados e uma grande variedade de maneiras para lidar com os zumbis numerosos de Willamette.

A sobrevivência do mais forte

Completar missões, eliminar inimigos e tirar fotografias são as principais formas de deixar Frank West mais apto a sobreviver. Seguindo o esquema dos games anteriores, a progressão do protagonista ocorre por meio de pontos de experiência, sendo que, ao subir de nível, um ponto de habilidade é concedido para que o jogador escolha quais dos 4 tipos de habilidades de sobrevivência serão aprimorados.

As árvores de habilidades são divididas entre “Briga”, “Fortitude”, “Tiro” e “Sobrevivência”, garantindo o aumento de perícia nos combate e tiroteio, além de expansões da capacidade de armazenamento de equipamentos e aprimoramentos da habilidade de combinar armas. Dessa forma, é possível optar por um foco maior em determinados aspectos ou melhorar todos os atributos na mesma proporção, deixando a progressão mais interessante e estratégica ao longo da campanha.

Praticamente todo o sistema de combate do jogo mantém boa parte do que já era conhecido até então: você encara uma horda de zumbis enquanto distribui tiros e socos para todos os lados, como um bom hack and slash.

As novidades neste aspecto ficam por conta da mecânica de combos, que permite a execução de movimentos de finalização especiais após atingir determinados números de acertos, e a inclusão das Exo Suits, uma espécie de armadura tecnológica que concede mais resistência e força a Frank, bem como a utilização de armas pesadas, como lança-chamas, gatling guns e até mesmo árvores de natal.

Apesar de não disponibilizar amplas possibilidades de ataque e sequências, Dead Rising 4 continua convencendo com a sua estrutura simples de golpes e movimentos, que, apesar de um pouco travada, é suficiente para trazer aquela sensação satisfatória que é trucidar dezenas ou centenas de mortos-vivos.

Tipos diferentes de missões e áreas seguras

As missões da campanha não são muito variadas, com objetivos pouco criativos como derrotar todos os inimigos, defender pessoas e localizar objetos. No entanto, durante uma viagem e outra pelos arredores de Willamette, você vai se deparar com quests opcionais, documentos, itens escondidos, minigames e incursões de resgate de sobreviventes, o que deixa a exploração um pouco mais diversificada.

A maior “mancada” aqui, de longe, são os confrontos com os maníacos (grupos de humanos que enlouqueceram com o apocalipse zumbi), que passaram a ter menor relevância em relação aos outros títulos da série pela ausência total de cenas especiais para cada subchefe.

Dead Rising 4 também traz os abrigos — áreas seguras que podem ser desbloqueadas ao eliminar zumbis em construções espalhadas pelo mapa —, lugares nos quais os sobreviventes das diferentes regiões da cidade se refugiam, oferecendo a venda de armas, veículos, comida, mapas e manuais de treinamento.

Vale notar que resgatar sobreviventes em objetivos secundários aumenta os níveis dos abrigos, o que resulta no desbloqueio de mais opções de conteúdos para comprar nas áreas seguras.

Em suma, por mais que a história principal não chame tanta atenção por seus desafios genéricos, a variedade de missões opcionais, desafios e armas desbloqueáveis faz com que o game não se torne enjoativo e repetitivo depois das primeiras horas, equilibrando a balança de pontos positivos e negativos do jogo.

“O pacotão do Frank”

Afinal, o que Dead Rising 4: Frank's Big Package tem a oferecer? A edição definitiva para PlayStation 4 abrange todos os DLCs e conteúdos bônus do game: roupas, armas e itens natalinos, bem como os modos Frank Rising, Super Ultra Dead Rising Mini Golf e missões cooperativas online.

Além disso, junto com Dead Rising 4: Frank's Big Package, a última atualização gratuita do game, disponível também para Xbox One e PC, adiciona o Capcom Heroes, uma variante da campanha na qual é possível selecionar os heróis e personagens mais famosos da Capcom (Ryu, Megaman X, Cammy, Dante, entre outros) e utilizar suas habilidades e movimentos únicos. Houve também uma melhoria significativa na inteligência artificial dos zumbis, deixando o game ligeiramente mais difícil.

As novidades mencionadas até o momento são agradáveis? Sim! Mas se você estava esperando por upgrades gráficos ou algo parecido, pode ir tirando o cavalinho da chuva. Não há nenhum tipo de remasterização ou grandes diferenças gráficas em comparação com o título original.

O que pode compensar um pouco a ausência de melhorias visuais é que Dead Rising 4 roda muito bem no PlayStation 4, garantindo uma experiência praticamente livre de quedas de quadros, mesmo em situações em que uma quantidade de absurda de zumbis aparece na tela para devorar Frank.

Veredito

Dead Rising 4: Frank's Big Package carrega quase todas as características positivas e negativas do jogo original, acertando na jogabilidade divertida e viciante, mas pecando com pequenos problemas técnicos e decisões de design questionáveis.

Mesmo se levarmos em conta todos os DLCs inclusos no pacote e os modos de jogo presentes nesta edição definitiva para PS4, fica difícil recomendar a aquisição, uma vez que o game foi disponibilizado em sua versão digital, na Playstation Store, por R$ 200, preço esperado para um game recente, totalmente novo, mas não para uma versão definitiva de um título lançado originalmente há quase um ano.

Desconsiderando o preço nada convidativo, Dead Rising 4 ainda é um game muito divertido e que merece estar na lista daqueles que não tiveram a oportunidade de jogá-lo no Xbox One ou no PC. A recomendação é esperar que ele fique mais barato em alguma eventual promoção.

*Dead Rising 4: Frank's Big Package está disponível para PlayStation 4 em formato físico e digital. No Canaltech, ele foi analisado com cópia física gentilmente cedida pela Warner Bros Games.

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