Blockchain pode ser a solução para as loot boxes em games

Por Redação | 10 de Julho de 2018 às 23h40

As chamadas loot boxes se transformaram ao longo da última década em um dos modelos de capitalização mais populares do entretenimento eletrônico. Mas existe aí um revés: as caixinhas de recompensas aleatórias não atraíram apenas a voracidade de publicadoras de games das mais variadas dimensões; elas também fizeram com que agências reguladoras erguessem as sobrancelhas, farejando algo muito semelhante a jogos de azar.

Parece haver uma solução relativamente simples para o imbróglio, entretanto: o emprego da blockchain. Ou, mais especificamente, a criação de novas criptomoedas que acabem por afastar a aura de cassino dos games “gratuitos para jogar”.

Conforme apontou o CEO da Signal Zero, Tobias Batton, o que lançou órgãos competentes de países como Holanda e Bélgica em uma cruzada contra as loot boxes foram três características que, de fato, configuram jogos de azar: 1) uma taxa de adesão; 2) o elemento de incerteza; e 3) a implicação de ganhos monetários. Para Batton, a tecnologia por trás do Bitcoin não apenas pode fazer desaparecer algumas dessas características, como ainda pode ampliar os ganhos de desenvolvedores de pequeno, médio e grande porte.

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Nova forma de “mineração”

Em coluna escrita para o site VentureBeat, Batton aponta a luz no fim do túnel — ou o pote de ouro ao final do arco-íris, em uma analogia mais adequada. Citando o principal fruto da Signal Zero como exemplo, a criptomoeda Loot, o desenvolvedor afirma que a continuidade das rentáveis loot boxes pode ser garantida por meio da implementação de uma nova forma de mineração.

O funcionamento seria semelhante ao de outras moedas/transações baseadas na mesma tecnologia. “Todas as redes de blockchain utilizam alguma forma de mecanismo de incentivo, o que ajuda a rede a funcionar apropriadamente”, explicou Batton no referido texto. “No caso do Bitcoin, trata-se de um algoritmo baseado em prova de trabalho, o que mantém a rede segura e confiável, tornando difícil que novas transações sejam adicionadas ao bloco de dados.”

A diferença fundamental, portanto, estaria nesse mecanismo de incentivo. No caso de criptomoedas, isso normalmente ocorre por meio da resolução de puzzles computacionais — com redes gigantescas de computadores tentando resolver uma mesma chave, a fim de legitimar uma transação e garantir um prêmio na forma de unidades monetárias.

Para os jogos, entretanto, Batton defende que essa mineração clássica — baseada em processamento de CPU ou de GPU — seja substituída por provas de habilidade dos jogadores dentro do próprio game. “Isso poderia eliminar a taxa inicial de adesão, o que evitaria que reguladores classificassem [a atividade] como um jogo de azar”, diz o desenvolvedor.

Dinheiro dentro e fora do jogo

Além da questão da taxa inicial, entretanto, as novas criptomoedas criadas para uso dentro dos próprios jogos ainda evitariam o segundo ponto: os ganhos monetários. Ou, vá lá, pelo menos não haverá quaisquer gastos diretos em moeda corrente de qualquer país. Afinal, todas as compras realizadas dentro do game — sejam loot boxes ou quaisquer outros itens — seriam realizadas por meio das próprias moedas virtuais.

Mas isso com uma diferença crucial: assim como qualquer outra criptomoeda, a versão criada para mineração in-game também poderia ser negociada fora do jogo, transformando-se em ganhos monetários de forma, digamos, indireta. Restaria, portanto, apenas a questão da “incerteza”, o que não seria suficiente para qualificar um jogo como “de azar”. Afinal, apenas as moedas geradas por meio dessa “mineração baseada em habilidade” seriam gastas no ambiente virtual.

Assim como outras criptomoedas, as versões criadas para uso nos games poderiam ser negociadas normalmente em mercado.

Embora as loot boxes ainda dividam opiniões, Batton aponta essa nova utlização da blockchain como um “salvaguardo” diante de um cenário futuro no mínimo provável. “Embora companhias como a EA [Electronic Arts] dizem que vão persistir nas loot boxes, confiantes de que outros reguladores não verão a situação da mesma forma como os belgas ou os holandeses, não há garantias de que outras autoridades não acabarão eliminando [esse modelo]”.

Uma sobrevida extra pode ser a recompensa aleatória das softhouses, portanto. Pelo menos até que as caixinhas de recompensa sejam substituídas por um formato de negócios ainda mais rentável (ou seguro).

Fonte: VentureBeat

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