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BGS 2026 x BGS 2016: como a maior feira de games da América Latina encolheu em 10 anos

Por  • Editado por Jones Oliveira |  • 

Brasil Game Show 2016 - BGS 2016
Reprodução/Brasil Game Show

A 15ª edição da Brasil Game Show acabou na última segunda-feira (12) e deixou um gosto amargo na boca de visitantes, expositores, jornalistas e influenciadores. Considerada a maior feira de games da América Latina, a BGS 2026 ficou marcada pela redução do número marcas presentes e atrações em comparação com anos anteriores. O abismo fica ainda maior para quem já frequenta a feira desde antes da pandemia.

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O sumiço de players importantes como PlayStation e XBOX, problemas gerais de organização e a falta de oferta de atrações voltadas ao público gamer têm se tornado o verdadeiro calcanhar de Aquiles da feira.

Apesar do tropeço homérico, em especial quando falamos do esvaziamento do evento e da baixa oferta de estandes, a BGS 2026 conseguiu entregar alguns jogos ainda não lançados da SEGA, Nintendo, Square Enix e Activision.

No entanto, mesmo esse ponto positivo pode ser extinto já nas próximas edições, visto que criadores e jornalistas revelaram que os contratos entre a organização da feira e marcas como Nintendo e SEGA estão com os dias contados.

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No início deste ano, uma trend ficou bem popular nas redes sociais ao trazer comparativos entre 2026 e 2016. Resolvemos aplicar esse mesmo gap de uma década para entender como a Brasil Game Show foi de um dos melhores eventos de games do mundo para uma feira que hoje divide opiniões.

Como era a BGS (e o mundo dos games) em 2016?

Em 2016, o PlayStation 4 seguia com sua liderança após o desastroso início de geração do XBOX One, que naquela altura tentava se recuperar. A Nintendo estava se preparando para lançar o Switch e se redimir do catastrófico Wii U. Fazia um ano que a Big N tinha saído do Brasil e só retornaria em 2020.

Apesar da ausência da japonesa, jogadores do país e do mundo estavam vidrados em caçar monstrinhos de bolso em realidade aumentada com a febre de Pokémon GO, que foi uma espécie de Tetris da nossa geração.

Em meio a tudo isso, a Brasil Game Show 2016 chegava à sua 7ª edição e passava por uma expansão. Pela primeira vez, a feira acontecia no São Paulo Expo, bem próximo ao Jabaquara, na capital paulista. Embora um pouco menor que a edição de 2015, a BGS daquele ano foi bem-sucedida ao trazer os estandes do PlayStation e XBOX, além de contar com a participação de empresas como Capcom, Ubisoft, EA, Warner Games, Razer e Supercell.

E se o ponto alto da BGS 2026 foi levar jogos ainda não lançados para os visitantes, a BGS de 2016 nadou de braçada nesse quesito. A Sony, que estava em sua era de ouro com os fãs, trouxe The Last Guardian, Horizon Zero Dawn e Detroit: Become Human em primeira mão aos jogadores brasileiros. O estande também contava com estações de Final Fantasy XV, Gravity Rush, Call of Duty: Infinite Warfare, Dragon Ball Xenoverse 2, No Man’s Sky, Uncharted 4, Ratchet & Clank e Bound. 

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A Capcom levou nada menos que Resident Evil VII para a feira, jogo que, um ano depois, mudaria não apenas o destino da franquia de survival horror, como também o da própria empresa.

O XBOX montou um dos maiores estandes do evento e levou ao público brasileiro os jogos Gears of War 4, Forza Horizon 3, ReCore e Halo Wars 2 antes do lançamento. Além dos jogos, a marca realizou campeonatos, sorteios e atividades, bem como anunciou a redução temporária nos preços do XBOX One durante a feira.

A BGS 2016 foi muito elogiada por trazer grandes lançamentos em primeira mão, reunir marcas relacionadas aos games, como a Razer, organizar competições e estabelecer sua relevância como o maior evento de games da América Latina.

BGS 2026: o sonho acabou?

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Enquanto a edição da feira em 2016 estava em expansão, o cenário da BGS, uma década depois, é o exato oposto: de decadência. A BGS 2026 aconteceu entre os dias 9 e 12 de outubro no Distrito Anhembi (pelo segundo ano consecutivo).

O evento também ofereceu testes de jogos antecipados aos visitantes, embora os títulos em si tenham sido mais modestos em comparação com o que foi apresentado em 2016. As exceções ficaram por conta de novidades selecionadas, como Alien: Isolation 2, Stranger Than Heaven, Call of Duty: Modern Warfare 4 e Final Fantasy VII: Revelation. Este último tinha poucas estações disponíveis, o que dificultou o acesso dos jogadores, em especial no sábado (10).

Outra ausência visível foi a de marcas de tecnologia envolvidas com games, como Razer, Nvidia, AMD, Logitech G, Samsung, TCL, entre outras. Algumas delas, inclusive, estiveram presentes na gamescom latam 2026, atual rival da feira.

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A organização da Brasil Game Show parece enfrentar dificuldades para encontrar parcerias e expositores para compor o chão da feira. Não será surpresa, por exemplo, se você encontrar vídeos criticando o espaço das praças de alimentação do evento, que ocuparam boa parte da BGS 2026. Embora os corredores mais amplos ajudassem na circulação pelo evento, eles também evidenciaram a falta de empresas e atividades para os visitantes.

Essa retração da feira de games acompanha o atual cenário dos jogos globais. As empresas têm preferido anunciar novidades em eventos digitais, como o The Game Awards, e não investir tanto em feiras presenciais. Basta ver o que aconteceu com a E3. Há também o aumento de custos e preços em todos os setores de jogos, desde a produção até o marketing.

Esses argumentos, no entanto, vão até a segunda página. Basta olharmos para feiras como BlizzCon, gamescom (Alemanha e latam), Summer Game Fest e Tokyo Game Show. Esses eventos souberam se reinventar na atual crise e continuam capazes de atrair a atenção do público e das marcas, oferecendo experiências e jogos que a BGS parece ter deixado no passado.

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A principal diferença entre a BGS 2026 e a BGS 2016 reside justamente na capacidade de atrair parcerias de peso e oferecer experiências marcantes aos jogadores. É sobre trazer conteúdo de GAMES para GAMERS, planejar uma melhor disposição dos estandes, dar mais visibilidade para jogos indie e brasileiros e pensar no bem-estar dos visitantes.

Trazer Final Fantasy VII: Revelation é um grande acerto, mas de nada adianta se há apenas seis estações para jogar em um evento que comporta centenas de milhares de visitantes durante os quatro dias de feira.