Criador do Mario defende que modelo de jogos grátis deve chegar ao fim

Criador do Mario defende que modelo de jogos grátis deve chegar ao fim

Por Redação | 22 de Agosto de 2018 às 22h55

Conhecido como o criador de clássicos como Mario e Donkey Kong, Shigeru Miyamoto é uma lenda viva da indústria dos games e alguém cuja palavra é vista por muita gente desse mercado como lei. E, dessa vez, o japonês de 65 anos resolveu se colocar contrário a algumas tendências atuais dos jogos, como o modelo gratuito para jogar e as chamadas loot boxes.

Durante a palestra que concedeu à CEDEC (Computer Entertainment Developers Conference) em Yokohama nesta quarta (22), Miyamoto se colocou contrário ao modelo de gratuidade para jogar (que é um dos responsáveis pelo sucesso de Fortnite e por uma fatia de U$140 bilhões de todo o dinheiro movimentado pelos videogames no último ano) por ser muito oneroso financeiramente aos jogadores, e que não só a Nintendo como todas as empresas deveriam tentar explorar diferente formas de cobrança, vendendo jogos a preços razoáveis para os consumidores a fim de criar um ecossistema de negócios mais sustentável a longo prazo.

As críticas a esse modelo de negócio (que inclui não apenas títulos gratuitos como Fortnite e Warframe, mas também o uso de loot boxes) acontecem num momento em que ele se encontra no auge do sucesso, pois permite que o jogador não pague (ou pague preços bem reduzidos) para ter acesso a um jogo e, já dentro dele, a empresa facilite a compra de itens cosméticos ou que trazem algum benefício ao jogador. Esse tipo de estratégia sempre foi comum em jogos para celulares, mas nos últimos anos vem ganhando cada vez mais adeptos também nos lançamentos para consoles e PCs.

(Foto: Casey Curry - Invision/AP)

Os defensores desse modelo de negócio afirmam que ele aumenta a vida útil dos títulos, além de criar um modelo de rentabilidade mais previsível, o que atrai investidores e gera empregos. Já as pessoas contrárias (Miyamoto entre elas) afirmam que esse modelo prejudica a criatividade na criação de novos jogos e, além disso, ainda promove um comportamento nocivo de apostas nos jogadores — o que levou alguns países, como a Bélgica, a proibirem a venda de loot boxes em jogos de videogame.

O maior problema para os defensores de um preço fixo para jogos é que o modelo não mais é tão rentável quanto antes. O próprio Miyamoto concede que insistir nesse modelo não tem sido exatamente um sucesso para a Nintendo — tanto que os dois últimos jogos para smartphone da empresa apostam no modelo gratuito, enquanto Super Mario Run, primeiro jogo da Big N para celulares e que foi vendido por um preço fixo, foi duramente criticado pelos jogadores, que acharam o preço muito caro pelo conteúdo oferecido.

Apesar disso, Miyamoto continua acreditando que vender jogos por um preço fixo é a melhor alternativa para que as empresas possam se manter saudáveis a longo prazo. Ele também pediu para que os executivos da indústria prestem mais atenção ao mercado musical, que ainda está tentando se recuperar do baque causado pela mudança de comportamento no consumo deste tipo de mídia, com os usuários preferindo consumir produtos gratuitos (como o download de MP3 e o YouTube), mas com os serviços de streaming conseguindo frear a pirataria e conquistando cada vez mais assinantes. Ele acredita que o modelo de assinaturas pode ser uma das soluções também para os jogos, mas que mesmo com isso ainda é fundamental estabelecer uma cultura saudável de compra com os jogadores.

Fonte: UOL Jogos

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