BIG Festival | Estado de SP anuncia editais em R$ 2,4 milhões para games

Por Wagner Wakka | 01 de Julho de 2019 às 19h30
(Imagem: Getty Images)

Um dos palcos do Brazil’s Independent Games Festival (BIG Festival) foi direcionado para discutir políticas públicas voltadas para a indústria de games. Em um deles, o secretário de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo, Sérgio Sá Leitão, apresentou quais serão os investimentos para o setor de games neste ano. A previsão é o lançamento de editais em R$ 8,8 milhões para todo audiovisual, sendo que R$ 2,4 milhões devem ser destinados para projetos relacionados a games.

Segundo Sá Leitão, os editais serão lançados, escolhidos e pagos ainda este ano, por meio do Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo (ProAC). A partir do mês de junho, as inscrições já podem ser feitas em várias linhas de financiamento.

Para o setor de games, há duas possibilidades. Há uma linha de investimento focada somente em desenvolvimento e produção de jogos, com um total de R$ 1,2 milhão em investimentos, sendo que cada projeto poderá ter no máximo R$ 200 mil. Ou seja, a previsão é de que esta linha consiga impulsionar ao menos seis projetos de games no Brasil ainda este ano.

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Ou setor que pode também trabalhar com esta indústria é o de desenvolvimento e produção de conteúdo em realidade aumentada e virtual. “Embora não seja direcionado para games, também pode ser utilizado para jogos”, explica o secretário. Aqui também há o montante total de R$ 1,2 milhão com total de R$ 200 mil por projeto.

Sá Leitão ainda espera que este não seja o único investimento no setor para games. “Eu espero que estas ações todas tenham continuidade, porque para uma política de fato produzir resultados orgânicos estruturantes e sistêmicos é preciso que haja continuidade. Ou seja, não pode fazer só uma vez. A cada ano, isso precisa se repetir, e você faz mensuração de resultados,ajustes, e aperfeiçoamentos sendo que as coisas têm que continuar. Nós estamos começando aqui no Estado de São Paulo, mas acho importante que os estados e municípios também entrei no jogo também sejam players”, informou ao Canaltech.

Congelamento

O secretário também foi questionado sobre os congelamentos de investimentos da Agência Nacional de Cinema. Em abril deste ano, o Tribunal de Contas da UNião (TCU) enviou acórdão (721/2019) questionando a metodologia com que a Ancine prestava suas contas de investimentos. O resultado é que, um mês depois, ela mandou suspender os repasses de verbas para o setor audiovisual. O secretário confirma que isso afetou o repasse para o setor de games.

“Isso na verdade afeta tudo. Afeta o conjunto dos investimentos que são feitos via Ancine. Então, houve uma paralisação, mais isso já está se resolvendo e as coisas já estão sendo retomadas. Eu acho que o que aconteceu foi positivo, Porque, de fato, era necessário dar um freio de arrumação. Pois, o que foi feito em gestões passadas realmente é um absurdo. Não pode ter investimento público sem prestação de contas, nem análise de prestação de contas“, explica Sá leitão. Desde maio, o órgão voltou a operar normalmente.

Secretário Sergio Sá Leitão (Foto: Divulgação/Ancine)

Um dos setores que recebiam investimentos era exatamente o BIG Festival. Em nota ao Canaltech no último mês, o diretor do evento, Gustavo Steinberg, informou que havia cortes do Fundo Setorial do Audiovisual. “De uma forma geral, tivemos muitas mudanças em todas as esferas de financiamento à cultura e isso afetou, é claro, o BIG Festival, tanto é que não teremos a edição no Rio desta vez”, informou o diretor antes do evento.

Segundo relatório de contas do Fundo, em 2018 o BIG Festival recebeu R$ 420 mil para sua realização. A organização não precisa o montante deste ano, mas há confirmação de menos verbas públicas. O secretário, contudo, acredita que não há motivo para falar em cortes.

“No âmbito da política audiovisual, a gente não tem corte. Houve essa questão do TCU que paralisou agenda que estava sendo discutida. Mas a agenda de Fundo Setorial do Audiovisual é 700 e poucos milhões de reais como vem sendo anualmente. Eu acho que as coisas estão demorando um pouco para acontecer. Isso é real”, pontua.

Um dos problemas é construção do Comitê Gestor do Fundo Setorial do Audiovisual (CGFSA), quem aprova investimentos no setor. No ano passado, isso aconteceu em maio, com liberação de R$ 705 milhões pelo Ministério da Cultura. Segundo Sá Leitão, o comitê deste ano ainda não aprovou orçamento

“O governo precisa constituir o comitê gestor setorial, já que p mandato anterior venceu. Então, isso precisa ser constituído para que seja aprovado o plano anual. Era para o plano anual do fundo setorial ter sido aprovado em março. Isso está realmente atrasado. Você sabe que, no Brasil, a gente tem um pouco dessa tradição de descontinuidade de um governo para outro. Mas eu acho que tem alguma coisa que está atrasada, mais que não há razão para que se fala em corte, ou redução em investimentos” finaliza o secretário.

A assessoria de imprensa não contava com dados de investimentos da Ancine no setor de games; contudo, o Canaltech já pediu acesso a estas informações e aguarda resposta pela Lei de Acesso à Informação.

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